Custos e ROI

Quanto custa para a clínica cada apresentação de plano de tratamento que não fecha?

Cada plano de tratamento apresentado carrega três custos: trazer o paciente até a cadeira, a hora de cadeira da avaliação e o tempo da CRC no follow-up. Veja a fórmula, um exemplo trabalhado com variáveis que você troca pelas suas, benchmarks de aceitação com fonte e os indicadores para parar de queimar avaliação com quem não fecha.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 27 de setembro de 2026 · 19 min de leitura
TL;DR

Cada apresentação custa a soma de trazer o paciente até a cadeira, da hora de cadeira da avaliação e do tempo da CRC no follow-up; o custo por caso fechado é esse valor dividido pela sua taxa de aceitação, então cada plano recusado encarece os que fecham.

Pontos-chave
  • A aceitação cai quando o plano fica mais invasivo. Em estudo da National Dental Practice-Based Research Network publicado em 2024 no American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics (EUA, 345 adultos com mordida aberta anterior, pacientes de 91 ortodontistas), aproximadamente 78% aceitaram o plano mais recomendado, e 60% dos que receberam recomendação de plano cirúrgico o aceitaram.
  • A hora de cadeira que não fecha continua custando. Segundo a ADA News (American Dental Association, março de 2022, EUA), o overhead de um consultório odontológico fica em média em torno de 62% no setor, então a avaliação que não vira tratamento consome estrutura sem gerar produção.
  • O paciente chega caro à avaliação. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem, uma faixa da operação e não uma medição datada: por isso o custo de cada avaliação realizada é várias vezes o custo do lead.

Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Qual é a fórmula do custo de uma apresentação de plano?
  4. 1. Custo de aquisição: quanto você paga para o paciente chegar à cadeira
  5. 2. Hora de cadeira: quanto custa a hora da avaliação
  6. 3. Custo de oportunidade: o procedimento que não aconteceu
  7. 4. Tempo da CRC: o custo do follow-up de orçamento
  8. Exemplo trabalhado: quanto custa cada plano que não fecha
  9. Qual taxa de aceitação de plano esperar (e por que ela varia)?
  10. Como medir a taxa de fechamento na sua clínica
  11. Por que o paciente recusa o plano de tratamento
  12. Apresente com opções e faseamento (sem virar desconto)
  13. Parcelamento e financiamento: ferramenta de fechamento com custo embutido
  14. Follow-up de orçamento: a receita que já está na sua base
  15. Qualifique antes da cadeira para não queimar hora de avaliação
  16. O que o Código de Ética exige na apresentação do plano
  17. Indicadores para acompanhar todo mês
  18. Seu próximo passo
  19. Perguntas frequentes

"Quanto custa para a clínica cada apresentação de plano de tratamento que não fecha?"

Você apresentou o plano, explicou o caso, mostrou as opções. O paciente disse que ia pensar.

E sumiu.

Parece que não custou nada. Custou. A hora de cadeira foi gasta, a CRC vai ligar de novo e de novo, e o paciente chegou até ali porque alguém pagou para ele chegar.

A resposta direta: cada apresentação custa a soma de três coisas.

  1. Custo de trazer o paciente até a cadeira (mídia, atendimento, confirmação).
  2. Hora de cadeira da avaliação (estrutura, equipe e dentista naquele horário).
  3. Tempo da CRC no follow-up do orçamento.

O custo por caso fechado é esse total dividido pela sua taxa de aceitação. Cada plano recusado não desaparece: ele é pago pelos planos que fecham.

Neste guia você vai ver:

  • A fórmula completa, componente por componente, com os números que você mesmo tem
  • Um exemplo trabalhado (e uma tabela de sensibilidade por taxa de aceitação)
  • Benchmarks de aceitação com fonte e por que ela cai quando o plano fica mais invasivo
  • Os motivos de recusa e o que fazer com cada um (opções, faseamento, parcelamento, follow-up)
  • Os indicadores que você acompanha todo mês para reduzir o custo por caso fechado

Qual é a fórmula do custo de uma apresentação de plano?

Veja como funciona. São duas contas, uma em cima da outra.

Custo por apresentação = custo de aquisição até a cadeira + custo da hora de cadeira da avaliação + custo da CRC no follow-up

Custo por caso fechado = custo por apresentação ÷ taxa de aceitação

A primeira conta diz quanto você gasta toda vez que um plano é apresentado. A segunda diz quanto você gasta, de verdade, para cada paciente que diz sim.

O que isso significa na prática?

A apresentação que não fecha e a que fecha custam o mesmo. A diferença é que só uma devolve receita. Se você fecha metade dos planos, cada caso fechado carrega o custo de duas apresentações.

Componente Fórmula Onde você pega o dado
Aquisição até a cadeira CPL ÷ (lead para agendamento × comparecimento) Gerenciador de anúncios + CRM/agenda
Hora de cadeira Custos do mês ÷ horas produtivas da agenda DRE + agenda
Follow-up da CRC Custo carregado da CRC por hora × horas por orçamento Folha + registro de contatos
Custo de oportunidade Margem da hora de procedimento que a avaliação ocupou Só conta se a agenda estiver cheia
Custo por caso fechado Soma dos componentes ÷ taxa de aceitação Planos apresentados x planos fechados

Lembre: o número que decide se a sua captação dá lucro não é o custo do lead nem o custo da avaliação. É o custo por caso fechado, e a taxa de aceitação é o denominador dele.

1. Custo de aquisição: quanto você paga para o paciente chegar à cadeira

O lead não é o paciente. Entre o clique e a avaliação existem duas perdas: quem não agenda e quem agenda e não comparece.

Por isso a conta é:

Custo por avaliação realizada = CPL ÷ (taxa de lead para agendamento × taxa de comparecimento)

Exemplo hipotético: CPL de R$20, 25% dos leads agendam e 50% dos agendados comparecem. O custo por avaliação realizada é R$20 ÷ (0,25 × 0,50) = R$160.

Repare: o lead de R$20 virou uma avaliação de R$160. Oito vezes mais.

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), o lead de clínica odontológica custa de R$12 a R$14 no Meta Ads (WhatsApp R$14,10 e formulário R$12,14 na mediana entre clínicas, com faixas sobrepostas). Base: cerca de 94,6 mil leads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

O multiplicador é o que pesa. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.

Pela conta, essa faixa coloca o custo de cada avaliação realizada entre 5 vezes (40% × 50%) e 25 vezes (20% × 20%) o custo do lead. É por isso que o CPL sozinho engana.

Dica: paciente de indicação tem custo de aquisição menor, mas não zero (brinde, comissão, tempo da equipe). Calcule o custo por avaliação separado por origem. Misturar os dois esconde qual canal está pagando a conta.

2. Hora de cadeira: quanto custa a hora da avaliação

A avaliação ocupa a cadeira, a sala, a auxiliar, a recepção e o dentista. Tudo isso custa por hora, com ou sem tratamento fechado no fim.

A conta básica:

Custo da hora de cadeira = custos do mês (fixos + folha + estrutura) ÷ horas produtivas disponíveis na agenda

Exemplo hipotético: digamos que a clínica tenha R$60.000 por mês de custos de estrutura e folha, 2 cadeiras, 8 horas por dia e 22 dias úteis. São 352 horas de cadeira. Dividindo, a hora disponível custa cerca de R$170.

Mas tem um detalhe: nenhuma agenda roda a 100%. Se só 80% das horas são produtivas (281,6 horas no exemplo), a hora produtiva custa cerca de R$213. Use a hora produtiva: é ela que precisa pagar a estrutura.

Para ter ideia do peso da estrutura, olhe a referência americana. Segundo a ADA News (American Dental Association, março de 2022, EUA), o overhead de um consultório odontológico fica em média em torno de 62% no setor.

Na mesma matéria da ADA News, custos variáveis como folha, laboratório, suprimentos odontológicos e de escritório devem ficar em torno de 45% a 55% da produção, e despesas fixas como aluguel, seguro, impostos e utilidades em cerca de 4% a 7%.

Pensa assim: a matéria da ADA News classifica a folha como variável, mas na hora da avaliação ela não varia. O salário da auxiliar e da recepção é pago do mesmo jeito se o plano fecha ou não. Na conta da avaliação, trate a folha como custo daquela hora.

Aprofunde o cálculo em como calcular o custo da hora de cadeira.

3. Custo de oportunidade: o procedimento que não aconteceu

Esse é o componente que quase ninguém coloca na planilha. E às vezes é o maior.

Se a sua agenda tem buraco, a hora da avaliação não tirou lugar de ninguém. O custo de oportunidade é perto de zero.

Se a agenda está cheia, é outra história. Cada hora de avaliação que não fecha ocupou um horário que poderia ser um procedimento pago.

A conta:

Custo de oportunidade = margem de contribuição da hora de procedimento que a avaliação ocupou

Exemplo hipotético: suponha que uma hora de procedimento deixe R$400 de margem depois de material e laboratório. Numa agenda lotada, a avaliação de uma hora que não fecha custa esses R$400 a mais, além da estrutura.

O que isso significa na prática? Quanto mais cheia a agenda, mais caro fica avaliar quem não tem perfil. A qualificação antes da cadeira vale mais justamente na clínica que está crescendo.

4. Tempo da CRC: o custo do follow-up de orçamento

Muitas vezes, o plano não fecha na cadeira. Ele fecha (ou morre) nos dias seguintes, no telefone e no WhatsApp da CRC ou da coordenadora de tratamento.

Esse tempo tem preço:

Custo da CRC por orçamento = custo carregado da CRC por hora × horas gastas por orçamento

O custo carregado é o salário mais encargos, benefícios, provisões de férias e 13º, comissão e ferramentas. Em regime CLT ele fica bem acima do salário em carteira, então use o número da sua folha, não o do holerite.

Exemplo hipotético: digamos que a CRC custe R$4.500 por mês carregada e trabalhe 176 horas. A hora dela custa cerca de R$25,57. Se cada orçamento consome 1,5 hora entre ligações, mensagens, envio de proposta e simulação de parcelamento, o follow-up custa cerca de R$38 por plano.

Parece pouco. No exemplo, some 60 planos por mês e são 90 horas da CRC, mais da metade do mês dela, só em follow-up.

Nota: registre quantos contatos e quanto tempo cada orçamento consumiu. Sem esse registro, você não sabe se a CRC está gastando tempo com quem vai fechar ou com quem já decidiu que não.

Exemplo trabalhado: quanto custa cada plano que não fecha

Juntando tudo, com os números hipotéticos das seções acima (troque pelos seus):

Variável Exemplo hipotético Seu número
CPL R$20
Lead para agendamento 25%
Comparecimento 50%
Custo por avaliação realizada R$160
Hora de cadeira (avaliação de 1 hora) R$213
Follow-up da CRC (1,5 hora) R$38
Custo por apresentação R$411
Taxa de aceitação (em número de planos) 40%
Custo por caso fechado R$1.027,50

Veja o que acontece com o volume. Suponha 60 apresentações por mês com 40% de aceitação: 24 fecham e 36 não fecham.

Essas 36 apresentações somam 36 × R$411 = R$14.796 por mês gastos em planos que não viraram receita. E isso sem o custo de oportunidade, que entra por cima se a agenda estiver cheia.

Agora a sensibilidade. Mantendo o custo por apresentação de R$411 do exemplo, veja como a taxa de aceitação muda o custo de cada caso fechado:

Taxa de aceitação (exemplo) Custo por caso fechado Apresentações pagas por cada sim
20% R$2.055 5
30% R$1.370 3,3
40% R$1.027,50 2,5
50% R$822 2
60% R$685 1,7

Sair de 30% para 40% de aceitação derruba o custo por caso fechado em cerca de R$342 no exemplo. Sem gastar um real a mais em mídia.

Lembre: subir a taxa de aceitação é a forma mais barata de reduzir o custo por caso fechado, porque ela divide todos os outros custos ao mesmo tempo.

Veja quanto cada ponto de aceitação vale em faturamento em qual a taxa de aceitação de orçamento ideal.

Qual taxa de aceitação de plano esperar (e por que ela varia)?

Não existe uma taxa única de aceitação para toda clínica. Ela muda com a especialidade, com o ticket e, principalmente, com o quanto o tratamento assusta.

Um estudo prospectivo sobre o tema vem dos Estados Unidos. Em estudo da National Dental Practice-Based Research Network publicado em 2024 no American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics (345 adultos com mordida aberta anterior, pacientes de 91 ortodontistas), aproximadamente 78% dos pacientes aceitaram o plano de tratamento mais recomendado.

Entre os que receberam recomendação de plano cirúrgico, 60% o aceitaram.

A conclusão dos autores é direta: a aceitação é menos comum quanto maior a invasividade do tratamento. No mesmo estudo, ter cobertura de seguro para a cirurgia ortognática esteve associado a maior aceitação da cirurgia.

Antes de usar esse número como meta, repare nos limites:

  • População específica: adultos americanos com mordida aberta anterior, já em acompanhamento com ortodontista. Não é o lead de anúncio que chega para a primeira avaliação.
  • O que foi medido: aceitação do plano mais recomendado, não conversão de avaliação em pagamento.
  • Contexto de pagamento diferente: o próprio estudo liga a cobertura de seguro à aceitação da cirurgia.

O uso certo desse dado não é como régua para a sua clínica. É como prova de um padrão: quanto mais invasivo e caro o plano, menor a aceitação. Reabilitação, cirurgia e casos multiespecialidade tendem a ter taxa menor que clareamento ou restauração, e o seu custo por caso fechado precisa ser calculado por tipo de plano.

Como medir a taxa de fechamento na sua clínica

Você só reduz o custo por caso fechado se medir a aceitação do jeito certo. São três escolhas que mudam o número.

1. Meça em número de planos e em reais.

  • Em número: planos fechados ÷ planos apresentados.
  • Em reais: R$ fechado ÷ R$ apresentado.

As duas contam histórias diferentes. Se a taxa em número é alta e a em reais é baixa, você fecha os planos pequenos e perde os grandes. Ou fecha o plano em versão reduzida.

2. Defina a janela. Plano apresentado hoje pode fechar em 10 dias ou em 3 meses. Meça a aceitação em 30, 60 e 90 dias após a apresentação, sempre pela coorte (os planos apresentados no mesmo mês).

3. Separe por tipo de plano e por quem apresentou. A aceitação da ortodontia não se compara com a da implantodontia, e dois dentistas apresentando o mesmo caso podem ter taxas muito diferentes.

Métrica Como calcular O que revela
Aceitação em número Planos fechados ÷ apresentados Eficiência da apresentação
Aceitação em R$ R$ fechado ÷ R$ apresentado Se os casos grandes estão fechando
Aceitação em 30/60/90 dias Por coorte do mês de apresentação Quanto do fechamento depende do follow-up
Ticket apresentado x ticket fechado Média de cada um Quanto o plano encolhe na negociação

Por que o paciente recusa o plano de tratamento

Para reduzir o custo das apresentações que não fecham, você precisa saber por que elas não fecham. Os motivos se repetem.

1. Custo e barreira financeira. Custo aparece de forma recorrente como barreira ao tratamento odontológico. No National Health Interview Survey de 2019 (CDC, EUA, adultos com 18 anos ou mais), 19,2% das mulheres e 15,6% dos homens deixaram de fazer tratamento odontológico necessário por causa do custo nos 12 meses anteriores.

2. Dívida e orçamento apertado. Com dados do National Health Interview Survey de 2023 (EUA, adultos), um estudo publicado em 2026 no Journal of General Internal Medicine encontrou que ter dívida médica esteve associado a um aumento de 24,6 pontos percentuais na probabilidade de adiar tratamento odontológico, maior que a associação com o cuidado médico (17,6 pontos) e de saúde mental (9,3 pontos). O odontológico foi o cuidado mais adiado.

3. Invasividade e medo. No estudo de 2024 do American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics (EUA, adultos com mordida aberta anterior), os motivos mais comuns para recusar o plano recomendado foram não querer cirurgia de mandíbula e considerar o tratamento invasivo, arriscado e/ou caro demais.

4. Falta de clareza de preço. O paciente que sai sem entender o que está incluído, quanto vai pagar por mês e o que acontece se precisar de algo a mais vai adiar a decisão. Dúvida não esclarecida vira "vou pensar".

5. Busca de segunda opinião. Plano alto leva o paciente a comparar. Isso não é perda certa, mas exige follow-up com prazo definido.

O que isso significa no Brasil? O dado é americano, e o número não se transpõe direto. Mas a lógica tende a se repetir aqui: quando a renda do mês já está comprometida com parcelas, o tratamento eletivo é o candidato natural a ser adiado. A objeção raramente é só "é caro". É "não cabe no meu mês agora".

Dica: registre o motivo de cada recusa num campo padronizado, com poucas opções fechadas. Motivo em texto livre não vira indicador.

Apresente com opções e faseamento (sem virar desconto)

Se custo e invasividade são os motivos principais, a apresentação precisa responder aos dois antes de o paciente sair da cadeira.

O caminho é apresentar opções, não baixar o preço:

  1. Plano ideal: o tratamento completo que você recomenda, com o porquê clínico.
  2. Plano alternativo: uma opção tecnicamente aceitável, com as diferenças de resultado, durabilidade e custo explicadas.
  3. Faseamento: o plano ideal dividido em etapas, começando pelo que é urgente, com as próximas fases já agendadas.

Mas tem um detalhe: opção não é desconto. Desconto ensina o paciente a esperar o próximo desconto e reduz a margem de todo plano que fecha. O plano alternativo muda o escopo, não o preço do mesmo escopo.

O faseamento também reduz o custo por caso fechado por outro caminho: uma parte do plano fecha hoje, em vez de o plano inteiro ficar em aberto. Veja como estruturar isso em vender plano de tratamento em fases sem perder o caso.

Parcelamento e financiamento: ferramenta de fechamento com custo embutido

Quando a barreira é o mês, a parcela resolve o que o desconto não resolve. A parcela cabe onde o valor total assusta.

As opções mais comuns:

  • Cartão de crédito parcelado: o paciente parcela, a clínica recebe conforme o contrato com a adquirente.
  • Financiamento por parceira de crédito: a financeira aprova e paga a clínica; o risco fica com ela.
  • Parcelamento próprio (boleto ou recorrência): mais flexível, mas o risco de inadimplência fica com você.

Todas têm custo. A taxa da maquininha (MDR), a antecipação de recebíveis e a taxa da financeira saem da sua margem. E a inadimplência do parcelamento próprio também.

A regra é simples: coloque esse custo no cálculo antes de oferecer. O custo do parcelamento entra na conta do caso fechado como mais um componente, igual à hora de cadeira. Um plano que fecha com parcelamento caro pode dar menos margem do que você imagina.

Follow-up de orçamento: a receita que já está na sua base

Aqui está a mudança de olhar mais importante do artigo. O plano que não fechou na cadeira não é custo perdido ainda.

Enquanto o paciente não decidiu, o orçamento em aberto é receita recuperável. Você já pagou a aquisição, a hora de cadeira e o diagnóstico. O follow-up é o custo marginal mais barato para transformar esse gasto em caso fechado.

O que uma cadência de follow-up precisa ter:

  1. Retorno rápido, enquanto a apresentação está fresca, para tirar as dúvidas que ficaram (preço, parcela, etapas).
  2. Contatos com propósito, não "e aí, decidiu?": uma explicação do caso, uma simulação de parcela, um horário disponível.
  3. Prazo e dono definidos para cada orçamento, com data em que ele passa a ser considerado perdido.
  4. Reativação da base antiga em momentos de dinheiro no bolso do paciente.

Cada orçamento resgatado reduz o custo por caso fechado do mês inteiro, porque entra no numerador sem gerar nova aquisição. Monte a sua cadência com o passo a passo de como fazer follow-up de orçamento não fechado.

Qualifique antes da cadeira para não queimar hora de avaliação

A apresentação mais cara é a que nunca teve chance de fechar. E boa parte delas dá para evitar antes de o paciente chegar à cadeira.

Qualificar no agendamento não é barrar paciente. É saber, antes da avaliação:

  • O que ele procura: a queixa principal e o tratamento que tem em mente.
  • Se entende a faixa de investimento: sem cravar preço antes do diagnóstico, mas sem esconder que o tratamento tem um custo relevante.
  • Como pretende pagar: à vista, parcelado ou financiado.
  • Quem decide: se o cônjuge ou a família participa, convide para a avaliação.

Com isso você faz três coisas: prepara a apresentação certa, traz o decisor junto e identifica quem só quer um preço para comparar.

Mas cuidado com o outro lado. Qualificação dura demais corta paciente que fecharia. O objetivo é chegar à cadeira com informação, não afastar gente.

Lembre: numa agenda cheia, cada avaliação de quem não tem perfil custa a estrutura da hora mais o procedimento que deixou de acontecer. A qualificação vale mais quanto mais a clínica cresce.

O que o Código de Ética exige na apresentação do plano

Existe um limite para a pressão comercial, e ele é ético, não só estratégico.

O art. 11, IV do Código de Ética Odontológica tipifica como infração ética "deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento".

E esse dever não fica só com o dentista que apresenta. O art. 1º do mesmo Código regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, dos profissionais técnicos e auxiliares e das pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia. A clínica, como empresa, também é sujeito da norma.

Na prática, isso trabalha a seu favor:

  • Custos claros reduzem o "vou pensar" por dúvida de preço.
  • Alternativas explicadas são exatamente o plano ideal e o alternativo da seção anterior.
  • Riscos esclarecidos reduzem o medo de um tratamento invasivo, que é um dos principais motivos de recusa.

A apresentação que cumpre o Código é também a que tem mais chance de fechar.

Indicadores para acompanhar todo mês

Você não reduz o que não mede. Estes são os indicadores que transformam a pergunta do artigo em painel:

Indicador Fórmula Frequência
Planos apresentados Contagem no mês Mensal
Taxa de aceitação (número) Fechados ÷ apresentados Mensal, por coorte 30/60/90 dias
Taxa de aceitação (R$) R$ fechado ÷ R$ apresentado Mensal
Ticket apresentado x fechado Média de cada um Mensal
Tempo até fechar Dias entre apresentação e aceite Mensal
Custo por apresentação Aquisição + hora de cadeira + CRC Trimestral
Custo por caso fechado Custo por apresentação ÷ aceitação Mensal
Orçamentos em aberto (R$) Soma dos planos ainda não decididos Semanal
Motivo de recusa Distribuição por categoria Mensal

Leia os indicadores juntos. Custo por caso fechado subindo com aceitação estável aponta para a aquisição ou para a hora de cadeira. Aceitação caindo com custo estável aponta para a apresentação ou para o follow-up.

Seu próximo passo

  1. Calcule o seu custo por apresentação esta semana. Pegue o CPL, a taxa de agendamento e de comparecimento, o custo da hora de cadeira e o tempo da CRC, e monte a tabela do exemplo trabalhado com os seus números.
  2. Meça a aceitação por coorte e por tipo de plano. Em número e em reais, com janela de 30, 60 e 90 dias, e com o motivo de cada recusa registrado num campo padronizado.
  3. Ataque o maior componente primeiro. Se é aquisição, qualifique antes da cadeira. Se é aceitação, reestruture a apresentação com opções e parcelamento. Se são orçamentos parados, estruture a cadência de follow-up.

Quer que o paciente chegue à avaliação qualificado e que nenhum orçamento em aberto morra sem retorno? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Quanto custa uma apresentação de plano de tratamento que não fecha?

Custa o mesmo que a que fecha: o custo de trazer o paciente até a cadeira, a hora de cadeira da avaliação e o tempo da CRC no follow-up. A diferença é que ela não devolve receita, então o valor dela é absorvido pelos casos que fecham. Some os três componentes com os números da sua clínica para chegar ao valor exato.

Como calcular o custo por caso fechado?

Divida o custo por apresentação pela sua taxa de aceitação. Exemplo hipotético: se cada apresentação custa R$411 e você fecha 40% dos planos, cada caso fechado custa R$411 dividido por 0,40, ou R$1.027,50. Quanto menor a aceitação, mais caro fica cada sim.

Qual é uma taxa de aceitação de plano de tratamento de referência?

Não existe um número único para toda clínica, porque a aceitação varia com a invasividade e com a especialidade. Um estudo americano publicado em 2024 com adultos com mordida aberta anterior encontrou aproximadamente 78% de aceitação do plano mais recomendado e 60% entre quem recebeu plano cirúrgico. Use isso como contexto e compare a sua clínica com ela mesma, mês a mês.

Por que o paciente recusa o plano de tratamento?

Em geral, os motivos se concentram em custo, medo de um tratamento invasivo e falta de clareza sobre o que está incluído no preço. No estudo americano de 2024, os motivos mais citados para recusar foram não querer cirurgia de mandíbula e considerar o tratamento invasivo, arriscado e/ou caro demais. Registrar o motivo de cada recusa mostra onde agir.

Vale a pena cobrar pela avaliação para reduzir o custo das apresentações que não fecham?

Pode valer, mas não resolve o problema sozinho. Cobrar a avaliação filtra parte de quem não tem perfil, porém também afasta quem teria fechado. O ganho maior costuma vir de qualificar antes do agendamento e de ter follow-up estruturado dos orçamentos em aberto.

Parcelamento aumenta o fechamento do plano?

Tende a aumentar, porque transforma um valor total assustador em uma parcela que cabe no mês. Mas o parcelamento tem custo: a taxa da maquininha e a antecipação de recebíveis saem da sua margem. Coloque esse custo no cálculo antes de oferecer, em vez de descobrir depois no extrato.