Como exigir que a agência reporte por unidade e por procedimento, não só o total da clínica?
O total da clínica esconde a unidade que trava e o procedimento que não se paga. Veja como exigir o recorte por unidade e por procedimento: estrutura de conta, UTM, conversão off-line, a tabela mínima do relatório, janela de atribuição, LGPD e a cláusula que vai no contrato.
Você exige o recorte colocando no contrato um anexo com a tabela unidade x procedimento e a fonte de cada número, a conta montada por unidade e procedimento desde o anúncio e a conversão off-line devolvendo à plataforma o que aconteceu na sua agenda.
- O total esconde a unidade que trava. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) de 20% a 50% dos agendados comparecem, uma faixa da operação: só o recorte por unidade mostra em que ponta dessa faixa cada endereço da sua rede está.
- O recorte nasce no clique, não na planilha. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a plataforma atribui um ID exclusivo (GCLID) a cada clique em anúncio que leva ao site, e a orientação é salvar esse ID com as informações do lead e enviá-lo de volta com a conversão off-line, o que liga agendamento e fechamento à campanha de cada unidade e procedimento.
- Procedimento precisa de valor próprio. A Central de Ajuda do Google Ads orienta usar valores diferentes para cada conversão quando você oferece serviços com faixas de preços distintas: é isso que impede a conta de otimizar pelo lead mais barato em vez da avaliação de implante.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Por que o total da clínica esconde o problema?
- As duas chaves do recorte: unidade e procedimento
- Como montar a conta para o recorte existir
- Segmentação geográfica: o que ela resolve e o que não resolve
- Metas por campanha e valor de conversão por procedimento
- Como fechar o ciclo entre o anúncio e a sua agenda
- A tabela mínima que o relatório tem que ter
- Quem preenche o quê (e por que as definições vão por escrito)
- Qual janela de atribuição o relatório precisa declarar?
- Célula pequena: quando o recorte vira ruído
- Onde o orçamento morre: comparecimento e aceitação por unidade
- LGPD: o que a clínica pode compartilhar com a agência
- Como colocar a exigência no contrato
- Sinais de que a agência não consegue entregar o recorte
- Que decisões o recorte destrava
- Periodicidade e formato do relatório
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Como exigir que a agência reporte por unidade e por procedimento, não só o total da clínica?"
O relatório chega bonito. Custo por lead dentro da meta, volume subindo, gráfico verde.
Mas uma das suas unidades está com a agenda de avaliação vazia. E o implante, que devia pagar a conta, você nem sabe quanto custa por paciente.
O total da clínica é uma média. E média esconde exatamente o que você precisa ver: a unidade que trava e o procedimento que não se paga.
A resposta curta: você não "pede" esse recorte no fim do mês. Você exige no contrato, com um anexo que define a tabela unidade x procedimento, a fonte de cada número e o prazo, e exige que a conta seja montada por unidade e procedimento desde o anúncio. Sem isso, nenhuma planilha consegue separar depois.
Neste guia você vai ver:
- Por que o número consolidado mascara a unidade fraca (e o paradoxo que explica isso)
- Como a conta, a UTM e a segmentação precisam ser montadas para o recorte existir
- Como fechar o ciclo entre anúncio e agenda com conversão off-line
- A tabela mínima do relatório, quem preenche cada coluna e qual janela declarar
- LGPD, cláusula de contrato, sinais de alerta e as decisões que o recorte destrava
Por que o total da clínica esconde o problema?
Pensa assim: se uma unidade vai muito bem e outra vai mal, o total fica "ok". O "ok" é a média de um problema com um acerto.
O caso mais traiçoeiro tem nome em estatística: paradoxo de Simpson. É quando o total aponta numa direção e cada parte aponta na direção contrária, só porque a mistura mudou.
Veja como acontece numa rede com duas unidades. Exemplo hipotético, números ilustrativos:
| Unidade | Mês 1 (custo por paciente na cadeira) | Mês 2 (custo por paciente na cadeira) | O que aconteceu |
|---|---|---|---|
| Unidade A | R$ 200 (R$ 10 mil, 50 pacientes) | R$ 250 (R$ 30 mil, 120 pacientes) | Piorou 25% |
| Unidade B | R$ 500 (R$ 30 mil, 60 pacientes) | R$ 625 (R$ 10 mil, 16 pacientes) | Piorou 25% |
| Total da rede | R$ 364 (R$ 40 mil, 110 pacientes) | R$ 294 (R$ 40 mil, 136 pacientes) | "Melhorou" cerca de 19% |
Nesse exemplo, as duas unidades ficaram mais caras. O total ficou mais barato só porque a verba migrou para a unidade que já era mais eficiente.
Se o relatório mostra só a última linha, a agência comemora uma melhora que não existe. E você não descobre que as duas operações pioraram.
Com procedimento acontece o mesmo. O lead de clínico geral é barato e puxa o custo médio para baixo. A conta parece saudável enquanto a campanha de implante pode estar rodando sem pagar o próprio investimento.
E a variação entre operações não é teoria. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Essa é a mediana entre clínicas, e a faixa típica já mostra que uma operação converte bem mais que a outra com o mesmo tipo de atendimento no WhatsApp. Dentro da sua rede, cada unidade é uma dessas operações.
Lembre: o total responde "a rede vai bem?". O recorte responde "onde eu mexo amanhã?". Só a segunda pergunta gera decisão.
As duas chaves do recorte: unidade e procedimento
Todo número do relatório precisa carregar duas etiquetas. Sem as duas, ele não serve para decidir.
- Unidade: onde o paciente vai ser atendido. Não é onde ele mora nem onde viu o anúncio. É o endereço que aparece na agenda.
- Procedimento: a linha de tratamento que motivou o contato. Implante, protocolo, ortodontia, alinhador, lente, clínico geral.
Mas tem um detalhe: essas etiquetas precisam nascer no anúncio. Se elas só aparecem na planilha do fim do mês, alguém está adivinhando.
Na prática, cada etiqueta vive em quatro lugares, com o mesmo código:
- Na campanha (nome e estrutura)
- Na UTM do link
- Na mensagem pré-preenchida do WhatsApp
- No campo do CRM ou da agenda que a recepção preenche
Quando o código é o mesmo nos quatro, o cruzamento é automático. Quando cada um usa um nome, o relatório vira interpretação.
Defina a lista de procedimentos pelo que muda a decisão, não pela tabela de preços inteira. Se protocolo e implante unitário têm público, mensagem e ticket diferentes, eles são duas linhas. Veja como segmentar anúncio por procedimento de alto ticket.
Como montar a conta para o recorte existir
O recorte é consequência de estrutura. Três peças fazem ele funcionar.
1. Campanha ou conjunto por unidade x procedimento
O ideal é cada combinação ter a sua campanha, ou pelo menos o seu conjunto de anúncios (Meta) ou grupo de anúncios (Google).
Só que fragmentar demais divide a verba em pedaços pequenos que a plataforma não consegue otimizar. A regra de bolso é qualitativa:
- Verba folgada: campanha por unidade x procedimento.
- Verba curta: campanha por unidade, com o procedimento no nível do conjunto ou grupo.
- Procedimento de nicho com pouca busca: agrupe por família (reabilitação, estética, ortodontia) e separe só no relatório, via UTM e CRM.
2. Nomenclatura padronizada
Um padrão simples resolve: UNIDADE_PROCEDIMENTO_CANAL_OBJETIVO.
Exemplo de dicionário (os códigos são ilustrativos, defina os seus):
- Unidades: U01 (Centro), U02 (Zona Sul), U03 (Shopping)
- Procedimentos: IMPL (implante), PROT (protocolo), ORTO (ortodontia), ALIN (alinhador), LENT (lente), CLIN (clínico geral)
- Nome da campanha: U02_IMPL_BUSCA_AGENDAMENTO
O dicionário é da clínica. A agência usa, não inventa. Se trocar de agência, o histórico continua legível.
3. UTM com código de unidade e de procedimento
A UTM carrega as etiquetas até o seu site, o seu CRM e o seu painel de análise. É assim que fica:
| Parâmetro | O que carrega | Exemplo |
|---|---|---|
| utm_source | A plataforma | google, meta |
| utm_medium | O tipo de mídia | cpc, paid_social |
| utm_campaign | Unidade + procedimento | u02-impl |
| utm_content | O criativo ou anúncio | video-depoimento-a |
| utm_term | A palavra-chave (busca) | implante-dentario-preco |
| utm_id | O ID da campanha | o ID que a plataforma gera |
Para o anúncio que abre direto no WhatsApp, sem passar pelo site, a UTM não chega a lugar nenhum. Aí a etiqueta vai na mensagem pré-preenchida: "Olá, quero avaliar implante na unidade Zona Sul (U02-IMPL)". A recepção ou a IA de atendimento registra o código no CRM.
Dica: peça à agência o print do dicionário de nomenclatura antes do primeiro anúncio no ar. Se ele não existe, o relatório por unidade também não vai existir.
Segmentação geográfica: o que ela resolve e o que não resolve
Cada unidade precisa da sua área de alcance. Mas a segmentação geográfica tem dois limites que a agência precisa te explicar.
Presença ou interesse. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a opção mais ampla alcança quem está na região e também quem demonstrou interesse por ela. Para clínica, que depende de o paciente chegar fisicamente ao endereço, a opção Presença (quem está ou costuma estar na área) costuma fazer mais sentido. Pergunte qual está marcada em cada campanha.
Raios que se sobrepõem. Duas unidades na mesma cidade disputam o mesmo bairro. Sem regra, a campanha da unidade A paga por pacientes que marcam na unidade B, e o custo cai na conta da unidade errada. Defina qual unidade "ganha" cada zona de conflito, ou exclua a zona de uma das campanhas.
E aqui está o ponto que mais confunde:
O relatório geográfico da plataforma não atribui lead à unidade. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, o local que acionou o anúncio pode ser o local físico do cliente ou o local pelo qual ele demonstrou interesse. Não mostra em qual endereço ele foi agendado.
O paciente que mora perto da unidade A pode preferir a unidade B, que fica perto do trabalho. Só a sua agenda sabe disso. Por isso a unidade do relatório vem do CRM, não do mapa do painel.
Metas por campanha e valor de conversão por procedimento
Se toda campanha otimiza para "lead", a plataforma vai buscar o lead mais barato. E o lead mais barato quase nunca é o de implante.
Duas configurações corrigem isso:
- Meta de conversão por campanha. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, cada campanha pode usar metas de conversão selecionadas explicitamente, em vez de herdar as metas padrão da conta. A campanha de implante otimiza para "avaliação de implante agendada", não para qualquer contato.
- Valor diferente por procedimento. A Central de Ajuda do Google Ads é direta: se você vende vários produtos com preços diferentes ou oferece serviços com faixas de preços distintas, use valores diferentes para cada conversão.
O que isso significa na prática? A conta passa a enxergar que uma avaliação de protocolo vale mais que uma de clínico geral. E o relatório por procedimento ganha uma coluna de valor, não só de volume.
O valor não precisa ser o preço de tabela. Pode ser um valor relativo que reflita o que cada avaliação costuma gerar para você. O importante é ser coerente entre unidades e estar escrito.
Como fechar o ciclo entre o anúncio e a sua agenda
O painel sabe do clique. A sua agenda sabe do comparecimento e do orçamento aprovado. O recorte por unidade e procedimento só fica completo quando essas duas pontas se encontram.
No Google: GCLID e conversões otimizadas para leads
Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, a plataforma atribui IDs exclusivos, chamados ID de clique do Google (GCLID), a cada clique em um anúncio que leva ao seu site.
A orientação é salvar esse ID com as informações do lead. Depois, quando a conversão off-line acontece, você envia o GCLID de volta ao Google Ads com o tipo de conversão e a data em que ela aconteceu.
Existe também uma versão mais nova do mesmo mecanismo. Segundo a Central de Ajuda do Google Ads, as conversões otimizadas para leads são uma versão atualizada da importação de conversões off-line que usa dados fornecidos pelo usuário, como e-mail, com hash, para atribuir a conversão de volta à campanha. E o Google recomenda continuar enviando o GCLID.
Na Meta: eventos off-line pela API de Conversões
Na Meta, o caminho equivalente é devolver os eventos que acontecem depois do lead (agendou, compareceu, aprovou orçamento) pela API de Conversões, que a própria Meta indica para enviar eventos off-line, com os identificadores do contato com hash.
O fluxo completo, passo a passo
- A página captura o GCLID e as UTMs em campos ocultos do formulário.
- O CRM guarda esses dados junto com o lead, a unidade e o procedimento.
- A recepção ou o CRC marca cada etapa: agendou, compareceu, avaliação feita, orçamento aprovado.
- A integração devolve cada etapa à plataforma como conversão off-line, com data e valor.
- O relatório lê a mesma base, com o mesmo código de unidade e procedimento.
Repare no passo 3. Sem a clínica marcando a etapa, não existe conversão off-line. Esse é o ponto em que a agência depende de você, e isso tem que estar escrito.
Nota: o anúncio que abre direto no WhatsApp não passa pelo formulário, então não existe campo para guardar o GCLID. Nesse fluxo, a origem vem do código na mensagem pré-preenchida e dos dados que o paciente informa na conversa.
A tabela mínima que o relatório tem que ter
Aqui está o coração da exigência. As linhas são as combinações unidade x procedimento. As colunas acompanham o paciente do anúncio até o orçamento aprovado.
| Coluna | Definição | Quem fornece |
|---|---|---|
| Investimento | Verba gasta na célula no período | Agência (plataforma) |
| Leads | Contatos únicos com unidade e procedimento identificados | Agência + CRM |
| Custo por lead | Investimento dividido por leads | Agência |
| Agendamentos | Avaliações marcadas no período | Clínica (agenda) |
| Comparecimento | Agendados que compareceram, sobre o total de agendados | Clínica (agenda) |
| Avaliações realizadas | Consultas de avaliação que aconteceram de fato | Clínica |
| Orçamentos aprovados | Orçamentos aceitos, sobre os apresentados (aceitação de orçamento) | Clínica (CRC) |
| Custo por paciente na cadeira | Investimento dividido por pacientes que compareceram | Calculado |
| Faturamento atribuído | Valor dos orçamentos aprovados de pacientes vindos da campanha | Clínica (financeiro) |
Três linhas extras fazem diferença:
- Total por unidade (somando os procedimentos) e total por procedimento (somando as unidades).
- Não identificado: leads sem unidade ou sem procedimento. O tamanho dessa linha é o termômetro da qualidade do rastreamento.
- Meta da célula: o custo por paciente na cadeira que você aceita pagar em cada procedimento.
Se a linha "não identificado" cresce, o problema não é de mídia. É de processo: formulário sem campo, mensagem sem código, recepção sem marcar.
Lembre: custo por lead é a primeira coluna, não a última. O relatório que para no custo por lead mede a agência pelo que é mais fácil de ela controlar, não pelo que paga a clínica.
Quem preenche o quê (e por que as definições vão por escrito)
O relatório por unidade junta duas bases que nunca batem sozinhas: a da plataforma e a da sua agenda.
A divisão honesta de responsabilidade é esta:
- Dado de mídia é da agência: investimento, impressões, cliques, leads, custo por lead, configuração de UTM e de conversão.
- Dado de agenda e fechamento é da clínica: agendamento, comparecimento, avaliação, orçamento aprovado, valor. Quem preenche é a recepção, o CRC ou o sistema de gestão.
- O cruzamento é compartilhado: a agência monta, a clínica confere.
Para as duas bases baterem, cada métrica precisa de definição escrita. "Lead" conta o mesmo contato duas vezes? "Agendamento" inclui remarcação? "Comparecimento" é sobre agendados ou sobre leads?
Se cada lado usa uma definição, os números nunca vão fechar, e a reunião vira discussão de planilha. Use um dicionário acordado, como o de definições padrão das métricas do funil odontológico, e anexe ao contrato.
Qual janela de atribuição o relatório precisa declarar?
A mesma campanha, medida com réguas diferentes, gera números diferentes. E comparar unidades medidas com réguas diferentes é comparar nada.
O relatório precisa trazer no cabeçalho duas informações:
- Janela de atribuição: quantos dias depois do clique (ou da visualização) uma conversão ainda conta para o anúncio.
- Modelo de atribuição: último clique ou baseado em dados.
Exemplo: se a unidade A é lida numa janela longa e a unidade B numa janela curta, a unidade A parece melhor só pela régua. Exija a mesma janela e o mesmo modelo para todas as unidades, e aviso por escrito quando mudar.
Tem outro detalhe: a conversão off-line chega atrasada. O comparecimento e o orçamento aprovado acontecem dias ou semanas depois do clique.
Por isso o contrato precisa prever uma data de corte e o reprocessamento do mês anterior. O relatório de um mês é atualizado quando os fechamentos daquele mês terminam de entrar.
Célula pequena: quando o recorte vira ruído
O recorte tem um custo: cada célula fica menor. E célula pequena oscila por acaso.
Uma unidade com poucos leads de lente pode ter um mês ótimo e um péssimo sem que nada tenha mudado. Decidir verba em cima disso é jogar moeda.
Três regras protegem a decisão:
- Mostre, mas marque. A célula com pouco volume aparece no relatório com o aviso de amostra baixa.
- Defina um mínimo por escrito. A metodologia dos benchmarks internos da Odonto Results exige célula mínima de 30 observações (n ≥ 30) para publicar um recorte. Combine a sua régua com a agência antes de olhar os números.
- Agregue para decidir. Mês para acompanhar, trimestre para realocar. Ou junte procedimentos da mesma família (implante e protocolo como reabilitação) até ter volume.
O que isso significa na prática? O recorte fino serve para diagnosticar. A decisão de verba usa o recorte agregado.
Onde o orçamento morre: comparecimento e aceitação por unidade
A mídia leva o paciente até a agenda. O que acontece dali para a frente depende de cada unidade: confirmação, recepção, avaliação, apresentação do orçamento.
E essa parte varia muito. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.
Uma faixa larga assim quer dizer que duas unidades da mesma rede podem estar em pontas opostas. A campanha é a mesma. O que muda é a operação local.
Com a aceitação de orçamento é igual. O recorte por unidade e procedimento mostra onde o orçamento morre:
- Unidade que agenda bem e tem comparecimento baixo: problema de confirmação.
- Unidade que tem comparecimento bom e poucos orçamentos aprovados: problema de avaliação ou de apresentação.
- Procedimento com aprovação baixa em todas as unidades: problema de oferta, preço ou público da campanha.
O detalhe por profissional fica dentro da clínica. A agência não precisa (e não deve) ver a taxa de cada dentista. Mas é o recorte por unidade que te diz em qual equipe olhar.
LGPD: o que a clínica pode compartilhar com a agência
O relatório por procedimento chega perto de um dado delicado. Procedimento ligado a uma pessoa identificada é informação de saúde.
A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) define, no art. 5º, inciso II, que dado referente à saúde é dado pessoal sensível. E o art. 12 diz que dados anonimizados não são considerados dados pessoais, salvo quando a anonimização for revertida ou puder ser revertida com esforços razoáveis.
Traduzindo para o relatório:
- O que a agência recebe: contagens e valores por célula (unidade x procedimento). Sem nome, sem telefone, sem prontuário.
- O que volta para as plataformas: o ID do clique e identificadores de contato com hash, pelos mecanismos oficiais de conversão off-line. Hash protege o dado no envio, mas trate-o como dado pessoal, não como dado anônimo.
- O que nunca sai do prontuário: diagnóstico, anamnese, plano de tratamento, imagens clínicas.
Nomeie as conversões de forma genérica quando possível e envie só o mínimo que a medição exige. A base legal e o contrato de tratamento de dados com a agência são decisão do seu jurídico ou do encarregado de dados. Este guia não é parecer jurídico.
Como colocar a exigência no contrato
Pedido verbal some na primeira troca de gestor de conta. O recorte precisa estar no contrato ou num aditivo, como anexo.
O anexo mínimo tem estes itens:
- Layout do relatório: a tabela unidade x procedimento com as colunas da seção acima.
- Dicionário de métricas: a definição de cada coluna, igual para as duas partes.
- Fonte de cada número: plataforma, CRM, agenda ou financeiro, escrita ao lado da coluna.
- Janela e modelo de atribuição: declarados e fixos, com aviso prévio para mudança.
- Prazo de entrega: exemplo: até o quinto dia útil do mês seguinte, com reprocessamento do mês anterior.
- Obrigação da clínica: entregar o dado de agenda e fechamento no formato e na data combinados.
- Propriedade das contas: conta de anúncio, pixel, gerenciador de conversões e CRM no nome da clínica, com a agência como usuária. Veja por que a conta de anúncio e o pixel têm que ficar com você.
- Consequência: relatório fora do layout ou fora do prazo conta como descumprimento do nível de serviço.
O item 6 é o que a maioria dos donos esquece. A agência não consegue reportar comparecimento se ninguém da sua recepção marca o comparecimento.
Sinais de que a agência não consegue entregar o recorte
Antes de assinar (ou na próxima reunião), observe estes sinais:
- O relatório é print do painel, sem base cruzada com a sua agenda. Veja como validar o número quando a agência só mostra print.
- O único número de resultado é o custo por lead total.
- Ninguém pergunta como funciona a sua agenda, quem confirma e onde fica o orçamento aprovado.
- Existe uma campanha para todas as unidades, com nomes que não seguem padrão.
- A agência não sabe explicar conversão off-line nem qual janela de atribuição usa.
Antes de continuar, pergunte-se: a agência já pediu acesso ao seu CRM ou a um export da agenda? Se não pediu, ela não está medindo paciente.
Perguntas para testar na reunião
- Como vocês vão saber para qual unidade cada lead foi agendado?
- Qual foi o custo por paciente na cadeira de implante em cada unidade no último mês?
- Que janela e que modelo de atribuição vocês usam, e onde isso aparece no relatório?
- Vocês importam conversão off-line? De qual sistema, com que frequência?
- O que vocês precisam da minha recepção, em que formato e até que dia?
- Em nome de quem ficam a conta de anúncio, o pixel e o gerenciador de conversões?
A resposta boa é específica e vem com exemplo de relatório. A resposta ruim é "a gente consegue sim, depois a gente vê".
Que decisões o recorte destrava
O recorte não é enfeite de relatório. Ele muda o que você faz no mês seguinte.
| O que o recorte mostra | Decisão que ele destrava |
|---|---|
| Unidade com custo por paciente na cadeira bem abaixo das outras | Realocar verba para ela até o limite de agenda |
| Procedimento com custo por paciente acima do teto que você definiu | Pausar, reduzir ou trocar oferta e criativo |
| Leads de uma unidade vindo de bairros de outra | Ajustar raio e zonas de conflito |
| Unidade que agenda bem e tem comparecimento baixo | Corrigir confirmação e CRC daquela unidade |
| Procedimento com aprovação baixa em toda a rede | Revisar oferta, preço ou público, não só a mídia |
| Linha "não identificado" grande | Corrigir rastreamento antes de qualquer decisão de verba |
O teto de custo por paciente é seu, não da agência. Ele sai do ticket e da margem de cada procedimento, e fica escrito como meta da célula.
Periodicidade e formato do relatório
A frequência certa depende da decisão que você quer tomar.
- Mensal, para acompanhar: tabela completa, comparação contra o mês anterior e contra a meta de cada unidade.
- Trimestral, para decidir: realocação de verba entre unidades e procedimentos, com o recorte agregado.
- Sob demanda, para alarme: a agência avisa quando uma célula sai muito da meta, sem esperar o fechamento.
O formato também importa. Peça o dado cru junto com o resumo: a tabela em planilha ou painel que você consegue filtrar, mais um comentário curto da agência com hipóteses e ações para o mês seguinte.
No método Paciente Previsível, o relatório começa na cadeira e volta até o anúncio. A pergunta de todo mês é a mesma: quanto custou cada paciente que compareceu, em cada unidade, em cada procedimento.
Seu próximo passo
- Monte o dicionário da clínica. Liste os códigos de unidade e de procedimento e as definições de cada métrica. Esse documento é seu e vale para qualquer agência.
- Peça o último mês no layout da tabela mínima. Mande a tabela para a agência atual e veja o que volta. O que ela não conseguir preencher mostra onde falta estrutura de conta, conversão off-line ou processo na recepção.
- Leve a exigência para o contrato. Transforme o layout, o prazo, a janela, a obrigação da clínica e a propriedade das contas em anexo, no contrato novo ou num aditivo.
Quer uma operação que reporte custo por paciente na cadeira por unidade e por procedimento, do anúncio ao orçamento aprovado? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Dá para separar o resultado por unidade se a agência roda uma campanha só para todas?
Não de forma confiável. Com uma campanha única, a plataforma distribui a verba onde o lead sai mais barato e não registra para qual unidade o paciente foi agendado. O recorte exige unidade identificada na estrutura da conta, na UTM e no CRM, com o mesmo código nos três lugares.
O relatório geográfico do Google ou da Meta não basta para saber a unidade?
Não basta. O relatório geográfico mostra onde a pessoa estava ou por qual região demonstrou interesse, não em qual unidade ela foi atendida. Quando dois raios se sobrepõem, só a agenda da clínica sabe para qual endereço o paciente marcou.
Posso mandar para a agência a lista de pacientes que fecharam tratamento?
Não é o caminho. Dado referente à saúde é dado pessoal sensível na LGPD, e a agência precisa de contagem por célula, não de nome, diagnóstico ou plano de tratamento. Para devolver conversões às plataformas, use o ID do clique e identificadores com hash, com a base legal definida pelo seu jurídico.
Com que frequência o relatório por unidade e procedimento deve chegar?
Mensal para acompanhar e trimestral para decidir realocação de verba entre unidades. O mês mostra tendência e gargalo operacional, e o trimestre junta volume suficiente para mexer em orçamento sem reagir a ruído de célula pequena.
O que fazer quando uma unidade tem poucos leads de um procedimento?
Mostre a célula, mas não decida com ela. Marque como amostra baixa, agregue no trimestre ou junte procedimentos da mesma família (implante e protocolo, por exemplo) até ter volume para comparar com as outras unidades.
Quem deve ser o dono das contas de anúncio e do CRM?
A clínica. A conta de anúncio, o pixel, o gerenciador de conversões e o CRM ficam no nome da clínica, com a agência como usuária. Sem acesso próprio você não confere o relatório, e o histórico por unidade vai embora junto com a agência.