Custos e ROI

Como saber se o resultado dos primeiros meses com a agência nova é mérito dela ou herança da anterior?

O primeiro trimestre com agência nova é o relatório mais fácil de ler errado: janela de conversão, base quente herdada, marca já construída e sazonalidade empurram número para dentro do mês 1. Veja como congelar a linha de base, separar demanda de marca de demanda nova e desenhar o veredito de 30/60/90 dias com fonte oficial.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 23 de setembro de 2026 · 20 min de leitura
TL;DR

Você separa mérito de herança por desenho, não por painel: congele a linha de base antes de desligar a agência anterior, leia demanda de marca e demanda nova em separado, desconte janela de conversão e sazonalidade, e só dê veredito com volume de conversão suficiente.

Pontos-chave
  • A conversão do mês 1 pode ter nascido no contrato anterior. Na Ajuda do Google Ads (página "Sobre as janelas de conversão"), a janela pode ser definida de 1 a 90 dias dependendo da origem da conversão, então um clique de até três meses antes ainda aparece no relatório de estreia da agência nova.
  • Poucas semanas não sustentam veredito. Na Ajuda do Google Ads (página "Sobre os Lances Inteligentes"), o próprio Google recomenda avaliar resultados de períodos mais longos, com pelo menos 30 conversões, como um mês ou mais, e 50 conversões no caso de ROAS desejado.
  • O veredito não pode parar no lead. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem, faixa da operação e não medição de recorte datado, então o resultado que importa aparece semanas depois do lead que o originou.

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Por que o primeiro trimestre com agência nova é o período mais fácil de ler errado
  4. A linha de base: o que congelar ANTES de desligar a agência anterior
  5. Demanda de marca x demanda nova: a separação que resolve metade da dúvida
  6. Janela de conversão e reatribuição: por que o número de hoje ainda vai mudar
  7. Modelos de atribuição: o que último clique e baseada em dados escondem numa troca
  8. Base quente herdada: o combustível que faz o mês 1 brilhar
  9. Período de aprendizado e volume mínimo: quando o veredito ainda não é possível
  10. O lag do funil odontológico: do lead ao agendamento e do agendamento ao comparecimento
  11. Sazonalidade e efeito de mercado: a parte que não é de ninguém
  12. Testes de incrementalidade que cabem numa clínica
  13. Atribuição limpa: as cinco peças que fazem a origem aparecer sozinha
  14. O caso inverso: quando o trimestre ruim também é herança
  15. Contrato e handover: as cláusulas que tornam a comparação possível
  16. Como estruturar o relatório de 30/60/90 dias para a resposta aparecer sozinha
  17. Quando a resposta honesta é "não dá para separar"
  18. Seu próximo passo
  19. Perguntas frequentes

"Como saber se o resultado dos primeiros meses com a agência nova é mérito dela ou herança da anterior?"

Você trocou de agência. O primeiro mês veio melhor. E agora não sabe se contratou um time bom ou se está colhendo o que já estava plantado.

A dúvida não é desconfiança. É a leitura correta de um período que, por construção, mistura duas gestões dentro do mesmo relatório.

A resposta curta: dá para separar, mas não olhando o painel. Dá para separar por desenho.

Na Ajuda do Google Ads, a janela de conversão pode ser definida de 1 a 90 dias, dependendo da origem das conversões (Sobre as janelas de conversão). Traduzindo para o seu contrato: uma conversão que apareceu no relatório do mês 1 pode ter nascido de um clique dado três meses antes, ainda na gestão anterior.

Esse é o tipo de detalhe que decide se você renova ou rescinde por engano.

Neste guia você vai ver:

  • Por que o primeiro trimestre é o período mais fácil de ler errado
  • O que congelar antes de desligar a agência anterior (e o que já é tarde depois)
  • Como separar demanda de marca de demanda nova na leitura de cada canal
  • Janela de conversão, reatribuição e modelo de atribuição: o que cada um esconde numa troca
  • Testes de incrementalidade que cabem numa clínica, sem laboratório
  • Como montar o relatório de 30/60/90 dias para a resposta aparecer sozinha

Por que o primeiro trimestre com agência nova é o período mais fácil de ler errado

Toda troca de fornecedor cria um efeito de arrasto. A verba, a marca e a base de contatos que existem no dia 1 do contrato novo não foram construídas no dia 1.

São quatro arrastos que empurram resultado para dentro do mês de estreia:

  1. Arrasto de mídia. Cliques e visualizações pagos pela gestão anterior continuam virando conversão dentro da janela configurada.
  2. Arrasto de marca. Quem viu o anúncio antigo, guardou o nome e só agora pesquisou aparece como demanda "nova".
  3. Arrasto de base. Lista de leads antigos, orçamentos em aberto e pacientes inativos são estoque, não geração.
  4. Arrasto de operação. Mudanças combinadas com a agência anterior (site, Perfil da Empresa, resposta no WhatsApp) costumam maturar semanas depois.

Repare no que os quatro têm em comum: todos entregam resultado no contrato novo sem terem sido gerados pelo contrato novo.

E existe um viés humano em cima disso. Quem acabou de assinar quer ver acerto, e quem acabou de sair não está na sala para defender o histórico.

Lembre: o primeiro trimestre não mede a agência nova. Mede a agência nova somada ao que ela herdou. Sua única saída é subtrair a herança antes de julgar.

A linha de base: o que congelar ANTES de desligar a agência anterior

Aqui está o erro que torna a pergunta insolúvel: quase todo dono só pensa em comparar depois que já perdeu o acesso ao período de comparação.

Sem linha de base exportada e congelada, você não tem régua. Tem lembrança.

Exporte e guarde fora das contas da agência, antes do desligamento:

  • Histórico de campanha por dia, com custo, impressões, cliques, conversões e valor de conversão, nos últimos 12 meses.
  • A configuração de cada ação de conversão, principalmente a janela de conversão e o modelo de atribuição em uso.
  • Relatório de termos de pesquisa do Google Ads, separando termos com o nome da clínica dos genéricos.
  • Dados do Perfil da Empresa no Google, incluindo a métrica Pesquisas.
  • Públicos e listas (remarketing, clientes, engajamento), com data de criação e tamanho.
  • Planilha de leads com data, canal, campanha e desfecho (agendou, compareceu, fechou).
  • Criativos e peças, com o histórico de performance de cada um.

Um detalhe técnico que quase sempre passa: anote a janela de conversão configurada em cada ação antes de qualquer mexida. Se a agência nova encurtar ou alongar essa janela no mês 1, o número muda sozinho, sem nada ter acontecido no mercado.

Na Ajuda do Google Ads, a recomendação é de janelas de no mínimo sete dias, porque elas oferecem um conjunto maior de dados de conversão (Sobre as janelas de conversão). Uma janela alterada no meio da troca é a forma mais silenciosa de inflar ou esvaziar um relatório.

Quem fica com o quê no desligamento é assunto contratual, e vale resolver antes: veja transição de agência: quem fica com criativos e aprendizado.

Demanda de marca x demanda nova: a separação que resolve metade da dúvida

Existem dois tipos de procura chegando na sua clínica, e eles têm donos diferentes.

Demanda de marca (branded): a pessoa já conhece a clínica e digita o nome dela. Esse volume é herança quase pura, acumulada por anos de operação, indicação e mídia anterior.

Demanda nova (não marca): a pessoa procura pelo procedimento, pela região ou pelo problema, sem saber quem você é. Esse é o território onde a agência nova pode, de fato, criar resultado.

Misturar os dois no mesmo número de "conversões" é o atalho mais comum para dar crédito errado.

Onde fazer a separação:

  • Google Ads: relatório de termos de pesquisa, marcando todo termo que contém o nome da clínica ou variações dele.
  • Search Console: consultas com o nome da clínica em uma lista, o restante em outra, comparando com o mesmo período do ano anterior.
  • Perfil da Empresa no Google: na Ajuda do Perfil da Empresa no Google, a métrica Pesquisas mostra os termos de pesquisa que as pessoas usaram para encontrar sua empresa (Entender a performance e os insights do seu Perfil da Empresa). É o corte mais direto entre quem chegou pelo seu nome e quem chegou por busca genérica. Repare no ritmo: na mesma página, o Google informa que a métrica Pesquisas é atualizada no início de cada mês e as informações podem levar até 5 dias para aparecer, então esse corte não está disponível no meio do mês 1.

Veja como ler isso na prática. Se o total de agendamentos subiu e a subida inteira veio de quem digitou o nome da clínica, a agência nova pode ter feito um excelente trabalho de conversão, mas não gerou demanda.

E se a demanda não marca cresceu enquanto a marca ficou estável, você tem o sinal mais limpo de mérito que o primeiro trimestre consegue oferecer.

Janela de conversão e reatribuição: por que o número de hoje ainda vai mudar

Essa é a parte que quase ninguém checa e que sozinha explica boa parte dos "primeiros meses espetaculares".

Uma conversão não é registrada quando acontece. É registrada quando a plataforma decide atribuí-la, dentro de uma janela que você mesmo configurou.

Na Ajuda do Google Ads, você pode definir a janela de conversão de 1 a 90 dias, dependendo da origem das conversões (Sobre as janelas de conversão). Com uma janela longa, o relatório do mês 1 da agência nova carrega cliques pagos pela agência anterior.

Tem mais: o número não estabiliza na hora. Na Ajuda do Google Analytics, as conversões podem ser reatribuídas por até sete dias depois de acontecerem (Começar a usar a atribuição).

O que isso significa na prática: o relatório que você leu na segunda-feira ainda pode trocar de dono dentro da própria ferramenta.

Três regras simples que resolvem:

  1. Não leia o mês 1 antes do fim da janela mais longa configurada nas suas ações de conversão.
  2. Congele a janela durante todo o período de comparação. Mudou a janela, acabou a comparação.
  3. Faça o corte pela data do clique, não pela data da conversão, sempre que a plataforma permitir esse recorte.

Modelos de atribuição: o que último clique e baseada em dados escondem numa troca

O modelo de atribuição decide quem leva o crédito quando várias interações participaram da mesma decisão. Numa troca de fornecedor, ele decide quem leva o crédito entre duas agências.

Na Ajuda do Google Ads, o modelo de último clique atribui todo o crédito pela conversão ao último anúncio que recebeu o clique (Sobre modelos de atribuição). É o modelo mais generoso possível com quem chegou por último.

E o ponto que muda o seu plano de auditoria: na mesma página, o Google informa que não oferece mais suporte aos modelos de atribuição linear, baseada na posição, de primeiro clique e de iminência da conversão (Sobre modelos de atribuição).

Ou seja: você não consegue mais pedir um relatório de "primeiro clique" dentro do Google Ads para enxergar quem originou a demanda.

Modelo O que faz O que esconde numa troca de agência
Último clique Dá todo o crédito ao último anúncio clicado O primeiro contato, que pode ter sido gerado na gestão anterior
Baseada em dados Distribui crédito entre interações do próprio caminho de conversão Continua limitado ao que está rastreado na conta, e a conta mudou de mão
Primeiro clique Daria o crédito à origem da demanda Descontinuado no Google Ads, então essa leitura não está mais disponível

Sem primeiro clique disponível, a saída é reconstruir a origem fora da plataforma: número de WhatsApp dedicado, UTM padronizada, pergunta de origem no CRC e campo de origem no sistema de gestão. A origem que a plataforma não entrega mais, a sua operação registra.

Para o quadro completo de qual canal merece crédito na clínica, veja modelo de atribuição de mídia: qual canal merece o crédito.

Base quente herdada: o combustível que faz o mês 1 brilhar

Existe um resultado rápido que é real, aparece no caixa e mesmo assim não prova competência de geração de demanda.

É o resultado que vem de estoque.

A agência nova costuma encontrar, no dia 1, quatro reservas prontas:

  • Listas de remarketing cheias, construídas com verba anterior.
  • Leads antigos não trabalhados, que nunca receberam follow-up.
  • Orçamentos em aberto, pacientes que ouviram o plano de tratamento e não fecharam.
  • Pacientes inativos, que já conhecem e confiam na clínica.

Trabalhar esse estoque é legítimo, e um bom time faz isso logo. O erro é registrar o retorno disso como prova de que a captação nova funciona.

Como separar sem brigar: peça que toda ação sobre base herdada rode em campanha e canal próprios, com identificação separada no relatório. Reativação em um bloco, captação nova em outro.

Pensa assim: se você vender o estoque da loja, o faturamento do mês sobe. Isso não diz nada sobre a sua capacidade de repor a prateleira.

A leitura correta aparece no mês 2 e no mês 3, quando o estoque acaba e sobra só o que a operação nova gera sozinha.

Período de aprendizado e volume mínimo: quando o veredito ainda não é possível

Campanha nova, conta nova, conversão remarcada: tudo isso reinicia o aprendizado do sistema de lances. Nesse intervalo, o número oscila por motivo técnico, não por qualidade de gestão.

Por isso o veredito precisa de volume, não de calendário.

Na Ajuda do Google Ads, o próprio Google recomenda avaliar os resultados de períodos mais longos com pelo menos 30 conversões, como um mês ou mais, e 50 conversões no caso de ROAS desejado (Sobre os Lances Inteligentes).

Leia esse número com atenção: é uma recomendação de quantidade de conversões, não uma promessa de prazo. Uma clínica com poucos agendamentos por semana leva mais tempo para chegar lá do que uma clínica de volume alto.

Duas consequências práticas:

  • Veredito antes do volume mínimo é chute, para elogiar ou para demitir.
  • Mexer na estrutura toda semana impede que o volume se acumule em qualquer configuração estável, e prolonga o período em que nada é conclusivo.

Lembre: trocar de agência e trocar de estrutura ao mesmo tempo é trocar duas variáveis de uma vez. Você até pode fazer isso, mas aceite que perdeu a capacidade de dizer qual das duas produziu o resultado.

O lag do funil odontológico: do lead ao agendamento e do agendamento ao comparecimento

Em clínica odontológica, o resultado que importa não é o lead. É o paciente na cadeira. E entre os dois existe um intervalo que empurra o veredito para frente.

A cadeia tem quatro etapas, cada uma com o seu atraso: lead, resposta, agendamento e comparecimento.

Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.

Esse encadeamento explica um fenômeno comum na troca. O lead do mês 1 vira agendamento no mês 1 ou 2, e comparecimento depois disso. Quando você olha o caixa do trimestre, boa parte dele foi originada antes da troca.

E o inverso também acontece: a agência nova pode estar gerando lead melhor desde a primeira semana, com o efeito aparecendo no faturamento só no mês 3.

Por isso o relatório de troca precisa carregar coorte, não só período. Agrupe pelo mês em que o lead entrou, e acompanhe aquele grupo até o comparecimento, em vez de somar tudo que aconteceu dentro do mês.

O que você mede Quando o efeito da troca aparece Risco de ler cedo demais
Custo por lead Primeiras semanas Alto: janela de conversão ainda arrasta clique antigo
Taxa de resposta e agendamento Semanas 2 a 6 Médio: depende do CRC, não só da mídia
Comparecimento Do mês 2 em diante Médio: agenda e confirmação entram na conta
Faturamento por coorte de lead Mês 3 em diante Baixo: é a leitura mais honesta

Sazonalidade e efeito de mercado: a parte que não é de ninguém

Antes de dar crédito ou culpa, desconte o que o calendário fez sozinho.

Odontologia tem ciclos conhecidos: início de ano apertado, férias, décimo terceiro, meses de feriado emendado, temporada forte de estética antes de eventos e fim de ano. Se a troca caiu na virada de um desses ciclos, parte da variação é do mercado.

Três verificações rápidas:

  1. Compare com o mesmo período do ano anterior, não com o mês imediatamente anterior. Mês contra mês confunde sazonalidade com efeito de gestão.
  2. Olhe o volume de busca do seu procedimento principal na região, no mesmo recorte, para ver se a procura subiu para todo mundo.
  3. Cheque o seu próprio histórico de dois ou três anos, se existir, procurando o mesmo desenho de curva.

Um exemplo hipotético deixa isso concreto. Suponha que você trocou de agência em novembro e o faturamento de dezembro veio acima do normal. Se dezembro já era o seu melhor mês em todos os anos anteriores, a agência nova ainda não provou nada. Só surfou a onda certa.

A regra é simples: qualquer variação que aconteceu também nos anos anteriores, no mesmo mês, entra na conta do calendário e não na conta da agência.

Testes de incrementalidade que cabem numa clínica

Aqui está o instrumento que transforma opinião em evidência. Incrementalidade é medir o que não teria acontecido sem a ação.

Três desenhos são viáveis em clínica, sem laboratório e sem parar a operação:

1. Holdout geográfico. Escolha duas regiões comparáveis em porte e perfil dentro do seu raio de atendimento. Mantenha a mídia nova em uma e deixe a outra sem ela por um período definido. A diferença entre as duas é a leitura mais próxima de incrementalidade possível numa clínica. Funciona melhor em clínica com mais de uma unidade ou com raio grande.

2. Período de manutenção. No primeiro mês, a agência nova apenas sustenta o que já existia, sem mudança estrutural. No segundo, ela aplica o plano dela. A diferença entre os dois meses isola o efeito das mudanças, e não o efeito de ter trocado de fornecedor.

3. Desligamento controlado. Pause uma campanha específica por um período curto e definido, e observe o que acontece com o volume total. Se nada cai, aquela campanha não era incremental. É um teste desconfortável, e por isso mesmo é o que mais ensina.

Nenhum dos três é perfeito. Todos são melhores do que comparar dois relatórios de painéis diferentes.

Escolha um só, defina o período antes de começar e escreva o critério de leitura por escrito. Teste cujo critério é definido depois do resultado não é teste, é narrativa.

Atribuição limpa: as cinco peças que fazem a origem aparecer sozinha

Se a plataforma não entrega mais o primeiro clique, a origem precisa ser capturada por você, fora dela. Isso é infraestrutura, não relatório.

Cinco peças resolvem quase tudo:

  1. Número de WhatsApp dedicado por origem. Um número para mídia paga, outro para o Perfil da Empresa, outro para indicação. Separa canal sem depender de pixel.
  2. UTM em toda campanha, com padrão único. Origem, mídia, campanha e criativo escritos sempre do mesmo jeito, definidos por você e não pela agência da vez.
  3. Pergunta de origem no CRC, com resposta obrigatória. Uma pergunta só, feita sempre, registrada em campo fechado e não em observação livre.
  4. Campo de origem no sistema de gestão, amarrado ao paciente e não só ao lead, para a origem sobreviver até o comparecimento e o fechamento.
  5. Conversão offline enviada de volta às plataformas, para que o sistema aprenda com agendamento e comparecimento, e não só com clique.

Segundo dados internos da Odonto Results, entre os leads que agendam, metade fecha em até 34 minutos e 53,6% em menos de 1 hora. Base: 3.148 agendamentos. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

O recado operacional é direto: a janela em que a origem ainda pode ser capturada com qualidade é curta. Se a pergunta de origem não acontece na primeira conversa, ela não acontece mais.

Essas cinco peças pertencem à clínica, não ao fornecedor. Montadas uma vez, elas respondem à pergunta deste artigo sozinhas na próxima troca. Se algum termo aqui soou opaco, o glossário de rastreamento e atribuição resolve.

O caso inverso: quando o trimestre ruim também é herança

A pergunta costuma vir com sinal positivo, mas o problema é simétrico. Se o resultado bom pode ser herdado, o resultado ruim também pode.

Cinco heranças negativas derrubam o primeiro trimestre de qualquer gestor:

  • Marca arranhada: avaliações negativas recentes, reputação local ferida, episódio público mal resolvido.
  • Perfil ou conta com restrição: Perfil da Empresa suspenso, conta de anúncios com histórico de reprovação, domínio penalizado.
  • Criativos saturados: a mesma peça rodando há meses para o mesmo público, com frequência alta e resposta em queda.
  • Rastreamento quebrado: pixel duplicado, conversão duplicada ou não registrada, tag removida no meio do caminho.
  • Conta sem histórico: conta nova, sem dados de conversão acumulados, recomeça o aprendizado do zero.

Antes de cobrar, faça o diagnóstico de entrada. Peça à agência nova um levantamento do estado encontrado, com evidência, nas primeiras duas semanas.

E aplique o mesmo rigor nos dois sentidos: quem não aceita crédito herdado também não deveria receber culpa herdada.

Contrato e handover: as cláusulas que tornam a comparação possível

A maior parte da dificuldade em responder a essa pergunta nasce de uma falha contratual, não analítica.

Se as contas, o histórico e os criativos não são seus, a comparação morre no dia da rescisão.

Peça isso em contrato, com a agência nova e com a atual:

  • Propriedade das contas de anúncio, analytics, gerenciador de tags e Perfil da Empresa no nome da clínica, com a agência como usuária.
  • Direito de exportação do histórico completo a qualquer momento, sem custo e em formato aberto.
  • Entrega de criativos em arquivo editável, com o histórico de performance de cada peça.
  • Congelamento de configuração durante o período de comparação: janela de conversão, ações de conversão e modelo de atribuição só mudam com aviso registrado.
  • Diagnóstico de entrada em 14 dias, com o estado encontrado documentado.
  • Critério de avaliação definido na assinatura, incluindo a métrica principal, o volume mínimo de conversões e a data do veredito.

Esse último item é o mais barato e o mais ignorado. Critério combinado antes elimina a discussão depois.

Quem tenta exigir isso só no meio de uma saída conflituosa descobre tarde demais que não tinha nada em mãos para exigir.

Como estruturar o relatório de 30/60/90 dias para a resposta aparecer sozinha

Um bom relatório de transição não conclui. Ele organiza os dados de um jeito que a conclusão fica óbvia.

Estruture assim:

Aos 30 dias: diagnóstico e higiene, sem veredito. Estado encontrado, o que foi corrigido, volume de conversão acumulado, configuração congelada. Nenhuma conclusão sobre mérito, porque a janela ainda está aberta.

Aos 60 dias: separação de fontes. Demanda de marca contra demanda nova. Base herdada contra captação nova. Coorte do mês 1 acompanhada até o agendamento. Primeira leitura de tendência, ainda com ressalva.

Aos 90 dias: veredito com critério. Coorte dos três meses até o comparecimento, comparação contra a linha de base congelada e contra o mesmo período do ano anterior, resultado do teste de incrementalidade escolhido, e a resposta explícita à pergunta que abriu este guia.

Segundo dados internos da Odonto Results, 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Use um número assim como referência de sanidade, não como meta contratual: se o seu relatório de transição não consegue nem dizer quantos leads viraram agendamento, ele não está pronto para dizer de quem é o mérito.

O calendário completo de expectativas da transição está em os primeiros 90 dias com a agência de marketing.

Quando a resposta honesta é "não dá para separar"

Às vezes a evidência não existe. E fingir que existe é pior do que admitir.

Você provavelmente não vai conseguir separar quando:

  • Não houve linha de base exportada antes do desligamento.
  • Tudo mudou ao mesmo tempo: agência, site, oferta, verba e equipe do CRC.
  • O volume de conversão do período fica muito abaixo do mínimo recomendado para leitura.
  • A janela de conversão foi alterada no meio da comparação.
  • Não existe registro de origem por lead em lugar nenhum.

Nesse cenário, mude a pergunta. Em vez de "quanto do resultado é mérito dela", pergunte: "a partir de hoje, com a régua montada, ela entrega?"

Defina agora a linha de base do estado atual, congele a configuração, escolha um teste de incrementalidade e marque a data do veredito. Você perdeu o passado, mas garante o futuro.

Decidir sob incerteza faz parte. Decidir sem nunca montar a régua é o que garante que a próxima troca terá exatamente a mesma dúvida.

Situação Você consegue separar? Decisão recomendada
Linha de base congelada e origem registrada Sim, com boa confiança Veredito aos 90 dias, pelo critério combinado
Linha de base parcial, sem origem por lead Parcialmente Montar a régua agora e adiar o veredito um ciclo
Nada exportado e tudo mudou junto Não Reiniciar a medição e avaliar daqui para frente

Seu próximo passo

  1. Monte a linha de base hoje, mesmo que a troca já tenha acontecido. Exporte histórico, configuração de conversão, listas e planilha de leads, e guarde fora das contas da agência.
  2. Separe o relatório em três blocos na próxima reunião: demanda de marca, base herdada e captação nova. Peça que cada bloco tenha campanha e identificação própria.
  3. Escolha um teste de incrementalidade (holdout geográfico, período de manutenção ou desligamento controlado), defina o período e escreva o critério de leitura antes de começar.

Se você quer ver como uma operação estruturada organiza linha de base, atribuição e veredito desde o primeiro dia de contrato, Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Quanto tempo esperar antes de julgar a agência nova?

Espere ter volume de conversão, não dias de calendário. Na Ajuda do Google Ads (página "Sobre os Lances Inteligentes"), o Google recomenda avaliar resultados de períodos mais longos com pelo menos 30 conversões, como um mês ou mais, e 50 conversões para ROAS desejado. Na clínica, some a isso o tempo entre agendar e comparecer: o trimestre inteiro costuma ser o primeiro recorte honesto.

A conversão que apareceu no mês 1 é mesmo da agência nova?

Nem sempre. Na Ajuda do Google Ads, a janela de conversão pode ser definida de 1 a 90 dias conforme a origem da conversão, então um clique dado ainda na gestão anterior pode ser contabilizado semanas depois. Confira a janela configurada em cada ação de conversão antes de ler o relatório de estreia.

O que devo exportar antes de desligar a agência anterior?

Exporte e congele tudo que vira régua depois: histórico de campanha por dia, custo, cliques, conversões e janela de cada ação de conversão, relatório de termos de pesquisa, dados do Perfil da Empresa no Google, listas de público e a planilha de leads com origem. Sem isso, a comparação vira memória, e memória sempre favorece quem está presente.

Crescimento na busca pelo nome da clínica é mérito da agência nova?

Quase nunca no primeiro trimestre. Busca pelo nome é demanda de marca acumulada, que responde a anos de operação e de mídia anterior. Na Ajuda do Perfil da Empresa no Google, a métrica Pesquisas mostra os termos que as pessoas usaram para encontrar a empresa, o que permite separar quem digitou o nome da clínica de quem chegou por busca genérica.

Dá para testar se a agência nova é incremental de verdade?

Dá, com desenho simples. Deixe uma região comparável sem a mídia nova por um período definido (holdout geográfico), ou rode um mês apenas sustentando o que já existia antes de liberar qualquer mudança estrutural. A diferença entre a região tratada e a de controle é a leitura mais próxima de incrementalidade que cabe numa clínica.

E se o primeiro trimestre vier ruim: a culpa é da agência nova?

Pode ser herança também. Perfil suspenso, pixel quebrado, criativo saturado, reputação arranhada e conta sem histórico de conversão derrubam resultado independentemente de quem opera. O mesmo diagnóstico que impede crédito indevido impede também culpa indevida: compare contra a linha de base congelada, não contra a expectativa da proposta comercial.