Quais acessos e dados a agência é obrigada a me dar durante o contrato?
Não existe lei que liste acessos de plataforma, mas existe estrutura que decide tudo: cada ativo digital no CNPJ da clínica, você como administradora, e leitura ao vivo em vez de PDF fechado. Veja o inventário por ativo, o nível de acesso certo em cada plataforma, o que a LGPD obriga no dado de paciente e o checklist de auditoria.
Nenhuma lei lista acessos de plataforma. O que obriga é a estrutura: todo ativo nasce no CNPJ da clínica com você como administradora, e o dado de paciente é sensível, com você na posição de controladora e a agência na de operadora.
- Conta gerenciadora não transfere a propriedade do dado. Segundo a Ajuda do Google Ads (documentação oficial), mesmo quando a conta de administrador tem a propriedade da conta de cliente, "a conta de cliente ainda é proprietária dos dados e pode remover o acesso de propriedade".
- Sair da agência não apaga seu histórico, mas quebra o remarketing. A mesma Ajuda do Google Ads afirma que a conta individual "não perderá o histórico de campanha próprio nem o acesso a quaisquer recursos do Google Ads", e que, ao desvincular, "as listas que dependem da tag compartilhada deixarão de ser preenchidas nessa conta".
- Relatório mensal chega tarde para o que decide o resultado. Segundo dados internos da Odonto Results, 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Obrigação legal, praxe de mercado e cortesia: três coisas diferentes
- O inventário: os ativos digitais que precisam estar no CNPJ da clínica
- Quem é titular: conta criada dentro da agência x conta criada no seu CNPJ
- Nível de acesso por plataforma: o que você retém e o que a agência precisa
- Conta gerenciadora (MCC): o que ela dá à agência e o que continua seu
- O que acontece tecnicamente no dia em que você desvincula a agência
- Dado de paciente é dado pessoal sensível: você é controladora, a agência é operadora
- Direito ao dado bruto: exportação de lead, log de conversa e evento de conversão
- Relatório mensal x dado ao vivo: por que o PDF fechado não serve
- As métricas que você precisa ver sem pedir
- Prestação de contas da verba: o extrato vem da plataforma, não da agência
- Criativos, peças e arquivos editáveis: durante o contrato, não só no fim
- Regras do CFO sobre imagem de procedimento: quem exatamente pode publicar
- Cláusulas que garantem acesso, exportação e devolução
- Checklist de auditoria dos acessos: 10 conferências que você faz sozinha
- 7 sinais de que o acesso que você recebeu é decorativo
- O que fazer quando a agência se recusa a dar acesso administrativo
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Quais acessos e dados a agência é obrigada a me dar durante o contrato?"
Você não está pedindo favor. Está pedindo para ver o que você paga.
E a resposta honesta começa por uma má notícia: não existe lei brasileira que diga "a agência deve conceder nível administrador na conta de anúncio". Nenhum conselho, nenhum órgão regulador, nenhum artigo.
O que existe é melhor que isso, e quase ninguém usa.
Existe propriedade de ativo (quem é o titular da conta, documentado pelas próprias plataformas), existe dever legal sobre dado de paciente (a LGPD te coloca como controladora e obriga você a verificar quem trata em seu nome), e existe responsabilidade solidária por publicidade (o Código de Ética Odontológica responsabiliza o proprietário pelo que sai publicado).
A prova de que o primeiro pilar é real está na própria documentação de quem opera a plataforma. A Ajuda do Google Ads afirma que, mesmo quando a conta de administrador tem a propriedade da conta de cliente, "a conta de cliente ainda é proprietária dos dados e pode remover o acesso de propriedade".
Junte os três pilares e o acesso deixa de ser negociação. Vira consequência.
Neste guia você vai ver:
- O que é obrigação legal, o que é praxe de mercado e o que é cortesia da agência
- O inventário de ativos que precisam estar no seu CNPJ, um por um
- O nível de acesso certo em cada plataforma, com a documentação oficial
- O que quebra de verdade no dia em que você desvincula a agência
- Como exigir dado ao vivo em vez de relatório fechado, e o checklist para auditar tudo
Obrigação legal, praxe de mercado e cortesia: três coisas diferentes
A maior parte das brigas por acesso acontece porque dono e agência estão discutindo categorias diferentes sem perceber.
Separe antes de cobrar:
| Camada | O que é | Exemplos | Se a agência negar |
|---|---|---|---|
| Obrigação legal | Vem de lei ou norma de conselho, independe do contrato | Seguir suas instruções como controladora do dado de paciente, manter registro das operações de tratamento, respeitar as regras de publicidade do CFO | É descumprimento legal, não desacordo comercial |
| Propriedade de ativo | Vem de quem é o titular da conta na plataforma | Conta de anúncio, portfólio de negócios, GA4, domínio, número de WhatsApp | Você remove o acesso dela, não o contrário |
| Praxe de mercado | Não é lei, mas é o padrão de quem trabalha sério | Acesso administrativo seu em todas as contas, leitura ao vivo dos painéis, exportação de leads sob demanda | É sinal de risco, e cabe no contrato |
| Cortesia | Trabalho extra que a agência faz porque quer | Relatório customizado, dashboard montado sob medida, apresentação mensal | Negar é legítimo, e não invalida nada acima |
Repare no que essa tabela resolve: você para de pedir como favor aquilo que é propriedade sua, e para de exigir como direito aquilo que é cortesia.
Lembre: acesso administrativo na sua própria conta não é concessão da agência. É a configuração padrão de quem é dono do ativo. Se virou negociação, o problema já aconteceu antes, na hora em que a conta foi criada no lugar errado.
O inventário: os ativos digitais que precisam estar no CNPJ da clínica
Antes de discutir nível de acesso, resolva titularidade. Nível de acesso dentro de uma conta que não é sua é decoração.
Faça este inventário linha por linha. Para cada ativo, você precisa saber uma coisa só: o CNPJ que aparece no cadastro é o seu?
| Ativo | Por que ele precisa ser seu | O que você retém | O que a agência precisa |
|---|---|---|---|
| Conta Google Ads | Carrega histórico, conversões e aprendizado de lance | Acesso de administrador e a propriedade da conta | Acesso padrão ou vínculo de conta gerenciadora |
| Portfólio de negócios (Meta) | É o guarda-chuva de página, conta de anúncio, pixel e catálogo | Controle total do portfólio | Parceria com acesso às tarefas de anúncio |
| Conta de anúncio Meta | Carrega histórico de campanha e aprendizado | Propriedade dentro do seu portfólio | Acesso para gerenciar campanha |
| Google Analytics 4 | É a leitura independente do que acontece no site | Função de administrador na propriedade | Função de editor, sem gerenciar usuários |
| Google Tag Manager | É onde mora a tag de conversão que prova o resultado | Acesso de administrador no contêiner | Publicar e editar versões |
| Search Console | É a leitura da busca orgânica pelo nome da clínica | Proprietário verificado | Usuário pleno |
| Domínio e DNS | Sem ele você não leva o site, o e-mail nem a marca | Titularidade no registrador, com seu e-mail | Acesso pontual e supervisionado, se necessário |
| Pixel e dataset de conversões | É o que alimenta a otimização das campanhas | Propriedade dentro do seu portfólio | Acesso para configurar eventos |
| Número e conta WhatsApp Business | É o canal onde o paciente chega e decide | Titularidade do número e da conta | Acesso operacional ao atendimento |
| Perfil da Empresa no Google | É o que traz paciente da busca local sem verba | Proprietário do perfil | Gerente |
| Site e código-fonte | Sem acesso, cada mudança depende de terceiro | Acesso ao repositório e à hospedagem | Acesso de publicação |
Onze linhas. Se você conseguir marcar as onze com "sim, está no meu CNPJ e eu sou administradora", o resto deste guia é ajuste fino. Se não conseguir, você achou o trabalho da semana.
O teste de uma pergunta só: se a agência sumisse hoje, sem aviso, você consegue entrar em cada um desses ativos sozinha, com um e-mail que é seu?
Se a resposta depende de alguém da agência atender o telefone, o ativo não é seu na prática.
Quem é titular: conta criada dentro da agência x conta criada no seu CNPJ
Esse é o ponto de virada do artigo inteiro, e ele se resolve numa única configuração, feita uma vez só, no começo da relação.
Existem dois arranjos possíveis, e eles não são equivalentes.
Arranjo 1: a agência cria a conta dentro da estrutura dela. Segundo a Ajuda do Google Ads sobre propriedade de contas de cliente, se um administrador criar uma conta nova, "ele automaticamente se tornará o proprietário dela". Sua conta nasce dentro da casa do outro.
Arranjo 2: a conta nasce no seu CNPJ e você convida a agência. A mesma documentação afirma que, se o administrador vincular uma conta que já existe, "ela, por padrão, não terá propriedade dessa conta" e que "a conta de cliente precisa autorizar a propriedade da conta de administrador". Sua conta nasce sua e continua sua.
A diferença entre os dois não aparece enquanto está tudo bem. Ela aparece no dia da saída.
E aqui vem o detalhe que reduz o pânico de muito dono: mesmo no arranjo 1, o dado não vira da agência. A documentação do Google é explícita ao dizer que os proprietários têm acesso administrativo total e privilégios de acesso a dados, "mas sem que isso retire os direitos administrativos ou de propriedade dos dados desse tipo de conta", e completa: "A conta de cliente ainda é proprietária dos dados e pode remover o acesso de propriedade."
Ou seja: propriedade de conta gerenciadora é um privilégio administrativo, não uma transferência de patrimônio.
Isso não torna o arranjo 1 aceitável. Só torna ele reversível.
Nível de acesso por plataforma: o que você retém e o que a agência precisa
Resolvida a titularidade, vem a pergunta prática. Qual nível você mantém e qual nível você concede?
A régua é sempre a mesma: você retém o nível que administra usuários; a agência recebe o nível que executa o trabalho. Quem controla a lista de usuários controla a conta.
Google Ads
A Ajuda do Google Ads sobre níveis de acesso documenta os níveis disponíveis, e a distinção que importa está no topo e na base da escala.
O nível Administrador é descrito na documentação oficial como o que permite "Conceder acesso à conta, alterar níveis de acesso". É esse verbo, conceder, que define o dono. Você mantém esse nível, sempre, com um e-mail que é seu e não da agência.
Na outra ponta, o nível Somente leitura permite "Visualizar campanhas e usar ferramentas de planejamento". Serve para o sócio, para o contador ou para uma auditoria externa olhar sem risco de quebrar nada.
O nível intermediário é o que a agência costuma precisar para trabalhar: editar campanha sem administrar usuário.
Google Analytics 4
A Ajuda do Google Analytics descreve a função Administrador como "Controle total do Google Analytics. Pode gerenciar usuários (adicionar/excluir usuários, atribuir qualquer função ou restrição de dados)".
E descreve a função Editor como "Controle total das configurações no nível da propriedade. Não pode gerenciar usuários, mas pode vê-los em uma propriedade".
Leia as duas frases juntas e o desenho se resolve sozinho. Editor mexe em tudo que é configuração e não mexe em gente. É exatamente o que a agência precisa, e exatamente o que você não deve entregar como administrador.
Search Console
A Ajuda do Search Console sobre proprietários, usuários e permissões define o Proprietário como quem "tem controle total sobre as propriedades no Search Console" e pode "adicionar e remover outros usuários, definir configurações, visualizar todos os dados e usar todas as ferramentas".
A mesma página traz um alerta que vale ouro para quem já perdeu acesso uma vez: "Cada propriedade precisa ter pelo menos um proprietário verificado. Caso contrário, nenhum usuário vai ter acesso a ela."
Para a agência, o nível Usuário pleno, descrito como quem "tem direitos de visualização a todos os dados e pode realizar algumas ações", resolve o trabalho.
Meta
No ambiente de negócios da Meta, o desenho conceitual é o mesmo, com nomes diferentes. Você mantém o controle total do portfólio de negócios (que é o guarda-chuva onde moram página, conta de anúncio, pixel e catálogo) e concede à agência uma parceria com acesso às tarefas de anúncio, não a posse dos ativos.
O erro clássico aqui não é o nível. É o portfólio: a conta de anúncio da clínica dentro do portfólio da agência. Aí não existe nível de acesso que te salve.
A tabela que resume tudo
| Plataforma | Nível que VOCÊ retém | Nível que a agência recebe | O que isso protege |
|---|---|---|---|
| Google Ads | Administrador | Padrão (editar sem administrar usuário) | A lista de quem entra na conta |
| Google Analytics 4 | Administrador | Editor | Usuários e restrições de dados |
| Google Tag Manager | Administrador do contêiner | Publicar e editar | A tag de conversão que prova o número |
| Search Console | Proprietário verificado | Usuário pleno | O acesso à propriedade inteira |
| Meta | Controle total do portfólio | Parceria com tarefas de anúncio | A posse de página, conta e pixel |
| Domínio e DNS | Titular no registrador | Acesso pontual, se houver | O site, o e-mail e a marca |
Se você quer aprofundar a lógica de concessão sem abrir mão do controle, escrevemos um guia dedicado a que nível de acesso dar para a agência sem perder o controle.
Conta gerenciadora (MCC): o que ela dá à agência e o que continua seu
Toda agência séria usa conta gerenciadora. Não é armadilha, é ferramenta de operação: permite gerir várias contas sem trocar de login, aplicar faturamento centralizado e compartilhar listas.
O que ela dá à agência, segundo a documentação oficial do Google Ads, quando ela é proprietária da sua conta: convidar e remover usuários, conceder ou revogar acesso administrativo, aceitar solicitações de vínculo, transferir a propriedade para outra conta de administrador e ajustar configurações de segurança.
É bastante poder. E é justamente por isso que o próprio Google registra uma ressalva na mesma página: a recomendação é que um administrador se torne proprietário somente se a conta de administrador exigir esses privilégios.
O que continua seu, na mesma documentação: a propriedade dos dados e o poder de remover o acesso de propriedade.
A leitura prática: conta gerenciadora vinculada à sua conta é normal. Conta gerenciadora proprietária da sua conta é uma escolha que você faz de olhos abertos, e que dá para desfazer.
A pergunta que você leva para a reunião é simples. Não é "vocês usam MCC?". É: "a propriedade da minha conta está com vocês ou comigo?"
O que acontece tecnicamente no dia em que você desvincula a agência
Essa seção existe porque o medo de perder tudo é o que faz muito dono aceitar acesso ruim por anos. Vamos ao que a documentação oficial diz, item por item.
O histórico da conta fica. A Ajuda do Google Ads sobre desvinculação afirma que, ao desvincular uma conta individual de uma conta de administrador, "A conta individual não perderá o histórico de campanha próprio nem o acesso a quaisquer recursos do Google Ads". Você não começa do zero.
As listas de remarketing compartilhadas quebram. A mesma página é direta: ao desvincular uma conta que usa a tag de remarketing ou qualquer lista compartilhada da conta de administrador, "as listas que dependem da tag compartilhada deixarão de ser preenchidas nessa conta, e a conta perderá o acesso a todas as listas compartilhadas do administrador". Grupos de anúncios que segmentavam por essas listas param de ser exibidos.
A tag de conversão de várias contas para de contar o novo. Ainda na mesma documentação: se você desvincular uma conta que usava a tag de acompanhamento de conversões de várias contas, "essa tag não registrará mais conversões para os cliques que ocorrerem depois da desassociação", embora continue registrando as conversões dos cliques anteriores durante toda a janela de conversão, "normalmente de 30 dias". Se a conta tinha tag própria instalada no site, ela retoma o monitoramento.
O faturamento pode derrubar a veiculação. O detalhe que mais pega gente desprevenida: se a conta usa faturamento mensal e a conta de administrador desvinculada era a pagadora, a conta "deixará de veicular anúncios depois da desvinculação". A documentação orienta criar a configuração de faturamento antes de realizar o procedimento.
Traduzindo para a sua agenda:
| O que você temia perder | O que de fato acontece | O que fazer antes de desvincular |
|---|---|---|
| Histórico da conta | Fica com você | Nada |
| Aprendizado de campanha | Fica na conta | Nada |
| Listas de remarketing compartilhadas | Param de ser preenchidas e você perde o acesso | Ter tag própria e listas próprias antes |
| Tag de conversão de várias contas | Para de contar cliques novos | Instalar e validar tag própria antes |
| Veiculação dos anúncios | Pode parar, se o pagador era a agência | Criar a configuração de faturamento antes |
Repare no padrão: nada que é seu quebra. Quebra o que estava compartilhado.
Por isso a pergunta de auditoria não é "vou perder o histórico?". É: "o que na minha operação hoje depende de um ativo que mora na conta da agência?"
Dado de paciente é dado pessoal sensível: você é controladora, a agência é operadora
Aqui a conversa sai do técnico e entra no legal, e é a camada que dá musculatura a todo o resto.
A Lei 13.709/2018 (LGPD) define, no artigo 5º, que dado pessoal sensível inclui "dado referente à saúde ou à vida sexual", quando vinculado a uma pessoa natural. Nome mais telefone mais "quero fazer implante" é isso.
A mesma lei define dois papéis que decidem tudo:
- Controlador: "pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais". Essa é a sua clínica.
- Operador: "pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador". Essa é a agência.
E o artigo 39 costura as duas pontas: "O operador deverá realizar o tratamento segundo as instruções fornecidas pelo controlador, que verificará a observância das próprias instruções e das normas sobre a matéria."
Leia de novo a segunda metade. Você não tem só o direito de verificar. Você tem o dever.
Verificar sem acesso não existe. É por isso que acesso deixa de ser gentileza: sem ele, você está legalmente impedida de cumprir uma obrigação que é sua.
Três consequências práticas caem daí:
- Registro das operações. O artigo 37 determina que controlador e operador devem manter registro das operações de tratamento que realizarem. Isso significa que a agência tem que saber dizer o que faz com o dado, e você tem que ter isso documentado.
- Responsabilidade solidária quando ela erra. O artigo 42 prevê que o operador responde solidariamente pelos danos quando descumprir as obrigações da legislação de proteção de dados ou quando não tiver seguido as instruções lícitas do controlador, hipótese em que "o operador equipara-se ao controlador". Vazamento na mão da agência não é problema só da agência, e é exatamente por isso que você quer o dado também do seu lado.
- Você responde ao paciente, não a agência. O artigo 18 dá ao titular do dado o direito de obter do controlador, a qualquer momento e mediante requisição, a confirmação da existência de tratamento, o acesso aos dados, a correção e a portabilidade. O paciente vai cobrar você, a clínica. Se o cadastro dele mora só num sistema da agência ao qual você não tem acesso, você não consegue responder.
E o princípio do livre acesso, no artigo 6º, reforça o desenho: a lei exige garantir ao titular "consulta facilitada e gratuita sobre a forma e a duração do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais". Quem garante isso é o controlador. Você.
Lembre: a agência é operadora do seu dado, não dona dele. Contrato de marketing que não define quem é controlador, o que a operadora pode tratar, por quanto tempo e como devolve, está incompleto em uma dimensão que não é comercial, é legal.
Direito ao dado bruto: exportação de lead, log de conversa e evento de conversão
Dado bruto é o que existe antes de alguém escolher como apresentar. É ele que você precisa poder puxar, a qualquer hora, sem pedir.
Coloque estes quatro itens no contrato como exportação sob demanda, em formato aberto (CSV ou planilha), e não como "relatório":
- Lista de leads com origem e horário. Um lead sem carimbo de origem e de horário é um número. Com carimbo, é diagnóstico: você descobre que campanha traz paciente e que campanha traz curioso.
- Log das conversas de atendimento. É onde o resultado de verdade acontece. Anúncio bom com atendimento lento vira lead caro que não comparece.
- Eventos de conversão configurados. Quais eventos existem, o que cada um dispara, qual janela de atribuição. Sem isso, "conversão" é uma palavra sem definição, e duas agências podem reportar números diferentes para a mesma realidade.
- Histórico de alterações das contas. O que mudou, quando e por quem. É o extrato bancário da operação de mídia.
O formato importa tanto quanto o conteúdo. PDF não é exportação. Print não é exportação. Imagem colada em slide não é exportação. Se você não consegue abrir, filtrar e somar, você não recebeu o dado, recebeu a opinião de alguém sobre o dado.
Já tratamos em detalhe do caso em que a agência só mostra print de painel e você precisa validar o número.
Relatório mensal x dado ao vivo: por que o PDF fechado não serve
Relatório mensal tem uma função legítima: contar a história do mês e propor o próximo passo. O problema começa quando ele é a única fonte.
Três defeitos estruturais, independentes de quem escreve o relatório:
1. Chega tarde. Suponha um erro de configuração que começa logo no início do mês: ele só aparece para você no relatório do mês seguinte. Um ciclo inteiro de verba passando por um funil quebrado.
2. Mostra o recorte que alguém escolheu. Não é necessariamente má-fé. É que toda apresentação é uma seleção, e a seleção tende a favorecer quem seleciona.
3. Não cobre a hora em que a decisão acontece. Segundo dados internos da Odonto Results, 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026. Quase metade do movimento acontece quando ninguém está olhando, e um PDF mensal não tem como te mostrar isso enquanto dá para agir.
E a janela de decisão é curta. Segundo dados internos da Odonto Results, entre os leads que agendam, metade fecha em até 34 minutos e 53,6% em menos de 1 hora. Base: 3.148 agendamentos. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Um relatório que só chega no fechamento do mês não conversa com um paciente que decide em menos de uma hora.
O que exigir no lugar: não um relatório melhor. Acesso contínuo.
| Em vez de | Exija |
|---|---|
| PDF mensal com gráfico de leads | Acesso de leitura à conta de anúncio, aberta quando você quiser |
| Print do painel de conversões | Acesso ao GA4 e ao gerenciador de tags |
| Número de leads informado pela agência | Exportação da lista com origem e horário |
| "O custo por lead está bom" | O extrato de faturamento da própria plataforma |
| Resumo do atendimento | Log das conversas e latência da primeira resposta |
Relatório mensal continua existindo. Só muda de papel: vira a interpretação do dado que você já podia ver, não a única prova de que ele existe.
As métricas que você precisa ver sem pedir
Acesso sem métrica definida vira painel bonito que ninguém olha. Defina no contrato quais números ficam visíveis o tempo todo.
| Métrica | O que ela responde | Onde você lê ao vivo | Sinal de alerta |
|---|---|---|---|
| Custo por lead | Quanto custa a oportunidade | Conta de anúncio | Só reportado pela agência, nunca aberto |
| Latência da primeira resposta | Quanto tempo o lead espera | Ferramenta de atendimento | Ninguém mede, ou mede só a média do mês |
| Taxa de resposta do lead | Se a abordagem engaja ou espanta | Log de conversas | Não existe no relatório |
| Lead para agendamento | Se a oportunidade vira agenda | Ferramenta de atendimento e agenda | Reportado sem denominador |
| Comparecimento | Se a agenda vira paciente na cadeira | Sistema da clínica | Tratado como "problema da clínica" |
| Custo por paciente que compareceu | O número que decide a verba | Cruzamento dos anteriores | Nunca calculado |
As duas últimas linhas são onde mora a diferença entre marketing e resultado. Lead é intenção; paciente na cadeira é faturamento.
Para calibrar a conversa, dois números nossos, cada um com o recorte dele.
Segundo dados internos da Odonto Results, 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.
E sobre velocidade, que é a métrica que quase nunca aparece em relatório de agência: segundo dados internos da Odonto Results, a IA de Agendamento responde o primeiro lead em 5,7 segundos na mediana (99,2% em até 60 segundos). Base: IA de Agendamento da Odonto Results no WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Você não precisa desses números como meta. Precisa deles como referência do que é possível medir. Se a sua operação não consegue nem responder qual é a latência da primeira resposta, o problema não é a campanha.
Prestação de contas da verba: o extrato vem da plataforma, não da agência
Verba de mídia é dinheiro seu passando por conta de terceiro. Prestação de contas aqui tem uma regra única, e ela é binária.
O comprovante de investimento é o extrato de faturamento da própria plataforma, lido por você, dentro da conta. Não é a planilha da agência. Não é a linha na nota fiscal. Não é o print.
Três configurações possíveis, três níveis de transparência:
- Cartão da clínica na conta da clínica. Você vê a cobrança no seu extrato bancário e o faturamento dentro da plataforma. Transparência total, sem esforço.
- A agência paga e repassa. Funciona, desde que você tenha acesso de leitura ao faturamento na plataforma para conferir. Sem esse acesso, você está confiando numa planilha.
- Faturamento centralizado na conta gerenciadora da agência. É comum e não é irregular, mas exige contrato explícito sobre o que você consegue ver e o que acontece na saída (lembre do efeito na veiculação quando o pagador é desvinculado).
A pergunta que resolve: "eu consigo abrir a plataforma agora e ver quanto foi gasto ontem?" Se a resposta é não, você não tem prestação de contas, tem confiança.
E se a verba passa pela conta da agência, o acesso de leitura ao faturamento é o que separa repasse de margem embutida. Sem ele, os dois parecem a mesma coisa no seu extrato.
Criativos, peças e arquivos editáveis: durante o contrato, não só no fim
Aqui mora uma zona cinzenta real, e vale separar o que é praxe do que é negociação.
O que é razoável exigir durante o contrato:
- Peças publicadas em alta resolução, no formato final, conforme são veiculadas.
- Fotos e vídeos originais produzidos na sua clínica, com os seus pacientes e a sua equipe. Isso é matéria-prima sua, produzida no seu espaço.
- Textos de anúncio e de página, em arquivo aberto.
- Biblioteca organizada, com o que está no ar hoje e o que já rodou.
O que costuma ser negociado, não presumido:
- Arquivos editáveis de layout (os projetos abertos das peças). Muita agência trata como método proprietário. Se você quer, negocie na assinatura, não na rescisão.
- Templates e sistemas de design criados pela agência para uso geral.
O que é claramente seu, sempre: a marca, o logotipo em vetor, o material fotográfico feito na clínica e qualquer coisa que você pagou como produção específica.
A regra prática que evita a briga inteira: peça a entrega periódica, não a entrega final. Uma pasta compartilhada, atualizada a cada ciclo, com o que foi publicado. Entrega final é promessa; entrega contínua é fato.
É a diferença entre estar tranquila e viver o cenário de quem descobre tarde que a agência não entrega os arquivos de marca no fim do contrato.
Regras do CFO sobre imagem de procedimento: quem exatamente pode publicar
Essa seção não é sobre acesso. É sobre por que o acesso ao que está publicado importa tanto para você, dono.
O ponto que quase toda clínica erra: a permissão de publicar imagem de antes e depois não é da clínica.
O Conselho Federal de Odontologia, ao explicar a Resolução CFO-196/2019, é literal: "Não estão autorizadas imagens de diagnóstico e da conclusão de procedimento por pessoas jurídicas, as clínicas. A regulamentação é clara: a divulgação é permitida apenas por quem realiza o procedimento, ou seja, a divulgação do próprio Cirurgião-Dentista que executou o procedimento."
E o conselho acrescenta o requisito de identificação: nas imagens deve constar o nome do profissional que realizou o procedimento e o número da inscrição junto ao respectivo CRO.
Como o dono opera como pessoa jurídica, isso significa que o perfil da clínica não é o lugar dessa publicação, e a agência não pode fazer isso em nome da clínica.
E por que isso é um assunto de acesso? Por causa de quem paga a conta se der errado.
O Código de Ética Odontológica, aprovado pela Resolução CFO-118/2012, diz no artigo 1º que regula os direitos e deveres "do cirurgião-dentista, profissionais técnicos e auxiliares, e pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia". A clínica está dentro, não fora.
E o artigo 45 é a frase que você precisa levar para a reunião com a agência: "Pela publicidade e propaganda em desacordo com as normas estabelecidas neste Código respondem solidariamente os proprietários, responsável técnico e demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida de sua culpabilidade."
Solidariamente. Proprietários.
O artigo 46 fecha o cerco: as normas desse capítulo aplicam-se também a todos aqueles que exerçam a Odontologia, "ainda que de forma indireta, sejam pessoas físicas ou jurídicas, tais como: clínicas, policlínicas, operadoras de planos de assistência à saúde, convênios de qualquer forma, credenciamentos ou quaisquer outras entidades".
Daí sai uma exigência de acesso que não é sobre dado, é sobre publicação:
- Fluxo de aprovação documentado para qualquer peça com imagem de paciente, com registro de quem aprovou.
- Acesso de leitura ao que está no ar nos perfis e na biblioteca de anúncios, a qualquer momento.
- Cláusula de responsabilidade definindo que a agência segue as normas do CFO e responde pelo que publicar sem aprovação.
Lembre: anúncio fora da norma publicado pela agência não vira problema da agência sozinha. O proprietário responde solidariamente. Acesso ao que está publicado é autodefesa, não curiosidade.
Cláusulas que garantem acesso, exportação e devolução
Tudo acima vira letra morta se o contrato não fixar. Estas são as cláusulas que fazem diferença, escritas no nível de especificidade que evita interpretação.
- Titularidade dos ativos. Listar nominalmente cada ativo (conta de anúncio, portfólio, GA4, GTM, Search Console, domínio, pixel, número de WhatsApp, perfil no Google) e declarar que todos são de titularidade da clínica, com a agência atuando por acesso concedido.
- Nível de acesso mínimo garantido. Escrever o nível, por plataforma, que a clínica mantém durante toda a vigência. Sem isso, "acesso" é uma palavra elástica.
- Exportação sob demanda. Prazo em dias úteis para entregar lista de leads, log de conversas e eventos de conversão em formato aberto, quantas vezes forem solicitados.
- Papéis da LGPD. Declarar a clínica como controladora e a agência como operadora, definir finalidade e prazo de tratamento, exigir registro das operações e obrigar a comunicação imediata de incidente.
- Devolução e eliminação na saída. O que é devolvido, em quanto tempo, em qual formato, e o compromisso de eliminar as cópias residuais ao fim do tratamento.
- Publicidade e CFO. A agência se obriga a seguir as normas do conselho e não publica peça com imagem de paciente sem aprovação registrada do profissional executante.
- Continuidade técnica. A agência não configura ativo crítico (tag de conversão, lista, pixel) de forma que dependa exclusivamente da estrutura dela.
- Transição assistida. Prazo definido de apoio à passagem de bastão, com o que exatamente é transferido.
A cláusula 8 é a que mais se paga sozinha, e é onde o combinado de saída se cruza com o financeiro. Vale ler junto o guia sobre cláusula de saída e multa rescisória no contrato com a agência.
Checklist de auditoria dos acessos: 10 conferências que você faz sozinha
Faça este roteiro com seu próprio e-mail, sem avisar a agência. Não é desconfiança, é rotina, do mesmo jeito que você confere o caixa.
- Google Ads. Entre na conta. Vá em Administrador, Acesso e segurança. Você aparece como Administrador? Quais contas de administrador estão vinculadas? Alguma consta como proprietária?
- Meta. Abra as configurações do negócio. A conta de anúncio e a página estão dentro do SEU portfólio, ou aparecem como compartilhadas por um portfólio de terceiro?
- Google Analytics 4. Em Administrador, Gerenciamento de acesso à propriedade, confirme que você tem a função de Administrador e veja quem mais tem.
- Google Tag Manager. Confira se você é administrador do contêiner e abra o histórico de versões: quem publicou a última mudança e quando?
- Search Console. Em Configurações, Usuários e permissões, confirme que você é proprietário verificado. Se a página nem abre para você, você não é.
- Domínio. Entre no registrador. O titular é o seu CNPJ e o e-mail de contato é seu? Quando vence?
- WhatsApp Business. O número está em um chip ou conta que a clínica controla, ou em um dispositivo da agência?
- Perfil da Empresa no Google. Você é proprietária do perfil ou apenas gerente de um perfil que outra conta possui?
- Pixel e eventos. Abra a ferramenta de eventos e confira quais eventos existem e quando cada um disparou pela última vez. Evento parado há semanas é rastreamento quebrado.
- Exportação. Peça agora, por escrito, a lista completa de leads do período do contrato, com origem e horário. O prazo e o formato da resposta dizem mais sobre a relação do que qualquer reunião.
Anote o resultado das dez linhas. Cada "não" é um item de pauta, com nome e endereço.
7 sinais de que o acesso que você recebeu é decorativo
Acesso decorativo é pior que acesso nenhum, porque produz a sensação de controle sem o controle.
- Você tem somente leitura em tudo, inclusive no que é seu por titularidade. Leitura audita, não protege.
- A conta está dentro do CNPJ ou do portfólio da agência. O nível de acesso vira irrelevante quando o ativo não é seu.
- O e-mail cadastrado é da agência, ou é um e-mail genérico da clínica que só a agência acessa.
- Existe painel, mas não existe fonte. Um dashboard bonito que você não consegue conferir na plataforma de origem é um relatório com outra roupa.
- Você vê agregado, nunca linha a linha. Total de leads sem a lista, total de conversões sem os eventos, total gasto sem o extrato.
- Pedido de exportação vira reunião. Quando "me manda o CSV" é respondido com "vamos marcar uma call para explicar", a resposta é não.
- Ninguém sabe dizer quem tem acesso. Se a agência não consegue listar de imediato todos os usuários das suas contas, o controle de acesso não existe de nenhum lado.
Três ou mais desses sinais juntos não são um problema técnico. São um retrato da relação.
O que fazer quando a agência se recusa a dar acesso administrativo
Recusa acontece. Nem sempre por má-fé: às vezes é processo interno mal desenhado, às vezes é medo de o cliente quebrar a conta, às vezes é retenção por dependência. O caminho é o mesmo, em degraus.
Degrau 1: peça por escrito, com fundamento. E-mail curto, prazo objetivo, três âncoras: a titularidade do ativo, o dever de verificação que a LGPD impõe ao controlador (artigo 39) e a responsabilidade solidária do proprietário por publicidade, prevista no Código de Ética Odontológica. Fundamento muda o tom da conversa.
Degrau 2: aceite o meio-termo temporário. Se a resistência é sobre risco de alteração indevida, proponha leitura total agora e administrador em prazo curto, com treinamento. Quem tem o que mostrar aceita.
Degrau 3: construa a sua estrutura em paralelo. Isso você faz sem pedir licença. Crie conta de anúncio, portfólio de negócios, propriedade do GA4 e contêiner do GTM no seu CNPJ, com e-mail seu, e convide a agência para lá. Daqui para a frente, o novo nasce certo.
Degrau 4: escale com prazo e consequência. Notificação formal citando as cláusulas do contrato, com prazo e a consequência prevista. Se não houver cláusula, esse é o momento de descobrir, e de não repetir o erro no próximo contrato.
Degrau 5: trate a recusa como o dado que ela é. Agência que trabalha bem não tem motivo para esconder a conta. A recusa sustentada, depois de pedido formal e fundamentado, costuma dizer uma de três coisas: o resultado não é o que o relatório diz, o ativo não está no seu nome, ou a retenção depende da sua dependência.
Nenhuma das três melhora com o tempo.
Seu próximo passo
- Rode o checklist das 10 conferências hoje, com o seu e-mail, sem avisar ninguém. Anote cada "não". Em menos de uma tarde você sai com o mapa real da sua operação digital, que provavelmente é diferente do que você imagina.
- Resolva a titularidade antes do nível de acesso. Para cada ativo que não está no seu CNPJ, crie o equivalente no seu nome e convide a agência. Nível de acesso dentro de conta alheia não protege nada.
- Troque relatório por leitura ao vivo no contrato. Fixe as oito cláusulas de acesso, exportação e devolução, e defina as métricas que ficam visíveis o tempo todo, incluindo latência da primeira resposta, lead para agendamento e comparecimento.
Quer que a sua operação de captação seja medida do anúncio ao paciente na cadeira, com você enxergando o dado ao vivo em vez de esperar o fechamento do mês? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Existe lei que obriga a agência a me dar acesso às contas de anúncio?
Não existe norma que liste níveis de acesso de plataforma. O que existe é contrato e a LGPD. A Lei 13.709/2018 coloca a clínica como controladora do dado de paciente e a agência como operadora, e o artigo 39 diz que o operador trata segundo as instruções do controlador, "que verificará a observância das próprias instruções". Verificar sem acesso não existe, e é isso que transforma acesso em dever contratual.
A agência pode criar a conta de anúncio dentro do CNPJ dela?
Pode, e é justamente o arranjo que você deve recusar. Segundo a Ajuda do Google Ads, se um administrador cria uma conta nova, ele automaticamente se torna o proprietário dela; se vincula uma conta que já existe, por padrão não tem propriedade. Conta que nasce dentro da agência nasce com a propriedade lá. Peça que a conta nasça no seu CNPJ e convide a agência.
O que eu perco quando desvinculo a agência do Google Ads?
Menos do que dizem, mas não é zero. A Ajuda do Google Ads afirma que a conta individual não perde o histórico de campanha próprio nem o acesso aos recursos. O que quebra é o que estava compartilhado: listas que dependem da tag compartilhada param de ser preenchidas, a conta perde acesso às listas compartilhadas do administrador, e se o administrador era o pagador no faturamento mensal a conta para de veicular.
Relatório mensal em PDF conta como prestação de contas?
Conta como resumo, não como prestação de contas. Prestação de contas é você abrir a própria plataforma e ver o extrato de faturamento, o histórico de alterações e a lista de leads com origem e horário. O PDF é a versão que alguém escolheu te mostrar; a conta é o que aconteceu.
A agência pode publicar foto de antes e depois dos meus pacientes?
A clínica, como pessoa jurídica, não está autorizada a essa divulgação. O Conselho Federal de Odontologia é explícito ao dizer que a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. Quem publica é o profissional, não o perfil da clínica nem a agência em nome dela.
A agência se recusa a me dar acesso de administrador. O que eu faço?
Formalize por escrito, com prazo e fundamento: propriedade do ativo, dever de verificação da LGPD e responsabilidade solidária por publicidade prevista no Código de Ética Odontológica. Em paralelo, crie sua própria estrutura (conta de anúncio, portfólio, GA4, domínio) no seu CNPJ e convide a agência para ela. Recusa de acesso administrativo é um dado sobre a relação, não um detalhe técnico.