A agência me mostrou prints de resultado no pitch: como eu confirmo que aquele número é real e é da conta dela?
Print de painel no pitch não prova nada sozinho: ele esconde três perguntas separadas (o número existe, veio daquela conta, foi produzido pelo trabalho dela). Veja o que pedir em cada uma, por que dashboard ao vivo também não resolve, e o checklist de 20 minutos para rodar dentro da própria reunião.
Você confirma saindo da imagem: peça acesso somente leitura à conta que gerou o print, o histórico de alterações com o e-mail de quem operou, a fatura que mostra quem pagou, e cruze o número com a sua agenda. Print é ilustração, não evidência.
- O acesso que você precisa pedir não dá poder de estragar nada. A Ajuda do Google Ads descreve o nível "Somente leitura" como quem pode "Visualizar campanhas e usar ferramentas de planejamento", ou seja, o dono da clínica audita a conta inteira sem conseguir alterar uma campanha sequer, o que derruba a desculpa de que dar acesso é arriscado.
- A autoria do trabalho fica registrada, e o print não carrega esse registro. Segundo a Ajuda do Google Ads, o histórico de alterações "lista as mudanças feitas na sua conta, campanhas e grupos de anúncios nos últimos 2 anos", e a coluna "Usuário" mostra o endereço de e-mail de quem fez a alteração quando ela ocorreu na interface do Google Ads.
- O mesmo funil vira números muito diferentes conforme o denominador. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), mas entre os leads que respondem à clínica a mediana entre clínicas é de 21% (faixa típica de 16% a 28%). Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- O que um print de painel prova (a resposta honesta é: nada)
- As três perguntas separadas escondidas em um print só
- Pergunta 1: peça acesso somente leitura à conta que gerou o print
- Pergunta 2: o histórico de alterações é o registro de autoria que o print não tem
- O histórico do Analytics como contraprova do rastreamento
- Por que dashboard "ao vivo" também não prova a origem
- Biblioteca de Anúncios da Meta: a checagem que você faz sozinho, de graça
- Pergunta 3, parte A: cruze o print com o dinheiro
- Pergunta 3, parte B: cruze o print com a sua agenda
- A métrica trocada: o que o painel está chamando de "conversão"
- A janela recortada: o print sempre é do melhor mês
- Print de case de outra clínica: o que pedir no lugar da imagem
- Atribuição: o resultado é do trabalho dela ou do que já existia?
- O teste da chamada ao vivo: mude a métrica na frente dele
- Quando o print mostra paciente ou "antes e depois": a norma vira teste de competência
- Calibragem de plausibilidade: contra que faixas comparar o número
- Red flags: quando parar de auditar e simplesmente sair
- O que colocar no contrato antes de assinar
- Checklist de 20 minutos para rodar dentro da própria reunião de pitch
- Já contratei e o relatório mensal não bate com a minha agenda
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"A agência me mostrou prints de resultado no pitch. Como eu confirmo que aquele número é real e é da conta dela?"
O slide passa rápido. Um print de painel, um número grande, e a frase "esse é o resultado de um cliente nosso".
Você não tem como conferir ali, naquele minuto, na frente de todo mundo. E é exatamente por isso que o print está no slide.
A boa notícia: a auditoria não é difícil, é só que ela não acontece na imagem. Ela acontece na conta que gerou o número, e o acesso para isso já existe pronto nas plataformas. A Ajuda do Google Ads descreve o nível "Somente leitura" como quem pode "Visualizar campanhas e usar ferramentas de planejamento", ou seja, dá para auditar tudo sem poder alterar nada.
Neste guia você vai ver:
- Por que um print não prova nada, técnica e juridicamente
- As três perguntas diferentes que estão escondidas dentro do mesmo print
- O que pedir em cada uma delas (acesso, histórico, fatura, agenda)
- Por que dashboard "ao vivo" também não resolve a origem
- O checklist de 20 minutos para rodar dentro da própria reunião de pitch
O que um print de painel prova (a resposta honesta é: nada)
Um print é um arquivo de imagem. Ele não carrega assinatura digital, não carrega cadeia de custódia e não carrega nenhum metadado que ligue aquela tela a uma conta específica.
Qualquer pessoa com o inspetor do navegador aberto troca um número na tela em menos tempo do que leva para pedir um café. Depois é só apertar print.
Isso não significa que a agência à sua frente está mentindo. Significa que o print, por construção, não é o lugar onde a verdade pode ser conferida.
Pensa assim: o print é a foto de um recibo. Pode ser a foto de um recibo verdadeiro. Mas quem decide se o pagamento aconteceu é o extrato, não a foto.
Lembre: a obrigação de provar é de quem afirma. Você não está sendo desconfiado ao pedir a evidência de origem. Está pedindo exatamente o que a plataforma já oferece de graça.
As três perguntas separadas escondidas em um print só
Aqui está o erro que trava quase toda conversa de pitch: o dono da clínica trata "esse número é real?" como uma pergunta única. São três, e cada uma se resolve com uma evidência diferente.
- O número existe? Alguém, em algum lugar, mediu isso de verdade.
- O número veio daquela conta? É a conta do cliente que ela diz ser, no período que ela diz ser.
- O número foi produzido pelo trabalho dela? A performance é consequência da operação da agência, não de algo que já existia antes.
Uma agência pode passar na primeira, passar na segunda e reprovar feio na terceira. É o caso mais comum, e o mais caro.
| Pergunta | O print prova? | O que resolve |
|---|---|---|
| O número existe | Não | Acesso somente leitura à conta ou export nativo com filtros visíveis |
| Veio daquela conta | Não | Histórico de alterações com e-mail do operador, fatura da plataforma, Biblioteca de Anúncios |
| É fruto do trabalho dela | Não | Linha de base antes do contrato, corte de tráfego de marca, referência contatável |
Repare que nenhuma linha da tabela tem "sim" na coluna do print. É essa a tese do guia inteiro.
Pergunta 1: peça acesso somente leitura à conta que gerou o print
O pedido é simples e a resposta a ele diz mais do que o print.
No Google Ads, o nível "Somente leitura" existe justamente para essa situação. A documentação oficial descreve esse nível como quem pode "Visualizar campanhas e usar ferramentas de planejamento", com acesso a informações de faturamento e a relatórios de performance da campanha. O que ele não faz: editar campanha, mexer em verba, alterar conversão.
Ou seja, o argumento "não posso dar acesso porque você pode quebrar alguma coisa" não se sustenta. O nível de acesso que você está pedindo não permite quebrar nada.
No Meta, a lógica é parecida, com permissões atribuídas por tarefa dentro do gerenciador de negócios. O dono pode receber permissão de análise de desempenho de uma conta de anúncios sem receber permissão de edição, e a agência entra como parceiro em vez de dona do ativo.
Mas tem um detalhe importante: se o print é de outro cliente, o acesso não depende só da agência. Depende do dono daquela clínica. Nesse caso, o pedido correto muda de forma, e a gente volta nisso na seção sobre case de terceiro.
Pergunta 2: o histórico de alterações é o registro de autoria que o print não tem
Essa é a evidência mais subestimada de todas, e é a que separa "a conta existe" de "a agência operou a conta".
Segundo a Ajuda do Google Ads, o histórico de alterações "é uma ferramenta que lista as mudanças feitas na sua conta, campanhas e grupos de anúncios nos últimos 2 anos". Dados com mais de 2 anos não ficam disponíveis, o que por si só já define até onde dá para auditar.
E tem a parte que interessa para autoria. A mesma página explica que a coluna "Usuário" mostra o endereço de e-mail da pessoa que fez a alteração se ela ocorreu na interface do Google Ads.
Leia de novo. O e-mail de quem mexeu.
O que olhar quando abrir esse histórico:
- De que domínio é o e-mail que aparece. Se a agência diz que opera a conta há dois anos e o e-mail dela aparece só nos últimos meses, a conversa mudou.
- Quando começa o registro dela. O primeiro dia em que aquele e-mail aparece é a data real de início da operação, não a data do contrato.
- Qual a densidade das alterações. Conta com resultado costuma ter histórico de trabalho contínuo. Conta parada com número bonito é sinal de que o número vem de outro lugar.
- Se as mudanças foram por interface, por API ou automáticas. A página distingue alterações do sistema e de ferramentas via API, então ajustes automáticos não devem ser lidos como trabalho humano.
Esse é o ponto onde print e realidade se separam de forma limpa. O print mostra o resultado. O histórico mostra quem trabalhou para ele.
O histórico do Analytics como contraprova do rastreamento
Tem uma pergunta que o histórico do gerenciador de anúncios não responde: quem configurou a conversão que o print exibe?
Porque o número do painel depende inteiramente da definição do evento. Se alguém criou uma conversão chamada "Lead" que dispara no clique de um botão, o painel vai contar cliques e chamar isso de lead para sempre.
Peça acesso de leitura ao Analytics da mesma conta. No Google Analytics 4, a função "Leitor" é descrita pela Ajuda do Google Analytics como quem "Pode ver configurações e dados, alterar os dados que aparecem nos relatórios, por exemplo, adicionar comparações e uma dimensão secundária, ver os recursos compartilhados na interface do usuário ou APIs". É o nível suficiente para conferir sem risco de quebrar o rastreamento de ninguém.
Com esse acesso você consulta as configurações de evento e de conversão, vê o que de fato está sendo contado, e compara com o rótulo que apareceu no slide. O Analytics também mantém, segundo a Ajuda do Google Analytics, "um registro das mudanças feitas em uma conta nos últimos dois anos", e a mesma página avisa que você "precisa ter função de editor para conferir o histórico de alterações de uma conta ou propriedade do Google Analytics". Ou seja, esse pedido específico é um degrau acima do "Leitor": peça junto, e não se surpreenda se for esse o pedido que a agência tenta empurrar para depois.
O que isso significa na prática: você deixa de auditar o número e passa a auditar a definição do número. É onde quase todo desvio nasce.
Por que dashboard "ao vivo" também não prova a origem
A resposta mais comum quando você questiona um print é: "eu te mando um dashboard ao vivo, que atualiza sozinho".
Parece definitivo. Não é.
A documentação do Looker Studio explica que a fonte de dados configurada com as credenciais do proprietário serve para o caso em que você quer "que outras pessoas acessem ou criem relatórios que usam esses dados sem que elas precisem ter acesso particular ao conjunto de dados".
Traduzindo para a sua reunião: o relatório pode mostrar dados reais, atualizados, de uma conta à qual você nunca terá acesso e cuja identidade não aparece em lugar nenhum do painel.
Um dashboard ao vivo prova que existe uma fonte de dados conectada. Não prova de qual conta ela puxa, nem quais filtros estão embutidos na consulta.
O que resolve, em ordem de força:
- Acesso somente leitura à conta de origem (o padrão-ouro).
- Export nativo gerado dentro da plataforma, com conta, período e filtros visíveis no próprio arquivo.
- Compartilhamento de tela ao vivo, com você dirigindo os cliques.
- Dashboard conectado (útil para acompanhar, fraco para provar origem).
Biblioteca de Anúncios da Meta: a checagem que você faz sozinho, de graça
Essa é a única verificação desta lista que não depende de a agência querer colaborar.
A Biblioteca de Anúncios da Meta é a ferramenta pública de transparência da plataforma, e o próprio centro de transparência da empresa descreve que qualquer pessoa pode pesquisar todos os anúncios ativos veiculados nos produtos da Meta. Você busca a Página da clínica que apareceu no case e vê os anúncios que ela tem veiculando naquele momento, com criativo e data de início.
É rápido, é anônimo e é gratuito. Dá para fazer enquanto a apresentação ainda está rolando.
O que ela confirma:
- Que aquela clínica de fato anuncia.
- Desde quando aquele criativo específico está no ar.
- Se o volume e o estilo dos anúncios batem com a história contada no pitch.
O que ela não confirma, e é honesto dizer:
- Quanto foi gasto.
- Qual foi o resultado.
- Quem operou a conta.
Veja como usar isso direito: a biblioteca não é prova de resultado, é teste de coerência. Se a agência mostra um case de crescimento em andamento e a Página do cliente não tem nenhum anúncio ativo, você não descobriu uma fraude, descobriu uma pergunta obrigatória para fazer em voz alta.
Pergunta 3, parte A: cruze o print com o dinheiro
Número de painel vive ao lado de um número que não mente com a mesma facilidade: o gasto.
Peça as transações e a fatura da plataforma referentes ao mesmo período do print. Nelas aparece a conta, o método de pagamento e o valor. Três coisas que a imagem não tem.
Depois faça a pergunta que quase ninguém faz no pitch: quem é o pagador da conta que gerou aquele resultado?
- Se a verba passa pelo cartão da clínica, direto na plataforma, o cliente tem acesso à própria fatura e o número é auditável por ele a qualquer momento.
- Se a verba passa pelo cartão da agência e é repassada, o cliente depende do relatório dela para saber quanto foi investido de fato, e aí o print vira a única versão existente da história.
Essa diferença muda a natureza da relação inteira, inclusive a margem embutida. Vale entender antes de assinar: quem paga o Google e o Meta, você ou a agência.
Pergunta 3, parte B: cruze o print com a sua agenda
O painel conta evento. A clínica conta paciente. Não são a mesma unidade, e a distância entre as duas é onde mora a maior parte da frustração com agência.
Lead no painel não é paciente na cadeira. Entre um e outro existem pelo menos três filtros: o lead responde, o lead agenda, o lead comparece.
Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.
O exercício de conferência é direto:
- Pegue o período do print.
- Exporte os leads daquele período do CRM ou do WhatsApp.
- Deduplique por telefone, porque o mesmo paciente costuma entrar por mais de um anúncio.
- Cruze com a agenda: quantos viraram consulta marcada e quantos apareceram.
Se a agência apresenta um case, peça que o dono daquela clínica confirme o número de agendamentos e comparecimentos, não o de leads. É o número que dói e por isso é o número honesto.
A métrica trocada: o que o painel está chamando de "conversão"
Esta seção vale mais do que todas as outras juntas para quem já tem agência contratada. Na maioria dos casos que parecem fraude, o problema é definição.
| O que aparece no print | O que pode ter sido contado | Como conferir |
|---|---|---|
| "Conversões" | Clique no botão de WhatsApp, sem nenhuma conversa iniciada | Abrir a ação de conversão e ver a origem do evento |
| "Leads" | Mesma pessoa contada em várias campanhas | Exportar e deduplicar por telefone |
| "Conversões" importadas | Importação offline sem identificação do paciente | Pedir o arquivo de importação e conferir a chave usada |
| Total inflado sem motivo | Contagem configurada como "todas" em vez de "uma" por clique | Conferir a configuração de contagem da ação |
| Resultado altíssimo em um mês | Janela de conversão longa acumulando meses anteriores | Conferir a janela configurada e refazer o corte |
A pergunta que resolve todas as linhas dessa tabela é sempre a mesma: qual é o numerador e qual é o denominador?
Se a agência não responde isso de cabeça, ela não auditou o próprio relatório. E relatório não auditado por dentro não vira compromisso de resultado, vira apresentação.
A janela recortada: o print sempre é do melhor mês
Nenhuma agência coloca o pior mês no slide. Isso não é desonestidade, é apresentação comercial. O problema começa quando o melhor mês é apresentado como o padrão.
Os recortes que mais aparecem:
- Mês de pico isolado, sem a série que mostra o antes e o depois.
- Comparação contra uma base artificialmente ruim, tipo comparar dezembro cheio contra um janeiro em que a campanha ficou parada.
- Moeda ou fuso trocados, que mudam o valor e o corte do dia sem mudar nada da realidade.
- Período sem data visível no canto da tela, que é a forma mais barata de impedir a conferência.
O pedido que desarma todos eles é um só: peça a série contínua, mesma conta, mesma métrica, mesmo filtro, mês a mês, com o seletor de período aparecendo na imagem ou no export.
Série contínua é chata de maquiar. Mês isolado é fácil. Por isso a série é o que você pede.
Print de case de outra clínica: o que pedir no lugar da imagem
Aqui existe uma trava real, e ela não é má-fé: o número daquele print pertence a um terceiro.
Muitos contratos de agência têm cláusula de confidencialidade. Mesmo sem cláusula, expor dado de faturamento e de volume de pacientes de um cliente sem autorização é um problema que você não quer que a sua futura agência trate como detalhe.
Então inverta o pedido. Em vez de exigir a evidência que ela não pode entregar, peça a que ela pode:
- Referência contatável. O nome e o contato de um dono de clínica atendido por ela, com autorização para você ligar.
- Case com o cliente presente. Uma call de 20 minutos com você, a agência e o cliente dela juntos, com o painel na tela.
- Conta demonstrativa própria. Muitas agências têm conta própria ou projeto próprio que podem abrir sem constrangimento.
E quando conseguir a ligação, não pergunte se a agência é boa. Pergunte três coisas concretas:
- Quantos agendamentos e comparecimentos por mês antes e depois.
- Quanto tempo levou até o primeiro resultado que mudou a agenda.
- O que deu errado e como foi resolvido.
A terceira pergunta é a que mais revela. Cliente satisfeito de verdade tem uma história de problema resolvido, e conta ela sem hesitar.
Vale lembrar também que case de porte e cidade diferentes prova menos do que parece.
Leia também: o case que a agência mostrou é de outra clínica e de outra cidade: isso prova algo?
Atribuição: o resultado é do trabalho dela ou do que já existia?
Suponha que você validou tudo. A conta é real, o histórico mostra o e-mail da agência, a fatura bate, o cliente confirma o volume.
Ainda falta a pergunta mais difícil.
Aquele crescimento veio do trabalho de mídia ou veio de coisas que já estavam lá? Clínica com marca forte na cidade recebe volume que não depende de anúncio nenhum:
- Busca pelo nome da clínica (tráfego de marca), que aparece como conversão barata no painel e seria convertida de qualquer jeito.
- Indicação de paciente, que muitas vezes entra pelo WhatsApp e é contabilizada como lead da campanha.
- Perfil no Google Business Profile, que gera ligação e rota sem passar por mídia paga.
- Retomada de base antiga, que produz agendamento imediato e não tem relação com aquisição.
O corte honesto é perguntar pela linha de base: qual era o volume de agendamento mensal antes da agência entrar, e quanto dele vinha de marca e indicação. Se o case não separa isso, ele não é um case de aquisição, é um relatório de operação.
Nenhuma agência séria vai se ofender com essa pergunta. Ela é a mesma que a agência deveria estar se fazendo internamente.
O teste da chamada ao vivo: mude a métrica na frente dele
Esse é o teste mais rápido e o mais difícil de burlar. Ele cabe dentro da própria reunião.
Peça para abrir a plataforma na tela, agora, e conduza você os passos:
- Abra a conta, com o nome e o identificador da conta visíveis no topo.
- Dê refresh na página, para garantir que não é uma tela estática.
- Mude o período para uma janela que você escolhe na hora, não a que estava preparada.
- Troque a métrica da coluna, por exemplo de conversões para custo por conversão.
- Abra o histórico de alterações e olhe os e-mails da coluna "Usuário".
- Abra a ação de conversão e leia a definição dela em voz alta.
Print editado não sobrevive a um filtro que ninguém previu. Dashboard com filtro embutido não sobrevive a uma troca de métrica. E conta emprestada não sobrevive ao histórico de alterações.
Uma ressalva justa: recusar compartilhamento de tela de conta de terceiro na hora pode ser respeito a contrato, não evasão. O que não tem desculpa é recusar a demonstração em qualquer conta, inclusive a própria.
Quando o print mostra paciente ou "antes e depois": a norma vira teste de competência
Tem um tipo de print que te dá informação antes mesmo de você auditar o número: o print de campanha com imagem de paciente.
A Resolução CFO-196/2019 trata da divulgação de autorretratos e de imagens de diagnóstico e de conclusão de procedimento. A divulgação dessas imagens é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. Pessoa jurídica, ou seja, a clínica, não está autorizada a essa divulgação.
Para você, que é dono e opera como PJ, isso importa duas vezes.
Primeiro porque a peça publicada em nome da clínica tem regra diferente da peça publicada no perfil do profissional que executou. Segundo porque a agência que monta um slide comercial com imagem de conclusão de procedimento atribuída a uma clínica está te mostrando, de graça, que não leu a norma do setor em que diz ser especialista.
Dica: faça essa pergunta no pitch, sem acusar. "Como vocês tratam imagem de antes e depois dentro da regra do CFO?" A resposta separa quem conhece o nicho de quem conhece o Meta.
Calibragem de plausibilidade: contra que faixas comparar o número
Número fora do esperado não é mentira automática. É pedido de explicação.
Para calibrar, você precisa de referência do seu próprio setor, e precisa saber sobre qual denominador ela foi medida.
Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Agora o mesmo funil, medido com outro denominador. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), entre os leads que respondem à clínica no WhatsApp, a mediana entre clínicas é de 21% que viram agendamento na conversa (faixa típica de 16% a 28%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
É a mesma operação, com a fração medida de dois jeitos.
Lembre: quando um case apresenta uma taxa de conversão muito acima do que você conhece, a primeira hipótese não é fraude. É denominador diferente. Pergunte o número de cima e o número de baixo antes de julgar.
E use a faixa como pergunta, não como veredito. Um resultado muito acima da faixa pode ser real e explicável: ticket diferente, cidade sem concorrência, base de pacientes reativada, campanha de marca já madura.
Red flags: quando parar de auditar e simplesmente sair
Algumas respostas encerram a due diligence. Não porque provam desonestidade, mas porque provam que você nunca vai conseguir medir nada depois de assinar.
- Só PDF montado internamente. Documento gerado por ela, sem nenhum export nativo da plataforma, nunca.
- Só print, em qualquer circunstância. Nem tela compartilhada, nem conta demonstrativa, nem case com cliente presente.
- "A conta é nossa." A conta de anúncios da sua clínica sendo tratada como ativo da agência é o ponto em que você perde histórico, público e aprendizado ao trocar de fornecedor.
- Acesso negado mesmo depois de assinado. Quem promete acesso no pitch e empurra depois da assinatura já te mostrou o padrão de comportamento.
- Estrutura de gerenciador sem contrapartida. Operar a sua conta a partir do gerenciador dela é normal. A conta ser propriedade dela, sem cláusula de transferência, não é.
- Recusa de referência contatável. Agência com clientes satisfeitos tem fila de gente disposta a falar bem dela.
- Irritação com a pergunta. A reação a "posso ver a conta?" é o dado mais barato que você coleta na reunião inteira.
O que colocar no contrato antes de assinar
Auditar o pitch resolve o presente. O contrato resolve os próximos doze meses.
Quatro cláusulas fazem o trabalho pesado:
- Propriedade da conta. As contas de anúncios, o pixel, a propriedade de Analytics e o perfil no Google Business Profile ficam no CNPJ da clínica. A agência acessa como parceira.
- Acesso somente leitura permanente para o dono. Não "mediante solicitação". Permanente, desde o primeiro dia, com o e-mail do responsável nomeado no contrato.
- Entrega de export nativo. Relatório mensal acompanhado do export gerado dentro da plataforma, com conta, período e filtros visíveis, e não apenas o PDF de apresentação.
- Saída sem retenção de ativo. No encerramento, a agência remove os próprios acessos e não leva conta, histórico, público personalizado ou criativo produzido durante o contrato.
Essas quatro linhas transformam auditoria em rotina, em vez de crise. O restante do que precisa estar no documento está em o que deve constar no contrato com a agência de marketing.
Checklist de 20 minutos para rodar dentro da própria reunião de pitch
Reserve cerca de 20 minutos do encontro e rode na ordem. Você não precisa de nenhum conhecimento técnico.
- Anote o número exato do print, a métrica e o período que aparece na tela.
- Pergunte a definição da métrica: qual evento dispara e o que conta como uma unidade.
- Pergunte o denominador: o número de cima e o número de baixo daquela taxa.
- Peça o compartilhamento de tela ao vivo, com refresh na sua frente.
- Peça a troca do período para uma janela que você escolhe na hora.
- Peça a troca da métrica na coluna.
- Peça o histórico de alterações e olhe os e-mails da coluna "Usuário".
- Pergunte quem paga a plataforma, a agência ou o cliente.
- Abra a Biblioteca de Anúncios da Meta no seu celular e busque a Página daquele cliente.
- Peça uma referência contatável, com autorização para você ligar.
- Pergunte qual era a linha de base de agendamentos antes do contrato começar.
- Pergunte como eles tratam imagem de antes e depois dentro da regra do CFO.
Não é preciso passar em todos os doze. O que você está medindo é a postura diante do pedido, e ela aparece nos três primeiros.
Já contratei e o relatório mensal não bate com a minha agenda
Esse caso é diferente do pitch. Aqui você tem contrato, tem acesso possível e tem a sua própria agenda como contraprova.
Faça na ordem, e sem acusação na primeira rodada:
- Peça a definição escrita de cada métrica do relatório. Só isso resolve boa parte das divergências.
- Peça o export nativo do mesmo período, com filtro e janela visíveis, e não o PDF montado.
- Deduplique os leads por telefone e compare com o seu CRM, não com a sua memória.
- Separe agendado de comparecido. Muito relatório para no agendamento, que é onde o número ainda é bonito.
- Olhe o histórico de alterações do período em que o número mudou de patamar. Mudança grande sem trabalho registrado pede explicação.
- Marque uma reunião de reconciliação com o painel e o seu CRM abertos lado a lado, na mesma tela.
Se depois disso os números continuarem sem bater e sem explicação, aí sim você tem um problema de confiança, não de definição. O passo a passo de como auditar o número de um case está detalhado em como validar se o número do print de painel é real.
Seu próximo passo
- Rode o checklist de 20 minutos na próxima reunião. Comece pelos três primeiros itens: métrica, denominador e tela ao vivo. A postura diante desses três já te diz quase tudo.
- Exija as quatro cláusulas antes de assinar. Propriedade da conta no seu CNPJ, acesso somente leitura permanente, export nativo mensal e saída sem retenção de ativo.
- Defina a sua régua de resultado agora. Escreva quantos agendamentos e quantos comparecimentos por mês fazem o contrato valer a pena, e transforme isso na métrica que o relatório precisa responder todo mês.
Quer ver o funil da sua clínica medido do anúncio até o comparecimento, com acesso aberto à conta desde o primeiro dia? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Posso pedir acesso à conta de anúncios antes de assinar contrato?
Pode, e é um pedido padrão. Se o print é de uma conta que a agência opera para outro cliente, o acesso depende da autorização daquele cliente, então o caminho realista é pedir uma referência contatável. Se o print é de uma conta da própria agência, ou de uma conta demonstrativa, ela pode dar acesso somente leitura na hora.
Print de painel prova alguma coisa?
Prova que alguém montou aquela tela. Nada mais. A imagem não carrega assinatura, não carrega origem verificável e é editável em minutos com o inspetor do navegador. Ela é útil como ilustração de um dado que mora em outro lugar, e a auditoria acontece nesse outro lugar, não na imagem.
O que é acesso somente leitura no Google Ads?
É um dos níveis de acesso da conta. A Ajuda do Google Ads o descreve como quem pode "Visualizar campanhas e usar ferramentas de planejamento", além de acessar informações de faturamento e gerar relatórios de performance. Quem tem esse nível não edita campanha, não muda verba e não mexe em conversão.
Como eu confiro sozinho se a agência veicula anúncio para aquele cliente?
Pela Biblioteca de Anúncios da Meta, a ferramenta pública de transparência da plataforma. Você busca a Página da clínica e vê os anúncios que ela tem no ar. A checagem é gratuita, não depende da agência e não precisa de acesso a conta nenhuma. Ela confirma veiculação, não confirma resultado nem gasto.
Dashboard ao vivo resolve o problema do print?
Resolve menos do que parece. No Looker Studio, a fonte de dados configurada com as credenciais do proprietário existe justamente para que "outras pessoas acessem ou criem relatórios que usam esses dados sem que elas precisem ter acesso particular ao conjunto de dados". O painel atualiza sozinho e continua sem provar de qual conta o número saiu.
Já contratei e o relatório mensal não bate com a minha agenda. Por onde começo?
Comece pelo denominador e pelo período, não pela acusação. Peça a definição exata da métrica do relatório (o que conta como conversão), o export nativo da plataforma com o filtro e a janela visíveis, e compare com o seu CRM por telefone deduplicado. Na maioria das vezes o problema é definição, não fraude.