A agência deixou minha conta de anúncio ser bloqueada: de quem é a responsabilidade?
Conta de anúncio bloqueada tem três credores diferentes, e eles não se substituem. Perante a plataforma responde o titular, perante o CRO responde a clínica e o responsável técnico, e da agência você cobra no contrato. Veja como separar cada camada, o que fazer nas primeiras horas e quais cláusulas decidem o caso antes dele acontecer.
Perante a plataforma responde o titular da conta, quase sempre a sua clínica. Perante o CRO responde a clínica e o responsável técnico. Da agência você cobra no contrato, por culpa na execução e por falta de prestação de contas.
- No Google Ads, uma violação grave suspende a conta imediatamente e sem aviso prévio. Nas demais violações que levam à suspensão, o aviso descrevendo a violação e a ação corretiva possível é enviado pelo menos sete dias antes, segundo a Ajuda das Políticas do Google Ads.
- O bloqueio se espalha pelo meio de pagamento. A Ajuda das Políticas do Google Ads diz que todas as contas relacionadas (o exemplo dado pelo próprio Google é usarem a mesma forma de pagamento) e as contas novas que você criar são suspensas automaticamente.
- A responsabilidade ética não é terceirizável. O Código de Ética Odontológica publicado pelo CFO regula também as pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia (art. 1º) e, pela publicidade e propaganda em desacordo com as normas do Código, prevê que respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida de sua culpabilidade (art. 45).
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- A resposta curta: três responsabilidades, três credores
- De quem é a conta de anúncio? Titularidade, acesso e gestão são coisas diferentes
- O papel de Admin no Business Manager: o acesso que muda quem responde
- Níveis de acesso do Google Ads e a propriedade em conta de administrador
- Como a Meta trata a violação (e o que ela diz ser responsabilidade sua)
- Como o Google suspende: violação grave, aviso de sete dias e contestação
- O efeito cascata: por que o cartão espalha o bloqueio
- Verificação do anunciante: a armadilha do CNPJ da agência
- Por que clínica odontológica leva bloqueio com mais frequência
- A responsabilidade ética não terceiriza: o que o CRO cobra de você
- Imagem de antes e depois: quem pode publicar, segundo a Resolução CFO-196/2019
- A responsabilidade civil da agência: obrigação de meio, prestação de contas e culpa na execução
- As cláusulas que decidem esse caso antes dele acontecer
- Protocolo das primeiras horas depois do bloqueio
- Plano de contingência de mídia enquanto a conta está fora
- O custo real dos dias parados
- Auditoria de exposição: o checklist para rodar hoje
- Quando a culpa é de fato da agência e o que dá para cobrar
- Prevenção de criativo: o fluxo de aprovação com o responsável técnico
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"A agência deixou minha conta de anúncio ser bloqueada, de quem é a responsabilidade?"
A pergunta parece jurídica. Na prática, ela é de titularidade.
Quando a conta cai, a sua clínica para de aparecer, o WhatsApp esfria em poucas horas e a agenda das próximas semanas começa a abrir buraco. E aí surge a conversa errada: quem tem culpa.
A conversa certa é outra. Existem três responsabilidades diferentes, com três credores diferentes, e elas não se substituem. A plataforma cobra do titular da conta. O CRO cobra da clínica e do responsável técnico. Você cobra da agência, mas só até onde o contrato e a prova permitem.
Neste guia você vai ver:
- De quem é de fato a conta de anúncio, e por que titularidade, acesso e gestão são coisas diferentes
- Como a Meta e o Google bloqueiam, com o que cada um publica sobre aviso, cascata e contestação
- Por que clínica odontológica leva bloqueio com mais frequência que outros nichos
- O que o Código de Ética Odontológica cobra de você, independente de quem operou a conta
- O protocolo das primeiras horas, o plano de contingência e as cláusulas que evitam a próxima
A resposta curta: três responsabilidades, três credores
Antes de abrir o contrato, separe as camadas. É isso que destrava a decisão.
1. Responsabilidade perante a plataforma. Quem responde é o titular da conta e do ativo. Nos Padrões de Publicidade publicados no Transparency Center, a Meta atribui ao anunciante a responsabilidade de entender e cumprir as políticas, os Termos de Serviço e também as leis e os regulamentos locais. Não existe figura de "a agência operava, então a agência responde" nessa camada.
2. Responsabilidade ética perante o conselho. Quem responde é a clínica e o responsável técnico. Essa camada não terceiriza, não importa quem clicou em publicar.
3. Responsabilidade contratual e civil da agência. Aqui sim você cobra. Mas o que você cobra depende de cláusula escrita, de prova de culpa na execução e de dever de prestação de contas.
Lembre: ganhar a discussão com a agência não reativa a sua conta. As camadas 1 e 2 continuam sendo suas enquanto você discute a camada 3.
De quem é a conta de anúncio? Titularidade, acesso e gestão são coisas diferentes
Esse é o ponto que quase toda clínica descobre tarde demais: no dia do bloqueio.
Titularidade é quem é dono do ativo. Acesso é quem consegue entrar. Gestão é quem opera no dia a dia. Uma agência pode ter as três, ou só a última.
No lado da Meta, o divisor é onde a conta de anúncio nasceu:
- Business Manager da própria clínica, com a conta de anúncio criada lá dentro: o ativo é seu. A agência entra como parceira, com acesso concedido e revogável.
- Business Manager da agência, com a conta criada lá dentro: o ativo nasce dela. Você opera dentro da casa do fornecedor.
No lado do Google Ads, o divisor é quem criou a conta:
- Conta Google Ads da clínica, vinculada à conta de administrador (MCC) da agência: a conta continua sua. O vínculo é gerencial e você pode remover o acesso de propriedade da MCC.
- Conta criada pela MCC da agência: ela nasce sob aquela estrutura, e a saída é bem mais trabalhosa.
| Arranjo | Quem é titular | Quem abre o recurso no bloqueio | Risco para a clínica |
|---|---|---|---|
| BM da clínica, agência como parceira | Clínica | Clínica, com apoio da agência | Baixo |
| BM da agência, clínica com acesso | Agência | Agência | Alto, você depende de terceiro |
| Conta Google Ads própria vinculada à MCC | Clínica | Clínica | Baixo |
| Conta Google Ads criada pela MCC | Estrutura da agência | Agência | Alto |
| Cartão da agência pagando a mídia | Agência | Agência | Alto, cascata por meio de pagamento |
Se você ainda não fez essa conferência, comece por aqui: de quem ficam a conta de anúncios e o pixel quando você troca de agência.
O papel de Admin no Business Manager: o acesso que muda quem responde
Admin no Business Manager da Meta não é "um acesso mais completo". É o controle da casa.
Quem é admin adiciona e remove pessoas, adiciona e remove outros admins, conecta e desconecta ativos (conta de anúncio, Página, conta do Instagram, pixel, catálogo) e altera configurações de negócio.
Entregar admin para um fornecedor externo troca a natureza da relação. Você deixa de contratar operação e passa a compartilhar governança.
E é por isso que essa escolha aparece no dia do bloqueio: se a restrição atinge o Business Account, quem tem admin é quem consegue mexer, e quem não tem fica olhando.
O padrão saudável é simples: a clínica mantém pelo menos dois admins internos (dono e uma pessoa de confiança da gestão), e a agência entra com o papel operacional necessário, nada além.
Níveis de acesso do Google Ads e a propriedade em conta de administrador
O Google Ads é mais granular que a Meta, e isso joga a seu favor.
Os níveis de acesso vão de administrador (controle total, inclusive de usuários) até padrão (opera campanha, não mexe em usuário), somente leitura (vê e exporta, não altera), acesso apenas por e-mail (recebe relatório) e acesso de faturamento (mexe só na parte financeira).
Repare no que isso permite: a agência não precisa de administrador para trabalhar. Acesso padrão cobre a operação inteira de campanha.
E existe uma camada acima dessa, que é a que costuma passar despercebida: em conta de administrador (MCC), a conta de cliente continua dona dos próprios dados e pode remover o acesso de propriedade da MCC. Quem concede, revoga.
O teste prático: entre na sua conta agora e veja quem tem administrador. Se o único administrador for um e-mail com domínio da agência, você não é dono operacional da sua própria conta.
Como a Meta trata a violação (e o que ela diz ser responsabilidade sua)
A Meta trabalha com duas frentes: análise do anúncio antes da veiculação e monitoramento contínuo do comportamento do anunciante.
A análise inicial olha texto, imagem, vídeo e o destino do anúncio, incluindo a landing page. O monitoramento vai além do anúncio isolado e observa o histórico do anunciante.
Quando a Meta entende que houve violação, a restrição pode atingir vários níveis de uma vez: a conta de anúncio, a Página, a conta de usuário de quem operou e o próprio Business Account. Não é um anúncio reprovado, é um conjunto de ativos fora do ar.
E aqui está a frase que decide a conversa com a sua agência: nos Padrões de Publicidade, a Meta coloca no anunciante o dever de entender e cumprir as políticas, os Termos de Serviço e também as leis e regulamentos locais.
Traduzindo para a sua realidade: se a conta é da clínica, a plataforma entende que a clínica é a anunciante. Quem operou o computador é assunto entre você e o fornecedor.
Como o Google suspende: violação grave, aviso de sete dias e contestação
O Google publica o processo de forma mais literal, e isso facilita a sua vida na hora de cobrar.
Segundo a Ajuda das Políticas do Google Ads, quando o Google detecta uma violação grave, a conta é suspensa imediatamente e sem aviso prévio.
Já nas outras violações que levam à suspensão, o Google envia um aviso descrevendo o tipo de violação e a ação corretiva possível, e essa notificação sai pelo menos sete dias antes da suspensão.
Guarde esse detalhe. Ele é uma prova contratual poderosa.
Se a sua conta caiu por violação não grave, existiu um aviso com pelo menos sete dias de antecedência. Alguém recebeu esse aviso e não agiu. Pergunte para a agência quem recebeu a notificação, em que data, e o que foi feito nesses dias. A resposta separa acidente de negligência.
A mesma página do Google diz o que acontece com a conta suspensa: todos os anúncios deixam de ser exibidos, e o Google não aceita mais publicidade daquele anunciante, a menos que ele envie uma contestação.
Ou seja: o caminho de volta existe, é o recurso, e ele precisa ser aberto por quem tem acesso legítimo à conta.
O efeito cascata: por que o cartão espalha o bloqueio
Esta é a parte que costuma transformar um problema em uma crise.
A Ajuda das Políticas do Google Ads afirma que, com a conta suspensa, todas as contas relacionadas (o exemplo dado pelo próprio Google é aquelas que usam a mesma forma de pagamento) e as contas novas que você criar são suspensas automaticamente.
Pense no que isso significa quando a agência paga a sua mídia com o cartão dela.
Esse cartão paga outras contas. Se uma delas cai, o sinal de relação existe. E se você mantém uma conta secundária para uma segunda unidade, no mesmo cartão, ela entra junto.
A recomendação é direta: a mídia da sua clínica é paga por um meio de pagamento da sua clínica, exclusivo dela. Não é assunto financeiro, é assunto de contenção de risco.
E, pelo mesmo motivo, criar conta nova para "continuar rodando" é o pior movimento possível no Google Ads. Você não contorna a suspensão, você amplia o alcance dela.
Verificação do anunciante: a armadilha do CNPJ da agência
O Google Ads exige verificação do anunciante, e o efeito do processo é prático: enquanto a verificação não é concluída, a conta fica parada.
O problema aparece quando a verificação foi feita com os documentos da agência, porque foi ela que abriu a conta.
Nesse arranjo, o anunciante verificado perante o Google é a agência, não a sua clínica. Se a relação azeda, se a agência some, ou se a conta precisa ser reverificada no meio de um bloqueio, você depende de um terceiro para provar quem você é.
Confira hoje em que CNPJ a sua conta está verificada. Se a resposta for "no da agência", isso entra na sua lista de correções antes da próxima renovação de contrato.
Por que clínica odontológica leva bloqueio com mais frequência
Odontologia é saúde, e saúde é território sensível nas duas plataformas. Alguns padrões de criativo concentram a maior parte dos bloqueios que você vai ver:
- Imagem de antes e depois. É o criativo que mais converte e o que mais derruba conta, na plataforma e no conselho.
- Afirmação de inferioridade sobre aparência física. Anúncio que sugere que o corpo, o sorriso ou os dentes da pessoa estão errados cruza a linha de atributos pessoais.
- Uso de atributos pessoais. Texto que trata o leitor como se a plataforma soubesse a condição de saúde dele ("você que perdeu os dentes") é uma das reprovações mais comuns em saúde.
- Clickbait em contexto de saúde. Promessa de resultado, urgência artificial e curiosidade forçada pesam muito mais quando o tema é tratamento.
- Destino inconsistente. Anúncio que promete uma coisa e a landing page entrega outra é analisado junto, não separado.
Repare no padrão: quase tudo aqui é decisão de criativo, não de configuração de campanha. E criativo é exatamente onde a agência opera com mais autonomia, e onde o dono costuma olhar menos.
A responsabilidade ética não terceiriza: o que o CRO cobra de você
Aqui está o ponto que mais surpreende o dono de clínica: mesmo que a agência tenha subido o anúncio sozinha, a camada ética continua sendo sua.
O Código de Ética Odontológica publicado pelo CFO não se dirige apenas ao profissional pessoa física. O art. 1º estabelece que ele regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, dos profissionais técnicos e auxiliares e também das pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia.
O art. 45 vai adiante: pela publicidade e propaganda em desacordo com as normas do Código respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida da culpabilidade de cada um.
E o art. 46 fecha o cerco no assunto que interessa aqui: as normas do capítulo de publicidade e propaganda alcançam clínicas e policlínicas.
Nunca escreva no seu contrato, nem aceite ouvir, que a clínica fica de fora porque é empresa. Ela não fica.
O que isso muda na prática: anúncio irregular pode gerar dois processos com naturezas diferentes ao mesmo tempo, o da plataforma (conta bloqueada) e o do conselho (representação ética). Reativar a conta resolve um. O outro segue.
Imagem de antes e depois: quem pode publicar, segundo a Resolução CFO-196/2019
Como esse é o criativo campeão de bloqueio, vale isolar a regra com o sujeito correto.
A Resolução CFO-196/2019 autoriza a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. A pessoa jurídica, ou seja, a clínica, não está autorizada a essa divulgação.
Leia de novo a segunda frase, porque ela é quase sempre lida ao contrário.
O dono de clínica opera como PJ. Logo, o perfil da clínica publicando resultado de procedimento é justamente o caso que a resolução não autoriza, ainda que o procedimento tenha sido feito dentro dela, por um profissional do seu quadro.
E isso tem consequência direta no contrato com a agência: se o briefing pede "antes e depois para a página da clínica", o pedido já nasce fora da norma. Quem aprovou o pedido tem participação no problema, mesmo que outra pessoa tenha subido o anúncio.
A responsabilidade civil da agência: obrigação de meio, prestação de contas e culpa na execução
Agora sim, a camada que você cobra dela.
Contrato de agência de marketing é, em regra, obrigação de meio, não de resultado. Ela se compromete a operar com diligência técnica, não a garantir faturamento nem a garantir que nenhuma conta jamais será bloqueada.
Isso não é escudo. Obrigação de meio é obrigação de diligência, e diligência é verificável.
Três deveres aparecem em quase todo contrato, mesmo quando mal redigido:
- Dever de diligência técnica. Conhecer e aplicar a política das plataformas é parte do serviço contratado. Subir criativo de saúde sem checagem é falha de execução, não azar.
- Dever de informação. Notificação de política recebida pela agência precisa chegar até você. Aviso engavetado é omissão, e no Google Ads existe uma janela documentada de pelo menos sete dias nas violações não graves.
- Dever de prestação de contas. Ela opera um ativo e uma verba que são seus. Você tem direito ao histórico do que foi feito.
O que você precisa provar é culpa na execução: a agência agiu fora do padrão técnico esperado, ou deixou de agir quando deveria.
Sem registro de aprovação de criativo, sem histórico de notificação e sem log de quem subiu o quê, essa prova fica difícil. É por isso que a próxima seção é a mais valiosa deste guia.
As cláusulas que decidem esse caso antes dele acontecer
A discussão de responsabilidade se resolve no contrato assinado meses antes, não no e-mail nervoso do dia do bloqueio.
| Cláusula | O que precisa estar escrito | O que ela evita |
|---|---|---|
| Titularidade dos ativos | Business Manager, conta de anúncio, Página, pixel, tag e conta Google Ads são da clínica | Ficar refém para abrir o recurso |
| Nível de acesso | A agência recebe acesso operacional; a clínica mantém administradores internos | Perder a governança da própria casa |
| Meio de pagamento | A mídia é paga por meio de pagamento exclusivo da clínica | Cascata de suspensão por conta relacionada |
| Verificação do anunciante | A verificação é feita no CNPJ da clínica | Depender de terceiro para provar quem você é |
| Aprovação prévia de criativo | Criativo de saúde só sobe com aprovação registrada, incluindo o responsável técnico | Anúncio irregular subindo sem trilha de decisão |
| Repasse de notificação | Toda notificação de política é repassada em prazo definido, por escrito | Aviso engavetado virar suspensão |
| SLA de reativação | Prazo de abertura do recurso, quem conduz e relatório de andamento | Recurso que nunca sai do lugar |
| Responsabilidade por prejuízo | Hipóteses de ressarcimento de verba perdida e de multa | Discussão sem régua no pior momento |
| Saída com transferência | Transferência de ativos e acessos em prazo definido na rescisão | Sair da agência e perder o histórico |
Se o seu contrato atual não cobre isso, vale revisar a lista completa em o que deve constar no contrato com a agência de marketing odontológico.
Protocolo das primeiras horas depois do bloqueio
A janela logo após a queda é curta e cara. Siga na ordem.
- Identifique o titular real do ativo bloqueado. Antes de qualquer ação, saiba se o recurso pode ser aberto por você ou se depende da agência. Isso define tudo o que vem depois.
- Capture a notificação inteira. Print da mensagem, código do motivo, data e hora, e o anúncio ou ativo citado. Sem isso, o recurso vira adivinhação.
- Peça o histórico à agência, por escrito. Quais criativos estavam ativos, quem subiu, quando, e se houve notificação anterior. Peça por e-mail, não por áudio de WhatsApp.
- Abra o recurso pelo canal oficial. No Google Ads, a contestação é o caminho previsto pela própria Ajuda das Políticas. Na Meta, a revisão sai do painel do ativo restrito.
- Corrija a causa antes de pedir revisão. Recurso pedido com o criativo problemático ainda no ar tende a voltar negado.
- Acione o plano de contingência no mesmo dia. Não espere a resposta para começar a compensar a captação.
E o que não fazer, porque cada item aqui já custou caro para alguma clínica:
- Não crie conta nova. No Google Ads, a própria Ajuda das Políticas diz que as contas novas que você criar são suspensas automaticamente.
- Não troque a forma de pagamento para "despistar". O meio de pagamento é justamente um dos sinais de relação entre contas.
- Não suba os mesmos criativos em outro ativo. Você transfere o problema para um ativo que ainda estava limpo.
- Não deixe a discussão de culpa travar o recurso. Resolver a conta e cobrar a agência são trilhos paralelos.
Plano de contingência de mídia enquanto a conta está fora
Conta bloqueada não pode virar mês sem captação. Três frentes seguram a agenda enquanto o recurso corre.
1. Segundo canal de mídia já configurado. Se o bloqueio foi na Meta, o Google entra com busca de alta intenção, e vice-versa. O detalhe é que "já configurado" é a parte que ninguém faz antes. Conta ativa, verificada, com conversão medindo e uma campanha mínima rodando é o que permite escalar em horas, não em semanas.
2. Base própria. Paciente inativo, orçamento em aberto e lista de contatos são o ativo que nenhuma plataforma bloqueia. É a frente mais rápida de ativar e a que menos gente usa no momento certo. Vale estruturar antes: como reativar a base de pacientes inativos com campanha.
3. Orgânico e indicação. Perfil no Google, redes sociais e protocolo de indicação não cobrem o volume da mídia paga, mas sustentam parte da agenda e não param.
Lembre: contingência não é improviso do dia da crise. É estrutura montada em tempo de paz, que você aciona em minutos.
O custo real dos dias parados
O dono costuma medir o bloqueio em dias. O negócio mede em fila de agenda.
O primeiro custo é o lead que não entrou. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), o lead de clínica odontológica custa de R$12 a R$14 no Meta Ads. Base: cerca de 94,6 mil leads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.
Exemplo hipotético, para você fazer a conta com os seus números: suponha que a sua clínica gere 20 leads por dia. Cinco dias fora do ar são 100 leads que não existiram, e a reposição desse volume sai pelo custo por lead da sua própria operação.
Mas o custo em reais é o menor dos três.
O segundo é o buraco na agenda, que só aparece depois. Lead que não entrou hoje é consulta que não acontece nas próximas semanas, e é receita que some do mês seguinte, não do mês do bloqueio.
O terceiro é o efeito no comparecimento e no aprendizado da campanha. Quando a conta volta, ela volta fria: histórico interrompido, aprendizado perdido e custo por resultado pior nos primeiros dias. A recuperação não é instantânea no dia da reativação.
Por isso a pergunta certa não é "quanto tempo demora para voltar". É "quanto da minha agenda depende de um único ativo que um terceiro controla".
Auditoria de exposição: o checklist para rodar hoje
Você não precisa esperar um bloqueio para saber se está exposto. Rode esta lista agora, item por item.
- Titularidade. O Business Manager e o pixel estão no CNPJ da clínica? A conta Google Ads é da clínica, apenas vinculada à MCC da agência?
- Administradores. Quantos administradores internos a sua clínica tem em cada plataforma? Se a resposta for zero, esse é o item mais urgente da lista.
- Meio de pagamento. A mídia é paga por um cartão da clínica, exclusivo dessa finalidade? Ele paga alguma outra conta?
- Verificação do anunciante. Em que CNPJ a conta está verificada?
- Pixel e tag. O pixel da Meta e a tag do Google estão no ativo da clínica ou em um ativo da agência compartilhado com você?
- Catálogo de criativos aprovados. Existe um repositório com os criativos no ar e o registro de quem aprovou cada um?
- Trilha de notificação. Existe um e-mail da clínica recebendo as notificações de política das plataformas, além do e-mail da agência?
- Segundo canal. Existe conta ativa e verificada na outra plataforma, pronta para escalar?
Qualquer item respondido com "acho que sim" conta como não.
Quando a culpa é de fato da agência e o que dá para cobrar
Existem cenários em que a responsabilidade da agência fica clara e documentável:
- Criativo subido sem a aprovação prevista em contrato, principalmente antes e depois e promessa de resultado.
- Notificação de política recebida e não repassada. No Google Ads, nas violações não graves, a Ajuda das Políticas descreve um aviso enviado pelo menos sete dias antes da suspensão. Se ninguém agiu, houve tempo e houve omissão.
- Recusa de prestação de contas. Agência que não entrega histórico de criativo, de notificação e de operação está descumprindo dever básico do contrato.
- Mídia paga no cartão da agência sem a sua autorização expressa, gerando cascata para a sua conta.
- Abandono do recurso. Titular do ativo é ela, e ela não abre a contestação.
O que dá para cobrar, em ordem de escalada:
- Correção e condução do recurso sem custo adicional, com prazo e relatório de andamento por escrito.
- Prestação de contas formal, com entrega do histórico completo em prazo definido.
- Ressarcimento da verba perdida e de prejuízo, quando o contrato previr essa hipótese.
- Rescisão por inadimplemento contratual, com transferência de ativos e sem multa, se a cláusula sustentar.
O passo seguinte é operacional, e ele costuma ser mais difícil que o jurídico: retirar os ativos de lá sem quebrar a captação. O caminho está em como sair de uma agência de marketing odontológico sem dano.
Prevenção de criativo: o fluxo de aprovação com o responsável técnico
Quase todo bloqueio de clínica odontológica nasce em um criativo. Então é lá que a prevenção mora.
O fluxo que funciona tem quatro estações e cabe em dias, não em semanas:
- Agência produz e classifica. Todo criativo de saúde entra marcado como sensível, com o motivo (imagem de procedimento, promessa, atributo pessoal).
- Responsável técnico revisa o que é clínico. Ele olha a afirmação, a imagem e a identificação profissional, na régua do conselho, não na régua da plataforma.
- Dono ou gestão aprova o que é comercial. Oferta, preço, promessa e posicionamento.
- Registro da aprovação. Quem aprovou, quando, e qual versão subiu. É esse registro que, meses depois, define quem responde por um anúncio.
Parece burocracia. Na prática, é o que transforma "a agência subiu sem me mostrar" de suspeita em fato comprovável, e o que impede o criativo irregular de chegar na fila de revisão.
Se o medo é o fluxo travar a operação de mídia, o desenho certo resolve: veja como montar o fluxo de aprovação de criativo com a agência sem virar gargalo.
Seu próximo passo
- Faça a auditoria de titularidade esta semana. Abra as duas plataformas e responda os 8 itens do checklist. O item mais urgente é ter pelo menos dois administradores internos em cada ativo, e um meio de pagamento exclusivo da clínica.
- Monte o segundo canal antes de precisar dele. Conta ativa, verificada, com conversão medindo e uma campanha mínima rodando na plataforma em que você hoje não investe. Contingência que você configura no dia da crise chega tarde.
- Leve as cláusulas para a mesa na próxima renovação. Titularidade, nível de acesso, meio de pagamento, verificação, aprovação prévia de criativo, repasse de notificação, SLA de reativação e saída com transferência de ativos. Fornecedor que resiste a escrever isso está dizendo algo sobre o arranjo que ele prefere.
Quer previsibilidade de agenda sem depender de um ativo que você não controla, do anúncio ao paciente na cadeira? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
A agência pode ser responsabilizada pelo bloqueio da minha conta de anúncio?
Pode, no plano contratual e civil, se você provar culpa na execução (criativo subido sem aprovação, política ignorada, aviso da plataforma não repassado) e o contrato previr esse dever. Perante a plataforma, porém, quem responde é o titular da conta. Perante o CRO, quem responde é a clínica e o responsável técnico. As três camadas correm em paralelo e não se anulam.
A conta de anúncio é minha ou da agência?
Depende de onde ela nasceu. Conta criada dentro do Business Manager da própria clínica, ou conta Google Ads da clínica apenas vinculada à conta de administrador da agência, é sua. Conta criada dentro do Business Manager da agência, ou criada pela conta de administrador dela, nasce como ativo da agência e você só tem acesso. Confira isso antes de qualquer briga, porque muda quem consegue abrir o recurso.
Quanto tempo demora para reativar uma conta bloqueada?
Não existe prazo garantido por nenhuma das duas plataformas. Trabalhe com a hipótese de dias, não de horas, e monte o plano de contingência de mídia no mesmo dia do bloqueio. O erro caro é ficar esperando a reativação sem segundo canal rodando.
Posso abrir uma conta nova enquanto a antiga está bloqueada?
No Google Ads, não. A Ajuda das Políticas do Google Ads é explícita ao dizer que as contas novas que você criar são suspensas automaticamente, assim como as contas relacionadas. Criar conta nova costuma piorar o caso e queimar ativos que ainda estavam limpos.
Antes e depois de paciente pode ser publicado pela clínica?
A Resolução CFO-196/2019 autoriza a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. A clínica como pessoa jurídica não está autorizada a essa divulgação. Como o dono opera a clínica como PJ, esse é um dos criativos que mais colocam a conta em risco.
O que eu cobro da agência quando o bloqueio foi culpa dela?
Prestação de contas documentada, correção sem custo adicional, condução do recurso e, se o contrato previr, ressarcimento pela verba perdida e rescisão sem multa. Antes de cobrar, junte evidência: histórico de aprovação de criativo, notificações da plataforma e registro de quem subiu o quê.