Como captar paciente de DTM que já fez placa em outro consultório e continua com dor?
O paciente que já pagou uma placa, usou e continua com dor é um lead diferente do caso novo: ele chega cético e não quer outro dispositivo. Veja como transformar esse refratário em caso da sua clínica com oferta de reavaliação diagnóstica, triagem no WhatsApp e mídia segmentada por sintoma, com a evidência e a norma que sustentam a conversa.
Você capta o paciente refratário à placa vendendo rediagnóstico, não outro dispositivo: a revisão Cochrane de 2024 não conseguiu concluir que intervenções oclusais funcionam, então a oferta de entrada que converte esse lead cético é uma consulta de reavaliação com escopo declarado e preço na mesa.
- A placa não é o tratamento fechado que o paciente imagina. A revisão Cochrane de 2024 sobre intervenções oclusais na DTM reuniu 57 estudos randomizados com 2.846 participantes e concluiu que a evidência é insuficiente para chegar a conclusões sobre a eficácia dessas intervenções no manejo dos sintomas, apesar de os estudos somarem quase 3.000 participantes (Cochrane Library, revisão CD012850).
- O paciente que continua com dor literalmente não foi medido. Nessa mesma revisão Cochrane de 2024, desconforto e taxa de recidiva não foram reportados em nenhum dos 57 estudos incluídos, o que explica por que ninguém tem um protocolo pronto para o refratário e por que existe espaço competitivo nessa dor (Cochrane Library, revisão CD012850).
- Esse lead decide mais devagar, e o funil precisa aguentar isso. Segundo dados internos da Odonto Results, 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa de 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026. No refratário, a conversa costuma exigir mais rodadas antes do agendamento.
Faz parte do guia: Como atrair pacientes para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Quem é o paciente refratário à placa (e por que ele não é um caso novo)
- O que a revisão Cochrane de 2024 realmente diz sobre a placa
- O buraco da literatura: o refratário não foi medido
- O que o NIDCR recomenda: conservador primeiro, irreversível por último
- "Tem desgaste, então precisa de placa" não é diagnóstico
- A dor do refratário raramente vive sozinha
- Farmacologia não resolve sozinha (e o paciente já tentou)
- O que o refratário digita quando procura solução
- A oferta de entrada certa: reavaliação diagnóstica, não outra placa
- Roteiro de triagem no WhatsApp que separa refratário de caso novo
- Preço e contrato de expectativa: você cobra diagnóstico, não cura
- Mídia paga e conteúdo: segmentação por sintoma e o limite do CFO-196/2019
- As métricas desse funil (e por que o ciclo é mais longo)
- Encaminhamento e rede multiprofissional é captação, não perda de caso
- Os erros que queimam o caso refratário
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Como captar paciente de DTM que já fez placa em outro consultório e continua com dor?"
Esse paciente não é um lead novo. Ele é um lead queimado.
Ele já pagou, já usou o dispositivo por meses, já ouviu que ia melhorar, e continua acordando com a mandíbula travada. Quando ele chega no seu WhatsApp, a pergunta dele não é "quanto custa a placa". É "por que eu deveria acreditar em você".
E aqui está a parte que quase nenhuma clínica usa a seu favor: a evidência está do seu lado quando você diz que a placa isolada explica pouco.
A revisão Cochrane de 2024 sobre intervenções oclusais na DTM reuniu 57 estudos randomizados com 2.846 participantes e concluiu que a evidência é insuficiente para chegar a conclusões sobre a eficácia dessas intervenções no manejo dos sintomas de DTM, apesar de os estudos disponíveis somarem quase 3.000 participantes.
Ou seja: o paciente não é um caso perdido nem um paciente difícil. Ele é um caso que nunca foi diagnosticado direito.
Neste guia você vai ver:
- Quem é o refratário à placa e por que ele é outro tipo de lead
- O que a evidência de fato sustenta sobre placa (e o que ela não mede)
- A oferta de entrada que converte esse cético (e a que queima o caso)
- O roteiro de triagem no WhatsApp que separa refratário de caso novo
- Mídia, conteúdo e o limite do CFO-196/2019 para imagem de caso
- As métricas desse funil e por que o ciclo é mais longo
Quem é o paciente refratário à placa (e por que ele não é um caso novo)
O caso novo chega com uma hipótese: "acho que tenho bruxismo". O refratário chega com um histórico: "já fiz placa, gastei, não adiantou".
A diferença muda tudo no seu funil.
O caso novo precisa ser educado sobre o problema. O refratário já foi educado, comprou a solução que foi oferecida e ela não entregou. Ele não precisa de mais informação sobre DTM. Ele precisa de um motivo concreto para acreditar que você vai enxergar algo que o outro não enxergou.
Ele chega com três coisas na bagagem: dinheiro gasto, expectativa frustrada e uma teoria própria sobre o que deu errado.
| Dimensão | Caso novo de DTM | Refratário à placa |
|---|---|---|
| O que ele busca | Nome para o sintoma | Explicação para o fracasso |
| Estado emocional | Curiosidade e preocupação | Ceticismo e frustração |
| Objeção principal | Preço do dispositivo | "Vai ser igual da outra vez" |
| Oferta que atrai | Avaliação inicial | Reavaliação diagnóstica |
| Oferta que repele | Consulta cara sem escopo | Mais uma placa, avaliação gratuita |
| Ciclo de decisão | Curto, resolve na conversa | Mais longo, exige prova de método |
| Risco do caso | Não comparecer | Abandonar na primeira recaída |
Repare na última linha. O risco do refratário não está na captação, está na continuidade. Você pode ganhar o agendamento e perder o caso na terceira semana se prometeu o que não podia entregar.
Lembre: você não está vendendo um dispositivo melhor que o do colega. Está vendendo o rediagnóstico que ninguém fez ainda.
O que a revisão Cochrane de 2024 realmente diz sobre a placa
Esse é o argumento mais forte que você tem, e quase ninguém usa porque parece contraintuitivo vender falando mal do próprio arsenal.
Não é falar mal. É calibrar a promessa.
A revisão Cochrane de 2024 (Cochrane Oral Health, revisão CD012850) analisou 57 estudos randomizados, com 2.846 participantes, que compararam placas oclusais com nenhum tratamento, placebo ou outro tratamento.
O veredito dos autores sobre a própria base é duro: eles afirmam ter muito pouca confiança na evidência, porque a maioria dos estudos incluídos tinha problemas de desenho.
O que sobra de sinal positivo é estreito e vem cheio de qualificador. Segundo a mesma revisão, e no recorte da placa estabilizadora rígida de cobertura total, a placa oclusal pode reduzir a dor muscular ao mastigar em comparação a não receber nenhum tratamento, mas os resultados são muito incertos.
Leia de novo os três qualificadores: pode, comparada a nenhum tratamento, muito incertos.
O que isso significa na prática do seu consultório? Que prometer resolução com o dispositivo é assumir um risco que a literatura não cobre. E que o paciente refratário é a prova viva disso na sua frente.
O buraco da literatura: o refratário não foi medido
Aqui está o dado que muda a conversa comercial inteira.
Na revisão Cochrane de 2024 sobre intervenções oclusais na DTM, desconforto e taxa de recidiva não foram reportados em nenhum dos estudos incluídos.
Nenhum. Em 57 estudos randomizados.
Pensa no que isso quer dizer: exatamente o desfecho que o seu paciente está vivendo (a dor que volta, o dispositivo que incomoda) é o que a literatura disponível não mediu.
Esse vazio é uma vantagem competitiva na sua região. Se ninguém tem protocolo pronto para o refratário, a clínica que estrutura um caminho claro para ele ocupa um espaço que está literalmente vago.
E é por isso que a sua comunicação não deveria competir com "placa mais confortável" ou "placa com tecnologia X". Ela deveria competir com "o que ninguém investigou no seu caso".
O que o NIDCR recomenda: conservador primeiro, irreversível por último
Antes de desenhar a oferta, alinhe a conduta. Isso protege o caso e protege você.
O NIDCR (National Institute of Dental and Craniofacial Research, instituto de pesquisa odontológica dos NIH, nos Estados Unidos) é explícito: como a evidência para muitos tratamentos de DTM é limitada, especialistas recomendam tratamentos conservadores e evitar tratamentos que mudem permanentemente as articulações da mandíbula, os dentes ou a mordida, ou que envolvam cirurgia.
Guarde essa frase. Ela é a trava contra o erro mais caro do atendimento ao refratário: transformar a frustração dele em justificativa para reabilitação oclusal.
O mesmo material do NIDCR reforça por que a rota irreversível não se sustenta como resgate. Falando especificamente dos tratamentos oclusais que modificam os dentes e a mordida (o instituto cita colocar coroas, desgastar os dentes e usar ortodontia para mudar a posição dos dentes), o NIDCR registra que não há evidência suficiente de que esses tratamentos oclusais funcionem para tratar DTM, e que em alguns casos eles pioram o problema.
Traduzindo para a conversa de venda: o paciente que já falhou com placa é justamente o que mais aceita uma proposta grande de reabilitação, porque está cansado. É exatamente por isso que essa proposta não pode ser a sua porta de entrada.
"Tem desgaste, então precisa de placa" não é diagnóstico
Esse é o argumento comercial mais comum do mercado, e ele não sobrevive à leitura atenta da fonte.
Duas coisas se misturam aí: desgaste dentário, que é um achado; e DTM, que é uma disfunção que dói. Uma não prova a outra.
O NIDCR descreve os aparelhos intraorais como dispositivos que se encaixam sobre os dentes, protegem os dentes e podem ajudar na reversão de hábito, como o apertamento, e registra que não há muita evidência sobre se eles melhoram a dor da DTM.
Sobre a velha teoria da mordida, o instituto também é direto: por anos se pensou que dentes desalinhados causassem DTM, mas a evidência atual não sustenta uma ligação forte entre má oclusão e DTM.
O que fazer com isso na clínica:
- Trate o desgaste como achado, não como indicação automática. Ele entra no registro do caso, não no roteiro de venda.
- Separe queixa de achado no seu formulário de anamnese. Onde dói, quando dói, o que piora, há quanto tempo.
- Não ancore a proposta no que aparece na foto. O refratário já comprou uma proposta ancorada em achado e ela falhou.
Se você quer o recorte completo de como não virar uma clínica que vende dispositivo, veja como atrair paciente de DTM e bruxismo para o tratamento completo.
A dor do refratário raramente vive sozinha
Aqui está a explicação mais provável para o caso que não respondeu ao tratamento local.
O NIDCR registra que as DTMs podem ocorrer sozinhas ou junto com outras condições, como dores de cabeça, dor nas costas, problemas de sono, síndrome do intestino irritável e fibromialgia. O mesmo material descreve que, na avaliação, o profissional pode perguntar sobre outras condições de dor, como dor de cabeça ou dor nas costas.
Pensa assim: se a dor do paciente é alimentada por sono ruim, sobrecarga emocional e uma condição de dor generalizada, um dispositivo que atua na boca vai resolver uma fração do quadro. Ele não falhou por ser mal feito. Falhou por ser uma peça isolada de um problema que tem mais de uma peça.
Isso não é filosofia. É desenho de oferta.
Quando a sua anamnese cobre sono, hábitos, dor em outras regiões e histórico emocional, três coisas acontecem ao mesmo tempo:
- O paciente sente que alguém finalmente olhou o caso inteiro, e isso fecha a consulta.
- Você consegue explicar o fracasso anterior sem atacar o colega.
- Você identifica quando precisa de encaminhamento, o que protege o seu resultado.
O NIDCR também descreve entre as condutas não cirúrgicas a fisioterapia, incluindo terapia manual, e abordagens comportamentais como terapia cognitivo-comportamental e biofeedback, normalmente oferecidas por psicólogo. Ter esse mapa pronto é o que separa o rediagnóstico sério da segunda tentativa no escuro.
Farmacologia não resolve sozinha (e o paciente já tentou)
Quase todo refratário chega com histórico de anti-inflamatório, relaxante muscular ou analgésico por conta própria. Vale saber onde a evidência está antes de comentar isso com ele.
Segundo o NIDCR, existe evidência limitada disponível para decidir quais medicamentos são mais efetivos na redução da dor de DTM.
Na conversa, isso te dá uma frase honesta e forte: não existe atalho farmacológico que substitua entender o caso. É exatamente o tipo de calibração que faz um cético baixar a guarda.
O que o refratário digita quando procura solução
A intenção de busca dele é diferente, e é por isso que o seu anúncio de "placa de bruxismo" não pega esse lead.
Ele não busca procedimento. Ele não busca preço. Ele busca sintoma persistente e frustração.
Os padrões de busca e de conversa desse perfil:
- "usei placa e não adiantou"
- "placa de bruxismo não resolveu a dor"
- "dor na mandíbula mesmo usando placa"
- "estalo e dor no ouvido há meses"
- "dor de cabeça ao acordar todo dia"
- "acordo com a mandíbula travada"
Repare que nenhuma dessas frases contém a palavra "dentista". Ele já não confia que a resposta esteja num consultório odontológico, porque um consultório odontológico já tentou.
O seu conteúdo e os seus criativos precisam falar essa língua. Título que começa com "tratamento de DTM" perde esse lead. Título que começa com "você usou placa e a dor continuou?" captura.
Para o recorte de quem chega pela via da dor de cabeça e do encaminhamento médico, veja como captar paciente de DTM pela dor de cabeça e pelo encaminhamento médico.
A oferta de entrada certa: reavaliação diagnóstica, não outra placa
Essa é a decisão que define a taxa de conversão do funil inteiro.
Duas ofertas queimam o caso antes de começar:
- "Avaliação gratuita". Atrai quem quer uma segunda cotação de dispositivo. O refratário não quer cotação, ele quer resposta. Gratuito sinaliza que o valor está no que vem depois, ou seja, em vender algo a ele. É exatamente o que ele teme.
- "Fazemos a placa certa para o seu caso". Isso é a promessa que já falhou uma vez. Repetir a promessa te coloca na mesma prateleira do profissional anterior.
A oferta que converte é uma consulta de reavaliação diagnóstica com escopo declarado.
Escopo declarado significa dizer, antes de ele agendar, exatamente o que acontece na consulta:
- Anamnese completa de dor, incluindo sono, hábitos e outras regiões do corpo.
- Exame clínico de músculos e articulação, com registro do que dói e como.
- Revisão do que já foi feito: tipo de dispositivo, tempo de uso real, ajustes realizados.
- Devolutiva com hipótese diagnóstica e plano, incluindo o que está fora do escopo odontológico.
Essa lista faz um trabalho silencioso e poderoso: mostra método. O refratário não compra promessa, compra método, porque promessa é justamente o que ele já comprou.
Roteiro de triagem no WhatsApp que separa refratário de caso novo
Você não quer mandar o refratário para o mesmo fluxo do caso novo. A mensagem de "agende sua avaliação de bruxismo" faz esse lead desistir.
Seis perguntas resolvem a triagem sem transformar o WhatsApp em consulta:
- Há quanto tempo você sente a dor? Meses contra anos muda a expectativa de tempo de tratamento.
- Que tipo de placa você usou e por quanto tempo? Rígida, macia, superior, inferior, semanas ou anos.
- Você usou todas as noites ou de forma irregular? Falha de adesão não é fracasso de tratamento, e a conduta é outra.
- A placa chegou a ser ajustada depois de pronta? Dispositivo entregue e nunca revisado é uma pista objetiva.
- Você tem dor em outras regiões, dor de cabeça frequente ou dorme mal? Abre a porta da avaliação ampliada.
- O que melhora e o que piora a dor? Separa padrão muscular, articular e misto na hora de priorizar a agenda.
O que fazer com as respostas:
| Resposta na triagem | Leitura provável | Encaminhamento interno |
|---|---|---|
| Usou pouco ou parou cedo | Adesão baixa, não refratário real | Consulta padrão, foco em adesão |
| Usou certinho e sem ajuste nenhum | Acompanhamento ausente | Reavaliação diagnóstica |
| Usou certinho, com ajustes, e não melhorou | Refratário de verdade | Reavaliação ampliada, com rede |
| Dor em várias regiões e sono ruim | Quadro com outras condições | Reavaliação ampliada, com rede |
| Quer só orçamento de placa nova | Caça-preço de dispositivo | Conteúdo educativo, não agenda |
Esse roteiro tem um efeito colateral valioso: ele já começa a entregar valor na conversa. O paciente percebe que a sua clínica pergunta coisas que ninguém perguntou antes, e isso é o que faz ele agendar.
Preço e contrato de expectativa: você cobra diagnóstico, não cura
Aqui mora a diferença entre um caso que continua e um caso que vira reclamação.
Cobre a reavaliação. Um valor declarado antes do agendamento faz três coisas ao mesmo tempo: filtra o caça-preço, sinaliza que o produto é o diagnóstico e evita que o paciente entenda a consulta como um passo comercial disfarçado.
Deixe o preço explícito na conversa, antes do agendamento. Surpresa de valor no balcão queima justamente o paciente que já se sentiu enganado uma vez.
E faça o contrato de expectativa em voz alta, na primeira consulta:
- Você vai investigar e propor um plano, não garantir ausência de dor.
- Parte do plano pode ficar fora da odontologia, e isso é parte do trabalho.
- Vão existir reavaliações, porque dor persistente se acompanha, não se despacha.
Soa menos vendedor? Sim. E converte mais nesse perfil, porque o paciente refratário não está comparando promessas, está procurando alguém que não prometa demais de novo.
Para estruturar a conta do acompanhamento longo, veja como precificar tratamento de DTM com acompanhamento longo.
Mídia paga e conteúdo: segmentação por sintoma e o limite do CFO-196/2019
A mídia para esse lead tem duas regras próprias.
Primeira: segmente por sintoma persistente, não por procedimento. O criativo que funciona fala com quem já falhou uma vez. Ele nomeia a experiência dele antes de oferecer qualquer coisa.
Ângulos de criativo que conversam com o refratário:
- "Você usou a placa certinho e a dor continuou. Isso não significa que não tem solução."
- "Dor na mandíbula que volta mesmo com placa: o que costuma ficar de fora da avaliação."
- "Antes de fazer outra placa, refaça o diagnóstico."
Segunda: cuidado com imagem de caso. Aqui a regra é normativa, e o sujeito da permissão importa.
Pela Resolução CFO-196/2019, a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. A pessoa jurídica, ou seja, a clínica, não está autorizada a essa divulgação.
Como você é o dono e opera como PJ, isso tem consequência prática direta no seu calendário de conteúdo:
- O perfil da clínica trabalha com conteúdo educativo sobre o sintoma, depoimento em vídeo e explicação de método.
- A imagem de caso sai no perfil do profissional que executou, com nome e CRO na imagem.
- Antes de subir qualquer campanha com imagem clínica, confirme quem é o sujeito da publicação.
Essa distinção custa cinco minutos de organização e evita uma dor de cabeça com o conselho.
As métricas desse funil (e por que o ciclo é mais longo)
Medir o refratário com a régua do caso novo faz você desligar uma campanha que estava funcionando.
Comece pelo denominador certo. Segundo dados internos da Odonto Results, 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa de 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Quando você olha só quem responde, o número muda de figura. Segundo dados internos da Odonto Results, entre os leads que respondem à clínica no WhatsApp, a mediana entre clínicas é de 21% que viram agendamento na conversa (faixa típica de 16% a 28%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Sobre ritmo, vale uma ressalva importante. Segundo dados internos da Odonto Results, entre os leads que agendam, metade fecha em até 34 minutos e 53,6% em menos de 1 hora. Base: 3.148 agendamentos. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026. Esse recorte mede o ritmo de quem já recebeu resposta imediata e agendou, então trate a mediana como referência do lead que decide na conversa, e não como expectativa para o refratário, que tende a precisar de mais rodadas.
E ajuste a operação ao horário real da procura. Segundo dados internos da Odonto Results, 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
O painel que faz sentido para esse lead:
- Taxa de resposta na conversa, separada por origem de criativo (sintoma persistente contra procedimento).
- Agendamento na conversa, comparado com a sua própria linha de base, não com a do caso novo.
- Comparecimento, que é onde o ceticismo aparece de verdade.
- Continuidade em 90 dias, porque no refratário o caso se ganha na segunda e na terceira consulta.
- Encaminhamentos recebidos de outros profissionais, o ativo que cresce quando você monta rede.
Encaminhamento e rede multiprofissional é captação, não perda de caso
Esse é o ponto que mais dono de clínica erra por medo de perder faturamento.
Quando você encaminha para fisioterapia orofacial, para investigação de sono ou para saúde mental, você não entrega o paciente. Você vira o coordenador do caso. E coordenador é quem o paciente cita quando alguém pergunta onde ele se tratou.
Mais importante para o funil: profissional que recebe encaminhamento devolve encaminhamento. O fisioterapeuta que atende seus pacientes passa a te mandar os casos com queixa mandibular. O médico do sono passa a te mandar o bruxismo do sono suspeito.
Como montar isso sem virar um projeto de seis meses:
- Liste três parceiros por especialidade na sua região e converse pessoalmente.
- Padronize o relatório de encaminhamento, com hipótese, o que já foi feito e o que você precisa saber de volta.
- Feche o ciclo: quem recebeu retorno responde ao parceiro. É isso que cria o hábito da via de mão dupla.
Rede bem montada é o canal mais barato de aquisição para dor persistente, porque o lead chega pré-aquecido por uma autoridade que o paciente já confia.
Os erros que queimam o caso refratário
Cada um desses erros é fácil de cometer com boa intenção.
- Prometer cura. A revisão Cochrane de 2024 não conseguiu concluir que intervenções oclusais funcionam para os sintomas de DTM. Prometer resolução é assumir sozinho um risco que a evidência não cobre.
- Refazer a placa sem reavaliar o diagnóstico. É repetir o experimento que falhou e esperar outro resultado.
- Atacar o colega anterior. Ensina o paciente que profissional de saúde fala mal de profissional de saúde, e ele vai fazer isso com você na primeira recaída.
- Partir direto para o irreversível. O NIDCR recomenda conduta conservadora e evitar tratamentos que mudem permanentemente articulação, dentes ou mordida.
- Usar avaliação gratuita como isca. Traz cotação de dispositivo, não caso de dor persistente.
- Medir esse lead com a régua do caso novo. Ciclo mais longo lido como campanha ruim faz você desligar o que estava funcionando.
- Ignorar sono, comorbidade e carga emocional na anamnese. É como o caso chegou até você: avaliado pela metade.
Seu próximo passo
- Monte a oferta de reavaliação diagnóstica esta semana. Escreva o escopo em quatro linhas (anamnese ampliada, exame clínico, revisão do que já foi feito, devolutiva com plano) e defina o preço antes de anunciar. Sem escopo escrito, a oferta vira "avaliação" e atrai o público errado.
- Instale o roteiro de triagem no WhatsApp. As seis perguntas separam refratário real de baixa adesão e de caça-preço, e já entregam valor antes da consulta. Treine a equipe para não empurrar esse lead para o fluxo do caso novo.
- Ajuste criativo e painel ao mesmo tempo. Segmente por sintoma persistente, publique imagem de caso apenas no perfil do profissional que executou (CFO-196/2019) e passe a acompanhar comparecimento e continuidade em 90 dias, não só volume de lead.
Quer transformar a dor que o mercado da sua cidade não resolveu em casos previsíveis na sua agenda? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Posso simplesmente refazer a placa do paciente que veio de outra clínica?
Pode, mas refazer antes de reavaliar o diagnóstico é o jeito mais rápido de repetir o fracasso do colega anterior e virar o segundo profissional que não resolveu. A revisão Cochrane de 2024 sobre intervenções oclusais na DTM concluiu que a evidência é insuficiente para afirmar que essas intervenções funcionam. Refaça o dispositivo depois de rever o diagnóstico, não no lugar dele.
O que falar quando o paciente pergunta se a placa anterior estava errada?
Não ataque o colega e não valide a teoria do erro. Diga que a placa é uma ferramenta com indicação específica e que o passo agora é entender por que ela não bastou nesse caso. Atacar o profissional anterior sinaliza para o paciente que ele deve fazer o mesmo com você na próxima recaída.
Qual oferta de entrada funciona para esse paciente?
Uma consulta de reavaliação diagnóstica com escopo declarado e preço na mesa. Avaliação gratuita atrai quem quer segunda cotação de dispositivo, e o refratário já comprou dispositivo uma vez. Ele paga por alguém que vá investigar o caso a fundo, não por um orçamento novo da mesma coisa.
Posso publicar foto do caso desse paciente para atrair outros parecidos?
Só o cirurgião-dentista que executou o procedimento pode divulgar imagem de diagnóstico e de conclusão, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem, conforme a Resolução CFO-196/2019. A pessoa jurídica, ou seja, a clínica, não está autorizada a essa divulgação. Na prática, o perfil da clínica trabalha com conteúdo educativo sobre o sintoma, e a imagem de caso sai no perfil do profissional que executou.
Encaminhar para fisioterapia, sono ou psicologia não é perder o caso?
Não, desde que você continue como coordenador do caso. O NIDCR, instituto de pesquisa odontológica dos NIH, descreve fisioterapia e abordagens comportamentais entre as condutas não cirúrgicas para DTM. Quem organiza a rede vira a referência da região para dor persistente, e referência recebe encaminhamento de volta.
Por que o ciclo desse lead é mais longo que o do caso novo?
Porque ele não está descobrindo o problema, está reavaliando um fornecedor. Ele já gastou dinheiro, já se frustrou e chega comparando. Espere mais rodadas de conversa antes do agendamento e meça comparecimento e continuidade, não só volume de lead.