Escolher Agência

Como exigir que a agência reporte por unidade e por procedimento, não só o total da clínica?

O total da clínica esconde a unidade que trava e o procedimento que não se paga. Veja como exigir o recorte por unidade e por procedimento: estrutura de conta, UTM, conversão off-line, a tabela mínima do relatório, janela de atribuição, LGPD e a cláusula que vai no contrato.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 26 de setembro de 2026 · 20 min de leitura
TL;DR

Você exige o recorte colocando no contrato um anexo com a tabela unidade x procedimento e a fonte de cada número, a conta montada por unidade e procedimento desde o anúncio e a conversão off-line devolvendo à plataforma o que aconteceu na sua agenda.

Pontos-chave
  • O total esconde a unidade que trava. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) de 20% a 50% dos agendados comparecem, uma faixa da operação: só o recorte por unidade mostra em que ponta dessa faixa cada endereço da sua rede está.
  • O recorte nasce no clique, não na planilha. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a plataforma atribui um ID exclusivo (GCLID) a cada clique em anúncio que leva ao site, e a orientação é salvar esse ID com as informações do lead e enviá-lo de volta com a conversão off-line, o que liga agendamento e fechamento à campanha de cada unidade e procedimento.
  • Procedimento precisa de valor próprio. A Central de Ajuda do Google Ads orienta usar valores diferentes para cada conversão quando você oferece serviços com faixas de preços distintas: é isso que impede a conta de otimizar pelo lead mais barato em vez da avaliação de implante.

Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Por que o total da clínica esconde o problema?
  4. As duas chaves do recorte: unidade e procedimento
  5. Como montar a conta para o recorte existir
  6. Segmentação geográfica: o que ela resolve e o que não resolve
  7. Metas por campanha e valor de conversão por procedimento
  8. Como fechar o ciclo entre o anúncio e a sua agenda
  9. A tabela mínima que o relatório tem que ter
  10. Quem preenche o quê (e por que as definições vão por escrito)
  11. Qual janela de atribuição o relatório precisa declarar?
  12. Célula pequena: quando o recorte vira ruído
  13. Onde o orçamento morre: comparecimento e aceitação por unidade
  14. LGPD: o que a clínica pode compartilhar com a agência
  15. Como colocar a exigência no contrato
  16. Sinais de que a agência não consegue entregar o recorte
  17. Que decisões o recorte destrava
  18. Periodicidade e formato do relatório
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"Como exigir que a agência reporte por unidade e por procedimento, não só o total da clínica?"

O relatório chega bonito. Custo por lead dentro da meta, volume subindo, gráfico verde.

Mas uma das suas unidades está com a agenda de avaliação vazia. E o implante, que devia pagar a conta, você nem sabe quanto custa por paciente.

O total da clínica é uma média. E média esconde exatamente o que você precisa ver: a unidade que trava e o procedimento que não se paga.

A resposta curta: você não "pede" esse recorte no fim do mês. Você exige no contrato, com um anexo que define a tabela unidade x procedimento, a fonte de cada número e o prazo, e exige que a conta seja montada por unidade e procedimento desde o anúncio. Sem isso, nenhuma planilha consegue separar depois.

Neste guia você vai ver:

  • Por que o número consolidado mascara a unidade fraca (e o paradoxo que explica isso)
  • Como a conta, a UTM e a segmentação precisam ser montadas para o recorte existir
  • Como fechar o ciclo entre anúncio e agenda com conversão off-line
  • A tabela mínima do relatório, quem preenche cada coluna e qual janela declarar
  • LGPD, cláusula de contrato, sinais de alerta e as decisões que o recorte destrava

Por que o total da clínica esconde o problema?

Pensa assim: se uma unidade vai muito bem e outra vai mal, o total fica "ok". O "ok" é a média de um problema com um acerto.

O caso mais traiçoeiro tem nome em estatística: paradoxo de Simpson. É quando o total aponta numa direção e cada parte aponta na direção contrária, só porque a mistura mudou.

Veja como acontece numa rede com duas unidades. Exemplo hipotético, números ilustrativos:

Unidade Mês 1 (custo por paciente na cadeira) Mês 2 (custo por paciente na cadeira) O que aconteceu
Unidade A R$ 200 (R$ 10 mil, 50 pacientes) R$ 250 (R$ 30 mil, 120 pacientes) Piorou 25%
Unidade B R$ 500 (R$ 30 mil, 60 pacientes) R$ 625 (R$ 10 mil, 16 pacientes) Piorou 25%
Total da rede R$ 364 (R$ 40 mil, 110 pacientes) R$ 294 (R$ 40 mil, 136 pacientes) "Melhorou" cerca de 19%

Nesse exemplo, as duas unidades ficaram mais caras. O total ficou mais barato só porque a verba migrou para a unidade que já era mais eficiente.

Se o relatório mostra só a última linha, a agência comemora uma melhora que não existe. E você não descobre que as duas operações pioraram.

Com procedimento acontece o mesmo. O lead de clínico geral é barato e puxa o custo médio para baixo. A conta parece saudável enquanto a campanha de implante pode estar rodando sem pagar o próprio investimento.

E a variação entre operações não é teoria. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Essa é a mediana entre clínicas, e a faixa típica já mostra que uma operação converte bem mais que a outra com o mesmo tipo de atendimento no WhatsApp. Dentro da sua rede, cada unidade é uma dessas operações.

Lembre: o total responde "a rede vai bem?". O recorte responde "onde eu mexo amanhã?". Só a segunda pergunta gera decisão.

As duas chaves do recorte: unidade e procedimento

Todo número do relatório precisa carregar duas etiquetas. Sem as duas, ele não serve para decidir.

  1. Unidade: onde o paciente vai ser atendido. Não é onde ele mora nem onde viu o anúncio. É o endereço que aparece na agenda.
  2. Procedimento: a linha de tratamento que motivou o contato. Implante, protocolo, ortodontia, alinhador, lente, clínico geral.

Mas tem um detalhe: essas etiquetas precisam nascer no anúncio. Se elas só aparecem na planilha do fim do mês, alguém está adivinhando.

Na prática, cada etiqueta vive em quatro lugares, com o mesmo código:

  • Na campanha (nome e estrutura)
  • Na UTM do link
  • Na mensagem pré-preenchida do WhatsApp
  • No campo do CRM ou da agenda que a recepção preenche

Quando o código é o mesmo nos quatro, o cruzamento é automático. Quando cada um usa um nome, o relatório vira interpretação.

Defina a lista de procedimentos pelo que muda a decisão, não pela tabela de preços inteira. Se protocolo e implante unitário têm público, mensagem e ticket diferentes, eles são duas linhas. Veja como segmentar anúncio por procedimento de alto ticket.

Como montar a conta para o recorte existir

O recorte é consequência de estrutura. Três peças fazem ele funcionar.

1. Campanha ou conjunto por unidade x procedimento

O ideal é cada combinação ter a sua campanha, ou pelo menos o seu conjunto de anúncios (Meta) ou grupo de anúncios (Google).

Só que fragmentar demais divide a verba em pedaços pequenos que a plataforma não consegue otimizar. A regra de bolso é qualitativa:

  • Verba folgada: campanha por unidade x procedimento.
  • Verba curta: campanha por unidade, com o procedimento no nível do conjunto ou grupo.
  • Procedimento de nicho com pouca busca: agrupe por família (reabilitação, estética, ortodontia) e separe só no relatório, via UTM e CRM.

2. Nomenclatura padronizada

Um padrão simples resolve: UNIDADE_PROCEDIMENTO_CANAL_OBJETIVO.

Exemplo de dicionário (os códigos são ilustrativos, defina os seus):

  • Unidades: U01 (Centro), U02 (Zona Sul), U03 (Shopping)
  • Procedimentos: IMPL (implante), PROT (protocolo), ORTO (ortodontia), ALIN (alinhador), LENT (lente), CLIN (clínico geral)
  • Nome da campanha: U02_IMPL_BUSCA_AGENDAMENTO

O dicionário é da clínica. A agência usa, não inventa. Se trocar de agência, o histórico continua legível.

3. UTM com código de unidade e de procedimento

A UTM carrega as etiquetas até o seu site, o seu CRM e o seu painel de análise. É assim que fica:

Parâmetro O que carrega Exemplo
utm_source A plataforma google, meta
utm_medium O tipo de mídia cpc, paid_social
utm_campaign Unidade + procedimento u02-impl
utm_content O criativo ou anúncio video-depoimento-a
utm_term A palavra-chave (busca) implante-dentario-preco
utm_id O ID da campanha o ID que a plataforma gera

Para o anúncio que abre direto no WhatsApp, sem passar pelo site, a UTM não chega a lugar nenhum. Aí a etiqueta vai na mensagem pré-preenchida: "Olá, quero avaliar implante na unidade Zona Sul (U02-IMPL)". A recepção ou a IA de atendimento registra o código no CRM.

Dica: peça à agência o print do dicionário de nomenclatura antes do primeiro anúncio no ar. Se ele não existe, o relatório por unidade também não vai existir.

Segmentação geográfica: o que ela resolve e o que não resolve

Cada unidade precisa da sua área de alcance. Mas a segmentação geográfica tem dois limites que a agência precisa te explicar.

Presença ou interesse. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a opção mais ampla alcança quem está na região e também quem demonstrou interesse por ela. Para clínica, que depende de o paciente chegar fisicamente ao endereço, a opção Presença (quem está ou costuma estar na área) costuma fazer mais sentido. Pergunte qual está marcada em cada campanha.

Raios que se sobrepõem. Duas unidades na mesma cidade disputam o mesmo bairro. Sem regra, a campanha da unidade A paga por pacientes que marcam na unidade B, e o custo cai na conta da unidade errada. Defina qual unidade "ganha" cada zona de conflito, ou exclua a zona de uma das campanhas.

E aqui está o ponto que mais confunde:

O relatório geográfico da plataforma não atribui lead à unidade. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, o local que acionou o anúncio pode ser o local físico do cliente ou o local pelo qual ele demonstrou interesse. Não mostra em qual endereço ele foi agendado.

O paciente que mora perto da unidade A pode preferir a unidade B, que fica perto do trabalho. Só a sua agenda sabe disso. Por isso a unidade do relatório vem do CRM, não do mapa do painel.

Metas por campanha e valor de conversão por procedimento

Se toda campanha otimiza para "lead", a plataforma vai buscar o lead mais barato. E o lead mais barato quase nunca é o de implante.

Duas configurações corrigem isso:

  1. Meta de conversão por campanha. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, cada campanha pode usar metas de conversão selecionadas explicitamente, em vez de herdar as metas padrão da conta. A campanha de implante otimiza para "avaliação de implante agendada", não para qualquer contato.
  2. Valor diferente por procedimento. A Central de Ajuda do Google Ads é direta: se você vende vários produtos com preços diferentes ou oferece serviços com faixas de preços distintas, use valores diferentes para cada conversão.

O que isso significa na prática? A conta passa a enxergar que uma avaliação de protocolo vale mais que uma de clínico geral. E o relatório por procedimento ganha uma coluna de valor, não só de volume.

O valor não precisa ser o preço de tabela. Pode ser um valor relativo que reflita o que cada avaliação costuma gerar para você. O importante é ser coerente entre unidades e estar escrito.

Como fechar o ciclo entre o anúncio e a sua agenda

O painel sabe do clique. A sua agenda sabe do comparecimento e do orçamento aprovado. O recorte por unidade e procedimento só fica completo quando essas duas pontas se encontram.

No Google: GCLID e conversões otimizadas para leads

Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a plataforma atribui IDs exclusivos, chamados ID de clique do Google (GCLID), a cada clique em um anúncio que leva ao seu site.

A orientação é salvar esse ID com as informações do lead. Depois, quando a conversão off-line acontece, você envia o GCLID de volta ao Google Ads com o tipo de conversão e a data em que ela aconteceu.

Existe também uma versão mais nova do mesmo mecanismo. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, as conversões otimizadas para leads são uma versão atualizada da importação de conversões off-line que usa dados fornecidos pelo usuário, como e-mail, com hash, para atribuir a conversão de volta à campanha. E o Google recomenda continuar enviando o GCLID.

Na Meta: eventos off-line pela API de Conversões

Na Meta, o caminho equivalente é devolver os eventos que acontecem depois do lead (agendou, compareceu, aprovou orçamento) pela API de Conversões, que a própria Meta indica para enviar eventos off-line, com os identificadores do contato com hash.

O fluxo completo, passo a passo

  1. A página captura o GCLID e as UTMs em campos ocultos do formulário.
  2. O CRM guarda esses dados junto com o lead, a unidade e o procedimento.
  3. A recepção ou o CRC marca cada etapa: agendou, compareceu, avaliação feita, orçamento aprovado.
  4. A integração devolve cada etapa à plataforma como conversão off-line, com data e valor.
  5. O relatório lê a mesma base, com o mesmo código de unidade e procedimento.

Repare no passo 3. Sem a clínica marcando a etapa, não existe conversão off-line. Esse é o ponto em que a agência depende de você, e isso tem que estar escrito.

Nota: o anúncio que abre direto no WhatsApp não passa pelo formulário, então não existe campo para guardar o GCLID. Nesse fluxo, a origem vem do código na mensagem pré-preenchida e dos dados que o paciente informa na conversa.

A tabela mínima que o relatório tem que ter

Aqui está o coração da exigência. As linhas são as combinações unidade x procedimento. As colunas acompanham o paciente do anúncio até o orçamento aprovado.

Coluna Definição Quem fornece
Investimento Verba gasta na célula no período Agência (plataforma)
Leads Contatos únicos com unidade e procedimento identificados Agência + CRM
Custo por lead Investimento dividido por leads Agência
Agendamentos Avaliações marcadas no período Clínica (agenda)
Comparecimento Agendados que compareceram, sobre o total de agendados Clínica (agenda)
Avaliações realizadas Consultas de avaliação que aconteceram de fato Clínica
Orçamentos aprovados Orçamentos aceitos, sobre os apresentados (aceitação de orçamento) Clínica (CRC)
Custo por paciente na cadeira Investimento dividido por pacientes que compareceram Calculado
Faturamento atribuído Valor dos orçamentos aprovados de pacientes vindos da campanha Clínica (financeiro)

Três linhas extras fazem diferença:

  • Total por unidade (somando os procedimentos) e total por procedimento (somando as unidades).
  • Não identificado: leads sem unidade ou sem procedimento. O tamanho dessa linha é o termômetro da qualidade do rastreamento.
  • Meta da célula: o custo por paciente na cadeira que você aceita pagar em cada procedimento.

Se a linha "não identificado" cresce, o problema não é de mídia. É de processo: formulário sem campo, mensagem sem código, recepção sem marcar.

Lembre: custo por lead é a primeira coluna, não a última. O relatório que para no custo por lead mede a agência pelo que é mais fácil de ela controlar, não pelo que paga a clínica.

Quem preenche o quê (e por que as definições vão por escrito)

O relatório por unidade junta duas bases que nunca batem sozinhas: a da plataforma e a da sua agenda.

A divisão honesta de responsabilidade é esta:

  1. Dado de mídia é da agência: investimento, impressões, cliques, leads, custo por lead, configuração de UTM e de conversão.
  2. Dado de agenda e fechamento é da clínica: agendamento, comparecimento, avaliação, orçamento aprovado, valor. Quem preenche é a recepção, o CRC ou o sistema de gestão.
  3. O cruzamento é compartilhado: a agência monta, a clínica confere.

Para as duas bases baterem, cada métrica precisa de definição escrita. "Lead" conta o mesmo contato duas vezes? "Agendamento" inclui remarcação? "Comparecimento" é sobre agendados ou sobre leads?

Se cada lado usa uma definição, os números nunca vão fechar, e a reunião vira discussão de planilha. Use um dicionário acordado, como o de definições padrão das métricas do funil odontológico, e anexe ao contrato.

Qual janela de atribuição o relatório precisa declarar?

A mesma campanha, medida com réguas diferentes, gera números diferentes. E comparar unidades medidas com réguas diferentes é comparar nada.

O relatório precisa trazer no cabeçalho duas informações:

  • Janela de atribuição: quantos dias depois do clique (ou da visualização) uma conversão ainda conta para o anúncio.
  • Modelo de atribuição: último clique ou baseado em dados.

Exemplo: se a unidade A é lida numa janela longa e a unidade B numa janela curta, a unidade A parece melhor só pela régua. Exija a mesma janela e o mesmo modelo para todas as unidades, e aviso por escrito quando mudar.

Tem outro detalhe: a conversão off-line chega atrasada. O comparecimento e o orçamento aprovado acontecem dias ou semanas depois do clique.

Por isso o contrato precisa prever uma data de corte e o reprocessamento do mês anterior. O relatório de um mês é atualizado quando os fechamentos daquele mês terminam de entrar.

Célula pequena: quando o recorte vira ruído

O recorte tem um custo: cada célula fica menor. E célula pequena oscila por acaso.

Uma unidade com poucos leads de lente pode ter um mês ótimo e um péssimo sem que nada tenha mudado. Decidir verba em cima disso é jogar moeda.

Três regras protegem a decisão:

  1. Mostre, mas marque. A célula com pouco volume aparece no relatório com o aviso de amostra baixa.
  2. Defina um mínimo por escrito. A metodologia dos benchmarks internos da Odonto Results exige célula mínima de 30 observações (n ≥ 30) para publicar um recorte. Combine a sua régua com a agência antes de olhar os números.
  3. Agregue para decidir. Mês para acompanhar, trimestre para realocar. Ou junte procedimentos da mesma família (implante e protocolo como reabilitação) até ter volume.

O que isso significa na prática? O recorte fino serve para diagnosticar. A decisão de verba usa o recorte agregado.

Onde o orçamento morre: comparecimento e aceitação por unidade

A mídia leva o paciente até a agenda. O que acontece dali para a frente depende de cada unidade: confirmação, recepção, avaliação, apresentação do orçamento.

E essa parte varia muito. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.

Uma faixa larga assim quer dizer que duas unidades da mesma rede podem estar em pontas opostas. A campanha é a mesma. O que muda é a operação local.

Com a aceitação de orçamento é igual. O recorte por unidade e procedimento mostra onde o orçamento morre:

  • Unidade que agenda bem e tem comparecimento baixo: problema de confirmação.
  • Unidade que tem comparecimento bom e poucos orçamentos aprovados: problema de avaliação ou de apresentação.
  • Procedimento com aprovação baixa em todas as unidades: problema de oferta, preço ou público da campanha.

O detalhe por profissional fica dentro da clínica. A agência não precisa (e não deve) ver a taxa de cada dentista. Mas é o recorte por unidade que te diz em qual equipe olhar.

LGPD: o que a clínica pode compartilhar com a agência

O relatório por procedimento chega perto de um dado delicado. Procedimento ligado a uma pessoa identificada é informação de saúde.

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) define, no art. 5º, inciso II, que dado referente à saúde é dado pessoal sensível. E o art. 12 diz que dados anonimizados não são considerados dados pessoais, salvo quando a anonimização for revertida ou puder ser revertida com esforços razoáveis.

Traduzindo para o relatório:

  1. O que a agência recebe: contagens e valores por célula (unidade x procedimento). Sem nome, sem telefone, sem prontuário.
  2. O que volta para as plataformas: o ID do clique e identificadores de contato com hash, pelos mecanismos oficiais de conversão off-line. Hash protege o dado no envio, mas trate-o como dado pessoal, não como dado anônimo.
  3. O que nunca sai do prontuário: diagnóstico, anamnese, plano de tratamento, imagens clínicas.

Nomeie as conversões de forma genérica quando possível e envie só o mínimo que a medição exige. A base legal e o contrato de tratamento de dados com a agência são decisão do seu jurídico ou do encarregado de dados. Este guia não é parecer jurídico.

Como colocar a exigência no contrato

Pedido verbal some na primeira troca de gestor de conta. O recorte precisa estar no contrato ou num aditivo, como anexo.

O anexo mínimo tem estes itens:

  1. Layout do relatório: a tabela unidade x procedimento com as colunas da seção acima.
  2. Dicionário de métricas: a definição de cada coluna, igual para as duas partes.
  3. Fonte de cada número: plataforma, CRM, agenda ou financeiro, escrita ao lado da coluna.
  4. Janela e modelo de atribuição: declarados e fixos, com aviso prévio para mudança.
  5. Prazo de entrega: exemplo: até o quinto dia útil do mês seguinte, com reprocessamento do mês anterior.
  6. Obrigação da clínica: entregar o dado de agenda e fechamento no formato e na data combinados.
  7. Propriedade das contas: conta de anúncio, pixel, gerenciador de conversões e CRM no nome da clínica, com a agência como usuária. Veja por que a conta de anúncio e o pixel têm que ficar com você.
  8. Consequência: relatório fora do layout ou fora do prazo conta como descumprimento do nível de serviço.

O item 6 é o que a maioria dos donos esquece. A agência não consegue reportar comparecimento se ninguém da sua recepção marca o comparecimento.

Sinais de que a agência não consegue entregar o recorte

Antes de assinar (ou na próxima reunião), observe estes sinais:

  • O relatório é print do painel, sem base cruzada com a sua agenda. Veja como validar o número quando a agência só mostra print.
  • O único número de resultado é o custo por lead total.
  • Ninguém pergunta como funciona a sua agenda, quem confirma e onde fica o orçamento aprovado.
  • Existe uma campanha para todas as unidades, com nomes que não seguem padrão.
  • A agência não sabe explicar conversão off-line nem qual janela de atribuição usa.

Antes de continuar, pergunte-se: a agência já pediu acesso ao seu CRM ou a um export da agenda? Se não pediu, ela não está medindo paciente.

Perguntas para testar na reunião

  1. Como vocês vão saber para qual unidade cada lead foi agendado?
  2. Qual foi o custo por paciente na cadeira de implante em cada unidade no último mês?
  3. Que janela e que modelo de atribuição vocês usam, e onde isso aparece no relatório?
  4. Vocês importam conversão off-line? De qual sistema, com que frequência?
  5. O que vocês precisam da minha recepção, em que formato e até que dia?
  6. Em nome de quem ficam a conta de anúncio, o pixel e o gerenciador de conversões?

A resposta boa é específica e vem com exemplo de relatório. A resposta ruim é "a gente consegue sim, depois a gente vê".

Que decisões o recorte destrava

O recorte não é enfeite de relatório. Ele muda o que você faz no mês seguinte.

O que o recorte mostra Decisão que ele destrava
Unidade com custo por paciente na cadeira bem abaixo das outras Realocar verba para ela até o limite de agenda
Procedimento com custo por paciente acima do teto que você definiu Pausar, reduzir ou trocar oferta e criativo
Leads de uma unidade vindo de bairros de outra Ajustar raio e zonas de conflito
Unidade que agenda bem e tem comparecimento baixo Corrigir confirmação e CRC daquela unidade
Procedimento com aprovação baixa em toda a rede Revisar oferta, preço ou público, não só a mídia
Linha "não identificado" grande Corrigir rastreamento antes de qualquer decisão de verba

O teto de custo por paciente é seu, não da agência. Ele sai do ticket e da margem de cada procedimento, e fica escrito como meta da célula.

Periodicidade e formato do relatório

A frequência certa depende da decisão que você quer tomar.

  • Mensal, para acompanhar: tabela completa, comparação contra o mês anterior e contra a meta de cada unidade.
  • Trimestral, para decidir: realocação de verba entre unidades e procedimentos, com o recorte agregado.
  • Sob demanda, para alarme: a agência avisa quando uma célula sai muito da meta, sem esperar o fechamento.

O formato também importa. Peça o dado cru junto com o resumo: a tabela em planilha ou painel que você consegue filtrar, mais um comentário curto da agência com hipóteses e ações para o mês seguinte.

No método Paciente Previsível, o relatório começa na cadeira e volta até o anúncio. A pergunta de todo mês é a mesma: quanto custou cada paciente que compareceu, em cada unidade, em cada procedimento.

Seu próximo passo

  1. Monte o dicionário da clínica. Liste os códigos de unidade e de procedimento e as definições de cada métrica. Esse documento é seu e vale para qualquer agência.
  2. Peça o último mês no layout da tabela mínima. Mande a tabela para a agência atual e veja o que volta. O que ela não conseguir preencher mostra onde falta estrutura de conta, conversão off-line ou processo na recepção.
  3. Leve a exigência para o contrato. Transforme o layout, o prazo, a janela, a obrigação da clínica e a propriedade das contas em anexo, no contrato novo ou num aditivo.

Quer uma operação que reporte custo por paciente na cadeira por unidade e por procedimento, do anúncio ao orçamento aprovado? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Dá para separar o resultado por unidade se a agência roda uma campanha só para todas?

Não de forma confiável. Com uma campanha única, a plataforma distribui a verba onde o lead sai mais barato e não registra para qual unidade o paciente foi agendado. O recorte exige unidade identificada na estrutura da conta, na UTM e no CRM, com o mesmo código nos três lugares.

O relatório geográfico do Google ou da Meta não basta para saber a unidade?

Não basta. O relatório geográfico mostra onde a pessoa estava ou por qual região demonstrou interesse, não em qual unidade ela foi atendida. Quando dois raios se sobrepõem, só a agenda da clínica sabe para qual endereço o paciente marcou.

Posso mandar para a agência a lista de pacientes que fecharam tratamento?

Não é o caminho. Dado referente à saúde é dado pessoal sensível na LGPD, e a agência precisa de contagem por célula, não de nome, diagnóstico ou plano de tratamento. Para devolver conversões às plataformas, use o ID do clique e identificadores com hash, com a base legal definida pelo seu jurídico.

Com que frequência o relatório por unidade e procedimento deve chegar?

Mensal para acompanhar e trimestral para decidir realocação de verba entre unidades. O mês mostra tendência e gargalo operacional, e o trimestre junta volume suficiente para mexer em orçamento sem reagir a ruído de célula pequena.

O que fazer quando uma unidade tem poucos leads de um procedimento?

Mostre a célula, mas não decida com ela. Marque como amostra baixa, agregue no trimestre ou junte procedimentos da mesma família (implante e protocolo, por exemplo) até ter volume para comparar com as outras unidades.

Quem deve ser o dono das contas de anúncio e do CRM?

A clínica. A conta de anúncio, o pixel, o gerenciador de conversões e o CRM ficam no nome da clínica, com a agência como usuária. Sem acesso próprio você não confere o relatório, e o histórico por unidade vai embora junto com a agência.